Casamento comunitário: um gol de placa da cidadania

Casamento comunitário: um gol de placa da cidadania

Tribunal de Justiça de Minas Gerais e Instituto Galo transformam a Arena MRV em palco de amor e inclusão para 101 casais de BH

Casamento comunitário na Arena MRV
Arena MRV virou altar, onde 101 casais disseram “sim” em casamento comunitário promovido pelo TJMG (Fotos: Juarez Rodrigues)

 

O som dos gritos de gol deu lugar às declarações de amor na Arena MRV. Na última sexta-feira, o estádio do Atlético Mineiro, acostumado a vibrações de torcedores e disputas intensas, se transformou em um grande altar para celebrar a união de 101 casais em um casamento comunitário promovido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) em parceria com o Instituto Galo.

O evento marcou o encerramento da 20ª Semana Nacional da Conciliação, e simbolizou, segundo os organizadores, a presença da Justiça na vida cotidiana dos cidadãos. A cerimônia ecumênica foi conduzida pelo padre Edecildo José Antônio Prado da Silva, da Paróquia Santa Maria Mãe de Deus, e pelo pastor Wanderley Ferreira Campos, da Igreja Batista Getsêmani.

Sob aplausos de familiares e convidados, os casais trocaram alianças, receberam as certidões de conversão de união estável em casamento e, logo depois, participaram de uma recepção nas arquibancadas do Setor Brahma Norte, com buffet, show musical e a tradicional Charanga do Galo animando o público.

Promovido pelo TJMG, por meio da 3ª Vice-Presidência, do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc/BH) e da Corregedoria-Geral de Justiça, o casamento comunitário teve também o apoio do Sindicato dos Oficiais de Registro Civil de Minas Gerais (Recivil) e do Instituto Galo, braço filantrópico do clube.

 

 

Podiam participar casais residentes em Belo Horizonte, maiores de idade e capazes, com união estável há pelo menos um ano, interessados em convertê-la em casamento civil. As inscrições foram feitas em unidades do TJMG e exigiram documentação completa e duas testemunhas não parentes.

O presidente do TJMG, desembargador Luiz Carlos Corrêa Júnior, destacou o simbolismo do evento e agradeceu à parceria com o Instituto Galo.

 

“Casamento é compreensão, paciência e harmonia. É colocar-se no lugar do outro com equilíbrio e dedicação. Estamos realizando sonhos e reafirmando que o Judiciário atua em favor da cidadania”, afirmou o magistrado, chamando a solenidade de um verdadeiro “gol de placa”.

 

Já o 3º vice-presidente do TJMG, desembargador Rogério Medeiros, destacou o caráter plural e inclusivo da cerimônia, que contou com a presença de casais homoafetivos.

“Isso reforça o compromisso constitucional com a dignidade humana. Cada casal que sobe ao altar hoje exerce plenamente o direito à felicidade”, disse.

O corregedor-geral de Justiça, desembargador Estevão Lucchesi, por sua vez, definiu a iniciativa como um movimento concreto da Justiça em direção ao cidadão.

“Não é apenas uma ação pontual. É a Justiça indo ao encontro das pessoas, simplificando a vida e garantindo segurança jurídica para o amor que já existe”, pontuou.

 

A presidente do Instituto Galo, Maria Alice Coelho, celebrou a união entre o clube e o Judiciário na realização da cerimônia. “A Arena é símbolo de pertencimento e paixão. Hoje ela se tornou também um símbolo de dignidade e confirmação de direitos”, afirmou.

O presidente do Atlético Mineiro, Sérgio Coelho, reforçou a importância de abrir as portas do estádio para ações sociais: “A Arena MRV não é apenas casa do Galo, é também um espaço da comunidade. Ver sonhos sendo realizados aqui é motivo de orgulho.”

O juiz coordenador do Cejusc/BH, Marco Antônio Feital Leite, explicou que a ação foi voltada para famílias de baixa renda, reforçando o papel social da Justiça. “A família é a célula básica da sociedade, e o casamento civil garante amparo legal e dignidade a essas uniões”, disse.

Casamento comunitário é parte da Semana Nacional da Conciliação

Realizada anualmente desde 2006 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Semana Nacional da Conciliação estimula soluções pacíficas para conflitos.

Em Minas, o TJMG recebeu 22.024 pedidos de audiências, sendo 21.183 de conciliação e mediação cível e 841 de matéria criminal, envolvendo as 298 comarcas do Estado.