Entrevista: Gestão estratégica

Entrevista: Gestão estratégica

Diogo Santiago: Executivo fala sobre os planos da Prots  e a abertura de uma unidade em Belo Horizonte

Diogo Santiago sóciodiretor da Prots
Diogo Santiago: “Desenvolvi um trabalho muito grande no Grupo Santiago, e isso proporcionou uma visão mais ampliada do negócio como um todo”  (Foto: Arquivo Pessoal)

 

À frente da Prots, empresa 100% nacional especializada na fabricação de equipamentos de proteção individual para o setor elétrico, Diogo Santiago coloca toda a sua expertise em gestão para alçar novos voos. Com fábrica em Araquari, Santa Catarina, a empresa está robotizando suas operações para otimizar a produção de luvas e mangas isolantes, reforçando sua posição como uma das principais fornecedoras do mercado brasileiro. Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, Diogo fala sobre os projetos da empresa para 2026.

 

A Prots anunciou recentemente que irá instalar uma fábrica em BH. Pode falar um pouco mais sobre isso?

Estamos instalando essa fábrica na capital mineira para produzir o nosso terceiro produto, que é o tapete isolante, o estrado. A importância de Minas é por questões de regime tributário de importação de matéria-prima. Minas possui melhor eficiência logística, está mais próximo do cliente. Nós temos uma fábrica em Santa Catarina, Sul do Brasil, e uma fábrica em Belo Horizonte nos possibilita estar mais perto do mercado consumidor da região Sudeste.  E além da gestão administrativa, que boa parte também é feita em Belo Horizonte.

O senhor tem muita experiência em gestão com o Grupo Santiago. Essa bagagem empresarial foi essencial para estar à frente da Prots?

Essa experiência no Grupo Santiago foi essencial, foi muito importante. Foram 20 anos de Grupo Santiago onde eu fiz a gestão de duas empresas, além de fundar uma das empresas também. Eu desenvolvi um trabalho muito grande no Grupo, e isso proporcionou uma visão mais ampliada do negócio como um todo, porque isso me deu a oportunidade de conhecer todas as etapas da empresa. Toda essa experiência me levou a entender um pouco de tudo, ter uma visão ampla, criei uma bagagem e isso contribuiu muito.

Fale um pouco sobre a fábrica em Santa Catarina, quais produtos são produzidos?

Na fábrica em Araquari, em Santa Catarina, que é próxima a Joinville, a gente produz luvas isolantes e as mangas isolantes, que são um complemento da luva. É um produto EPI voltado para o setor elétrico. A gente conseguiu desenvolver um produto de altíssima qualidade. A luva de borracha isolante tem uma tecnologia embarcada, cada fabricante produz à sua maneira, do seu jeito. No Brasil, hoje, são apenas três fabricantes. A Prots conseguiu desenvolver uma luva que é muito maleável. É uma luva de voltagem de até 40 mil volts e, mesmo assim, é uma luva maleável. O trabalhador que tem contato com cabos, fio elétrico, tem aprovado muito devido ela ser maleável, diferente das luvas dos nossos concorrentes. Produzimos um produto diferenciado, reconhecido no mercado por essa excelência.

A Prots atende todo o território nacional? Quais as regiões onde a empresa tem mais clientes? 

Sim, a Prots atende o Brasil inteiro. As regiões onde estão mais concentradas nossas operações são o Sul e Sudeste do País. Atualmente, a empresa exporta para a Colômbia e Equador e, ainda neste primeiro semestre, começaremos a exportar para os Estados Unidos.

Além da fábrica em BH, quais os planos da empresa para 2026?  

Os nossos planos para este ano é inaugurar ainda neste primeiro semestre a fábrica de Belo Horizonte. E iremos inaugurar uma unidade da Prots na Flórida, nos Estados Unidos. Também queremos aumentar a nossa escala de produção em 2026, pois é essencial para nosso projeto de expansão. E até o segundo semestre deste ano, queremos implementar a automatização com robôs na nossa unidade fabril de Santa Catarina.    

Quais as expectativas do senhor para este ano, em relação a economia brasileira? No seu ponto de vista, o que precisa melhorar em favor das empresas?

A expectativa era que íamos enfrentar um ano muito difícil, pois já tínhamos saído de um 2025 complicado, e já imaginávamos que 2026 não ia ser diferente disso. A macroeconomia está muito ruim no Brasil com altíssimas taxas de juros, temos uma taxa de endividamento muito alta por parte da população, quase metade da população está endividada. Esse cenário como um todo contribui para atrapalhar a economia em todos os segmentos. O governo precisa reduzir as despesas, reduzir juros, o que não é a política do atual governo. Então, realmente a gente fica numa situação muito complicada. Mas o que o empresário tem que fazer? Ele não pode desanimar, não pode desistir. Tem que procurar alternativas para contornar esse momento ruim. A Prots está entre as empresas que estão crescendo, investindo e contratando. Mas temos consciência do momento difícil que muitos empresários estão vivenciando.