Economia criativa movimenta R$ 393 bilhões, mas setor busca autonomia

Economia criativa movimenta R$ 393 bilhões, mas setor busca autonomia

Em Belo Horizonte, P7 Criativo aposta em colaboração e desenvolvimento compartilhado para fortalecer empreendedores de moda, design, audiovisual, gastronomia, tecnologia e cultura

casal em uma galeria de arte
Em 2023, a economia criativa movimentou R$ 393,3 bilhões e respondeu por 3,59% do PIB nacional, segundo o Mapeamento da Indústria Criativa 2025, da Firjan (Foto: Gerada por IA)

 

A indústria criativa brasileira deixou de ser apenas um campo associado à cultura, à arte ou à experimentação. Em 2023, o setor movimentou R$ 393,3 bilhões e respondeu por 3,59% do PIB nacional, segundo o Mapeamento da Indústria Criativa 2025, da Firjan.

O levantamento também aponta 1,262 milhão de profissionais criativos formalmente empregados no País, com crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior, acima da expansão média do mercado de trabalho brasileiro no mesmo período.

Em Belo Horizonte, o P7 Criativo atua para aproximar empreendedores da economia criativa de ferramentas de gestão, repertório empresarial e relações que ajudam a transformar criação em atividade econômica sustentável.

O hub reúne áreas como moda, design, audiovisual, gastronomia, tecnologia e cultura em um ambiente de qualificação, colaboração e desenvolvimento compartilhado.

Conseguir aprovação em um edital ajuda a tirar uma ideia do papel, mas raramente sustenta uma operação no longo prazo. Essa percepção tem ganhado força entre profissionais da economia criativa, que passam a tratar programas de fomento como ponto de partida, e não como modelo permanente de receita.

No lugar da expectativa pela próxima chamada pública, cresce a necessidade de planejamento, gestão, precificação, posicionamento e relações capazes de aproximar a criação de clientes, parceiros e oportunidades reais.

A relevância do tema aumenta quando se observa o tamanho do mercado de trabalho criativo. No terceiro trimestre de 2024, a Economia da Cultura e das Indústrias Criativas alcançou 7,79 milhões de trabalhadores, maior patamar da série histórica disponível, segundo o Observatório Itaú Cultural.

Entre o terceiro trimestre de 2023 e o mesmo período de 2024, foram criados mais de 228 mil postos de trabalho no setor, avanço que reforça a criatividade como vetor de emprego, renda e desenvolvimento econômico.

Essa expansão, no entanto, convive com fragilidades estruturais. Muitos profissionais criativos atuam de forma autônoma, por projeto ou com pouca estrutura empresarial, o que dificulta acesso a crédito, contratos, planejamento financeiro e circulação em redes de negócio.

Em Minas Gerais, a discussão ganha peso adicional: o estado integra o Sudeste, região que concentra 61,1% dos profissionais criativos formais do País, segundo a Firjan, proporção superior à participação regional no mercado de trabalho brasileiro como um todo.

 

“O edital é uma porta de entrada importante, sobretudo para projetos culturais, mas não pode ser o modelo de negócio. Quem vive de criatividade precisa de uma operação que se sustente no mercado, com cliente, venda e receita própria. Quando isso acontece, o fomento deixa de ser muleta e passa a ser apenas mais uma alavanca”, afirma o presidente-executivo do P7 Criativo, Gustavo Macena.

 

Criado para conectar diferentes elos da economia criativa, o P7 reúne mais de 65 empresas residentes, diversos empreendedores, além de promover eventos e ações de formação e desenvolvimento.

A proposta é reduzir o isolamento comum entre pequenos empreendedores, estimular parcerias e ampliar o acesso a oportunidades concretas de crescimento.

A circulação entre diferentes áreas favorece parcerias, amplia repertórios e ajuda empreendedores a enxergar a própria atividade como parte de uma cadeia econômica mais ampla.

 

“A diferença entre um projeto e um negócio está na continuidade. Profissionalizar a gestão, entender o cliente, precificar de forma correta e criar relações consistentes com outros empreendedores e potenciais parceiros é o que faz a renda chegar todo mês, e não apenas quando um recurso é liberado. No P7 Criativo, o foco é encurtar o caminho entre o talento e a sustentabilidade econômica”, diz a gerente de economia criativa do P7 Criativo, Márcia Andrade.