Entrevista: A moda com propósito

Entrevista: A moda com propósito

A diretora criativa da Bôhho ressalta sobre as mudanças atuais na moda 

Entrevista Jéssica Santos
Jéssica Santos: “Vestir não precisa ser um ato inconsequente, pode ser um gesto de cuidado consigo mesma e com o planeta”
Foto/Arquivo Pessoal

 

A história da Bôhho nasceu do desejo de unir moda, arte e consciência. Jéssica Santos, diretora criativa e fundadora da marca mineira, acredita que vestir não é apenas escolher roupas, mas carregar valores e propósito. A partir desse olhar, ela criou uma marca que traz o estilo boêmio com sofisticação e que valoriza a sustentabilidade em cada detalhe.

Em tempos em que o mundo começa a despertar para os efeitos do consumo exagerado, a Bôhho surge como uma alternativa para quem quer se vestir com beleza e responsabilidade. Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, Jéssica conta sua trajetória e sobre a importância da moda sustentável. 

 

Como nasceu a ideia da Bôhho?

A Bôhho nasceu de uma inquietação. Eu sempre amei moda, mas me incomodava ver o quanto a indústria produz sem pensar no impacto disso no planeta. Percebi que podia criar uma marca que unisse estética, autenticidade e sustentabilidade. Foi assim que decidi mergulhar no slow fashion, com peças artesanais, tecidos naturais e um estilo que reflete liberdade e sofisticação.

O que diferencia a Bôhho de outras marcas de moda feminina?

O primeiro ponto é que não estamos correndo atrás de tendências descartáveis. Fazemos roupas que duram, que contam histórias. Cada peça é pensada para ser atemporal, confortável e de alto padrão, sem abrir mão da consciência ambiental. Optamos por tecidos biodegradáveis, priorizando aqueles desenvolvidos com rastreabilidade, ou seja, sabemos de onde vem e como foi produzido. Isso dá aos nossos clientes a segurança de que estão comprando algo verdadeiro.

A moda sustentável ainda é vista por muitos como algo distante ou inacessível. Isso é mito?

Totalmente. Existe essa ideia de que moda sustentável é feia, cara demais ou sem estilo. A Bôhho prova o contrário: nossas roupas são sofisticadas, leves e versáteis. Claro que não dá para competir com os preços de uma fast fashion, mas aí eu devolvo a pergunta: vale a pena pagar barato por algo que estraga em dois meses, gera toneladas de lixo e ainda explora mão de obra?

Quais os riscos de não nos importarmos com a produção slow fashion?

O maior risco é o que já estamos vivendo: toneladas de roupas indo para aterros, poluição absurda de rios e um planeta sufocado. Sem contar o impacto humano, já que muitas peças baratas têm um custo social altíssimo, com trabalhadores mal remunerados. Ignorar o slow fashion é como varrer a sujeira para debaixo do tapete e achar que nunca vai incomodar. Mas um dia incomoda, e muito.

E quais os benefícios de escolher marcas como a Bôhho?

Primeiro, a qualidade: você compra menos, mas compra melhor. Depois, a consciência tranquila: você sabe que está apoiando uma cadeia de produção mais justa e menos agressiva ao meio ambiente. E tem ainda o estilo: nossas clientes dizem que as peças Bôhho as fazem se sentir únicas, porque não seguem modinhas passageiras. É como ter no guarda-roupa algo que é só seu, mas que também conversa com o mundo.

Como foi inaugurar a loja no Espaço 356 e agora preparar a nova unidade no Boulevard Shopping?

Foi um sonho que se tornou concreto. No Espaço 356 tivemos a oportunidade de inaugurar nossa primeira flagship durante o período Casacor, um evento que respira arte e design, e isso foi muito simbólico. Agora, com a loja no Boulevard, ampliamos nosso alcance, mantendo a essência de ser uma marca autoral e sustentável, mas em um espaço que conecta ainda mais pessoas com essa experiência de vestir com propósito.

Qual você acredita que seja o maior legado da Bôhho?

Acredito que seja mostrar que a moda pode ser transformadora. Não é só sobre tecidos, é sobre identidade, sobre escolhas que ecoam no mundo. A Bôhho é mais que roupas: é um convite para viver de forma mais consciente, sem abrir mão da estética e da sofisticação. E, se pensarmos em branding, a força da marca está justamente nessa coerência: ela toca antes de convencer, porque não vende apenas produtos, mas uma forma de existir.  Assim, a Bôhho se afirma como um exemplo de que é possível fazer moda com beleza, verdade e responsabilidade. Uma marca que nasceu em Minas, mas que já carrega em si um chamado universal: vestir não precisa ser um ato inconsequente, pode ser um gesto de cuidado consigo mesma e com o planeta.