Acordo entre Mercosul e União Europeia amplia oportunidades para indústria mineira

Acordo entre Mercosul e União Europeia amplia oportunidades para indústria mineira

Entrada em vigor do tratado deve favorecer exportações com maior valor agregado e ampliar presença de Minas no mercado europeu

Contêiner sendo movimentado em porto simboliza exportações da indústria mineira após acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
Acordo entre Mercosul e União Europeia amplia oportunidades de exportações da indústria mineira e fortalecer presença no mercado europeu (Foto: Pixabay / Divulgação)

 

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em vigor provisoriamente em 1º de maio de 2026 e abre novas perspectivas para a indústria mineira.

Atualmente, Minas Gerais lidera o superávit comercial brasileiro com o bloco europeu, com saldo de US$ 4 bilhões em 2025. A União Europeia também ocupa a posição de segundo maior parceiro comercial do Estado.

Segundo o estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Minas concentrou cerca de 15% das exportações brasileiras destinadas ao bloco no último ano. A expectativa é de que o acordo amplie esse desempenho, com avanço na diversificação da pauta exportadora e maior participação de produtos industrializados.

O tratado prevê redução gradual de tarifas e barreiras comerciais, além de estabelecer regras que facilitam comércio e investimentos. Na prática, cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.

Para Minas Gerais, o cenário favorece produtos com maior valor agregado. Entre os destaques estão café industrializado, alimentos processados, rochas ornamentais beneficiadas, autopeças, partes de motores, silício metálico e químicos inorgânicos. Esses segmentos devem se beneficiar da eliminação ou redução de tarifas.

Cadeias tradicionais da economia mineira, como café verde, celulose e metalurgia, seguem relevantes no comércio com a Europa, embora parte desses produtos já contasse com isenção tarifária antes do acordo.

 

 

Desafios e adaptação da indústria mineira

Apesar das oportunidades, a Fiemg  alerta para a necessidade de atenção à competitividade da indústria. Setores mais expostos à concorrência internacional e às exigências regulatórias e ambientais da União Europeia devem demandar maior adaptação.

No cenário nacional, o estudo identifica cerca de 11 bilhões de euros em produtos com benefício imediato a partir do acordo, com potencial de expansão do comércio exterior, aumento de produtividade e maior integração às cadeias globais de valor.

A coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Fiemg, a especialista Verônica Winter, avalia que o momento é estratégico, mas exige preparo das empresas.

 

“Minas Gerais já tem uma relação comercial relevante com a União Europeia, sobretudo em commodities agrícolas, minerais e insumos industriais. A oportunidade agora é de avançar na diversificação das exportações e aumentar a participação de produtos industrializados, garantindo maior valor agregado e competitividade internacional”, afirma.

 

A Fiemg acompanha o tema e defende políticas públicas voltadas à adaptação da indústria às novas condições de mercado. Entre os pontos de atenção estão as exigências sanitárias e ambientais, regras de origem, capacidade de adaptação das pequenas e médias empresas e impactos sobre setores mais sensíveis à concorrência externa.