- Entrevista
- março 15, 2026
- 5 minutos
Entrevista: Reabilitação intensiva no centro do debate
A autorização da Anvisa para um estudo clínico de fase 1 com polilaminina no Brasil, voltado a pessoas com lesão aguda na medula espinhal, reacende as discussões sobre recuperação funcional

(Foto: Arquivo Pessoal)
Liderado pela pesquisadora Tatiana Sampaio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a polilaminina é um medicamento experimental desenvolvido pela UFRJ e laboratório Cristália, visando regenerar nervos em lesões medulares agudas através da aplicação direta na medula. Estudos iniciais mostram potencial para recuperação de movimentos.
Em entrevista ao CIDADE CONECTA, Carlos Costa, CEO da Suntor Clínica de Transição e da Rede Paulo de Tarso, afirma que o avanço científico reforça a importância de programas estruturados de reabilitação intensiva para transformar possíveis ganhos motores em autonomia. Segundo ele, a etapa clínica amplia a necessidade de clínicas especializadas, com equipe multidisciplinar e tecnologia aplicada ao cuidado, capazes de sustentar a recuperação funcional ao longo do tempo.
Por que o avanço dos estudos sobre polilaminina reacende o debate sobre reabilitação intensiva?
Sempre que surge uma nova possibilidade terapêutica para lesão medular, o debate sobre recuperação funcional volta com força. Mesmo que a pesquisa ainda esteja em fase inicial, ela chama atenção para um ponto central: qualquer ganho motor precisa ser acompanhado de um programa estruturado de reabilitação para se transformar em autonomia no dia a dia.
Esse movimento pode aumentar a procura por clínicas especializadas?
Sim. Quando um estudo entra em fase clínica, cresce o interesse de pacientes e famílias por caminhos de recuperação. Isso tende a ampliar a busca por clínicas especializadas, que tenham estrutura para conduzir programas intensivos e acompanhar a evolução funcional ao longo do tempo.
Por que clínicas especializadas são tão importantes nesse processo?
Porque a recuperação funcional não acontece apenas com uma intervenção pontual. Ela exige planejamento, intensidade e acompanhamento contínuo. Clínicas especializadas como a Suntor conseguem organizar esse processo com equipe multidisciplinar, protocolos e metas de evolução bem definidos.
Onde entra a tecnologia nesse tipo de reabilitação?
A tecnologia amplia a capacidade de tratamento. Equipamentos avançados ajudam a estimular movimento, acompanhar evolução e tornar o treino mais preciso. Quando esses recursos estão integrados ao trabalho da equipe clínica, eles aumentam as chances de transformar melhora motora em ganho funcional.
O avanço desse tipo de pesquisa pode mudar a forma como o setor olha para a reabilitação?
Pode, porque coloca a recuperação funcional como parte essencial do tratamento. À medida que novas terapias avançam, cresce também a necessidade de estruturas capazes de sustentar o processo de reabilitação de forma intensiva e organizada.
Que impacto isso pode ter para os pacientes?
O principal impacto é ampliar as possibilidades de recuperação. Quando ciência, reabilitação intensiva e tecnologia caminham juntas, aumentam as condições do paciente recuperar funções importantes e conquistar mais independência.
E para o setor de saúde, o que esse cenário representa?
Representa uma mudança de olhar. O sistema passa a perceber que a recuperação funcional não depende apenas da intervenção hospitalar, mas também da qualidade da reabilitação que vem depois na transição de cuidados. Isso tende a valorizar cada vez mais clínicas especializadas e programas estruturados de tratamento.
Quem é Carlos Eduardo dos Santos Costa?
Carlos Costa é CEO da Suntor Clínica de Transição e da Rede Paulo de Tarso. Referência nacional em transição de cuidados na saúde, é bacharel em Administração com especializações em Gestão de Projetos e MBA em Gestão Estratégica de Saúde. Acumula mais de 16 anos de experiência como gestor em serviços de saúde, com atuação destacada em inovação assistencial, regulamentação do setor e sustentabilidade.