- Atualidades
- março 8, 2026
- 14 minutos
Dia Internacional da Mulher: elas consolidam espaço em posições estratégicas e impulsionam os negócios em BH
Perfis mostram trajetórias de profissionais que atuam na ampliação da presença feminina na economia, na cultura e no ambiente de inovação na capital mineira

Neste domingo (8) é celebrado o Dia Internacional da Mulher, data dedicada à valorização, ao reconhecimento e ao debate sobre o papel feminino fundamental na sociedade. No Brasil, embora as mulheres sejam maioria entre as pessoas com ensino superior, elas ocupam menos de 39% dos cargos gerenciais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ainda assim, a presença feminina avança em diferentes frentes da economia. Restaurantes, hubs de inovação, grandes eventos e marcas de bebidas passam a contar, cada vez mais, com mulheres em posições estratégicas, em setores onde essa participação nem sempre foi regra.
Pensando nesse cenário, reunimos mini perfis de profissionais que ajudam a movimentar o ambiente econômico e cultural de Belo Horizonte.
Aline Prado, empresária

À frente do Niê, do Montê, e de uma unidade do Tatu Bola, a empresária Aline Prado construiu uma atuação que conecta gastronomia, entretenimento e construção de marcas, com olhar voltado para o centro de Belo Horizonte.
A relação com o empreendedorismo começou cedo, quando trabalhou como caixa em uma loja comandada por mulheres, experiência que influenciou valores que carrega até hoje. Depois de passar por multinacionais, fundou a agência Bauhaus, tornou-se sócia de uma casa noturna na capital e consolidou uma trajetória marcada pela criação de negócios conectados a comportamento, experiência e identidade.
Para Aline, empreender na economia criativa exige compreender o comportamento das pessoas. Por isso, estudar gestão e marketing faz parte da rotina, assim como acompanhar tendências que impactam diretamente o consumo.
Como mulher em posição de liderança, ela reconhece que ainda é minoria em muitos ambientes.
“Não é simples. Mas também significa abrir caminho. Eu gostaria muito de dividir cada vez mais posições de liderança com outras mulheres e viver um presente, e um futuro próximo, em que isso seja algo natural”, conclui.
Aline Calixto, cantora

Com mais de duas décadas dedicadas ao samba, a cantora Aline Calixto consolidou seu nome como uma das vozes do gênero em Minas Gerais. Natural do Rio de Janeiro e radicada em Belo Horizonte, construiu carreira marcada pela valorização do samba tradicional e presença constante nos palcos.
Entre seus marcos está o Bloco da Calixto, hoje presença consolidada no Carnaval da capital. A iniciativa fez dela a primeira mulher a comandar sozinha um trio elétrico em Belo Horizonte e ampliou sua atuação também para a gestão da própria carreira.
Para Aline, ocupar esse espaço como mulher exige consciência e resistência.
“Ser mulher nesse mundo ainda é muito complicado, por razões óbvias. Por isso mesmo, cada conquista deve ser celebrada com ainda mais intensidade.”
Orgulhosa da artista e da gestora que se tornou, ela defende a sororidade como força transformadora e lembra que caminhar ao lado de outras mulheres também faz parte dessa construção.
Jana Barozzo, chef de cozinha

Chef de cozinha desde 2013, Jana Barozzo construiu sua trajetória na prática, aprendendo, como define, “no erro e no acerto”. A experiência acumulada no cotidiano das cozinhas consolidou repertório técnico e fortaleceu sua confiança profissional, que ganhou novos contornos durante o período em que viveu na França.
De volta a Belo Horizonte, participou de festivais, projetos gastronômicos e programas de televisão, além de assumir operações e eventos nacionais. Desde 2016 está à frente do Cabernet Butiquim e, em 2024, passou também a comandar a cozinha do Rex Bibendi.
Hoje, em posição de destaque, encara o reconhecimento como resultado de anos de preparo e responsabilidade. Para ela, liderança feminina na cozinha não é exceção, mas consequência de método e visão.
Essa percepção ganha nova dimensão quando atravessada pela maternidade.
“Conseguir liderar uma cozinha e, ao mesmo tempo, ser mãe presente exige equilíbrio e clareza. Se minha presença abre caminho para outras mulheres entenderem que é possível construir carreira e maternidade com responsabilidade, isso já tem valor”, afirma.
Márcia Andrade, gestora

À frente do P7 Criativo e há quase três décadas da FIEMG, Márcia Andrade, liderou a consolidação do primeiro hub de Economia Criativa do Brasil, que hoje reúne mais de 70 empresas e impacta diretamente mais de mil profissionais. Paralelamente, no IEL e na Educação Executiva, conduz o Hub de Carreiras, desenvolvendo projetos voltados à formação profissional, do início da trajetória até cargos executivos.
Para Márcia, a liderança feminina também representa compromisso público.
“É preciso mostrar, com resultados, que mulheres podem conduzir projetos estruturantes e influenciar decisões que moldam o desenvolvimento econômico”, afirma.
Lêda Nunes Soares, técnica de instalação e reparação

Há três anos, Lêda Soares decidiu mudar de rota profissional. Aos 38 anos, deixou a área administrativa para ingressar no setor técnico de telecomunicações, motivada pelo interesse por tecnologia.
Entrou na Telemont por meio de um curso de instalação e reparação e, a partir dessa experiência, consolidou uma nova carreira. Hoje atua como técnica de instalação e reparação na Valenet.
O início foi marcado por desafios, principalmente pelo preconceito de colegas e clientes que questionavam sua capacidade técnica. Com agilidade e eficiência, Lêda transformou a desconfiança em reconhecimento.
“Competência não tem gênero. O destaque vem da capacidade de unir técnica, cuidado e presteza”, afirma.
Verônica Palhares, publicitária

Formada em Publicidade e Propaganda, Verônica Palhares encontrou no empreendedorismo um caminho natural de sua trajetória.
Após atuar no mercado da moda, direcionou sua criatividade para um novo projeto em 2024: a Manza Apple Cider, marca mineira de bebidas da qual é sócia e diretora de marketing.
Na empresa, encontrou a possibilidade de unir propósito e negócio ao buscar reposicionar a sidra no mercado brasileiro.
A entrada no setor de bebidas alcoólicas trouxe novos desafios.
“É um mercado muito masculino. Enquanto na moda a presença feminina era esperada, no segmento de bebidas a maioria dos negócios ainda é comandada por homens”, explica.
Hoje, como única mulher no comando da marca, reconhece o valor de ocupar esse espaço e vê na posição conquistada uma mistura de responsabilidade e motivação para seguir avançando.
Danila Maya, produtora de eventos

Com formação em Relações Internacionais e MBA em Gestão Empresarial pela FGV, Danila Maya construiu carreira na produção executiva de eventos, área em que atua há mais de dez anos.
No início da trajetória, enfrentou o desafio de conquistar respeito em equipes onde, muitas vezes, era a única mulher e também a mais jovem. Com consistência e entrega, construiu credibilidade no mercado.
Hoje integra a produção da Feirinha Aproxima, onde lidera uma equipe alinhada e estruturada.
Para Danila, o mercado ainda exige que mulheres comprovem constantemente sua capacidade profissional.
“Ser escutada e respeitada nem sempre acontece naturalmente”, afirma.
No Projeto Aproxima, busca adotar uma gestão mais humana e abrir espaço para que outras mulheres também ampliem sua atuação profissional.