Entrevista: Canções de infância

Entrevista: Canções de infância

Fundador do grupo Pé de Sonha busca inspiração com as crianças e suas fantasias

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Weber Lopes é o entrevistado desta semana no CIDADE CONECTA
(Foto: Glenio Campregher)

 

O músico e compositor Weber Lopes é o idealizador de um dos grupos de canções infantis de maior sucesso dos últimos tempos, o Pé de Sonho, que completa uma década de vida. Assistir um espetáculo do grupo é entrar num mundo de fantasia que encanta não só os pequenos, mas também os adultos, que experenciam a alegria, a leveza e o humor de um repertório variado, com apuro técnico, multiplicidade rítmica e sonoridades originais. Tudo isso num cenário todo pensado para despertar a criança mais pura que há em cada um.

Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, Weber Lopes conta a trajetória de sucesso do grupo.

 

Como surgiu o Pé de Sonho?

Nasceu da vontade de registrar as canções que eu fazia, e faço, para as minhas aulas de música nas escolas em que dava aula (e que ainda dou). As aulas sempre foram planejadas a partir de projetos que as crianças desenvolvem em sala. Assim, todo conhecimento que elas trazem viram poesia e música. No início, as músicas foram sendo feitas e as crianças, no intuito de ouvi-las fora do ambiente escolar, pediam para os pais colocá-las para tocar em casa.

Só que, evidentemente, isso não era possível, pois elas não estavam gravadas. Foi a partir dessa demanda que resolvi gravá-las. Chamei, então, o Sassá e as minhas filhas e sobrinhas para fazerem parte dessa “aventura”. Nascia, assim, o grupo que está unido até hoje, 10 anos depois.

Você é o letrista de todas as músicas do grupo. De onde vem a sua inspiração?

Sim, sou o letrista de todas as canções. Mesmo em Cadê Clarisse?, baseado no livro homônimo da Sônia Rosa, minha parceira na canção, eu fiz a letra. Minha inspiração vem desse contato com a criança, principalmente em sala de aula. Das nossas conversas, bate-papos, das rodinhas das brincadeiras, das piadas, dos risos, das expressões do dia a dia, da atmosfera leve e transparente que é o convívio com elas. Vem do espírito da infância com as crianças, com minhas filhas, sobrinhos e sobrinhas. Vem dessa felicidade que se acumula e se expressa pela música e pela poesia musical.

Quais são os diferenciais do Pé de Sonho em relação a outros grupos semelhantes?

Todos os grupos têm suas características, suas peculiaridades que diferenciam cada história e cada fazer musical. Prefiro falar do que faz o Pé Sonho especial para cada componente e para as crianças e adultos que nos seguem, seja em shows ou nas redes. A formação do grupo é algo que salta aos olhos. É um grupo formado por muitas cantoras que começaram crianças ou adolescentes e que cresceram juntas. Isso traz uma intimidade muito grande entre elas e com o palco. Soma-se a isso a paixão pelas crianças e pela música e pronto! O público sente essa sinergia e isso faz diferença. Outro fator são as próprias músicas, que comunicam de forma muito direta e franca com a infância de cada uma e cada uma. E isso vale para crianças e adultos. Ao mesmo tempo, a riqueza musical das canções cativa a todos, seja o público “leigo” ou “iniciado”.

Quem entende de música aprecia a riqueza harmônica, rítmica e melódica da obra. Quem não entende, simplesmente sente o prazer e a alegria que a música transmite e se deixa embalar. Não por acaso, um outro grande diferencial é a qualidade musical do grupo, marcada pelos arranjos hiper elaborados e pela qualidade dos músicos e cantores, todos de primeiríssima linha. Por último, mas não menos importante, o aspecto visual é um diferencial relevante, desde os shows bem cuidados, até os figurinos, a luz e as coreografias milimetricamente elaboradas. Enfim, temos muito cuidado e carinho por todas as fases da produção e pós-produção e isso nos faz felizes, assim como também ao público.

Quais os maiores desafios que vocês enfrentaram ou vêm enfrentando nestes 10 anos?

Desde o princípio, nos propusemos a imprimir um nível de qualidade profissional em nossas ações e projetos, seja do ponto de vista artístico musical, empresarial ou de postura diante do mercado. Acho que estabelecer um padrão, não diante de nós mesmos, musicalmente falando, mas de postura diante do mercado tem sido desafiador.

Até porque, sem desmerecer nenhuma iniciativa, o mercado da música infantil é muito amplo e, muitas vezes, minimizado em relação ao valor comercial do serviço. Ao zelarmos pela qualidade de uma forma geral, impomos também um valor correspondente que está distante da maioria das produções daqui. A intenção é valorizar o que fazemos e profissionalizar o meio cada vez mais. Esse é o nosso caminho a acho que estamos conseguindo, sempre com amor ao que fazemos e respeito ao nosso público.