Intérprete de Libras mineiro com síndrome de Down leva debate sobre inclusão à ONU

Intérprete de Libras mineiro com síndrome de Down leva debate sobre inclusão à ONU

Gabriel Camargos representa o País em conferência internacional e reforça a importância de combater a solidão e o capacitismo

Intérprete de Libras mineiro Gabriel Camargos
Gabriel Camargos representa o Brasil na ONU em debate internacional sobre inclusão e síndrome de Down (Foto: Divulgaçõ)

 

O Brasil ganhou protagonismo na 15ª Conferência Internacional da Síndrome de Down (T21), realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, no dia 23 de março. O intérprete de Libras natural de Florestal (MG), Gabriel Camargos representou o País e se tornou o primeiro profissional do mundo com síndrome de Down a atuar na tradução entre Libras e língua portuguesa.

A conferência integrou a agenda da Assembleia Geral da ONU em alusão ao Dia Mundial da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março. A conferência reuniu pessoas com T21, familiares, especialistas e representantes de diversos países com o objetivo de discutir direitos, inclusão e qualidade de vida.

Entre os representantes dos países-membros da ONU, estão pessoas com síndrome de Down, famílias, defensores e especialistas, com o objetivo de discutir a promoção dos direitos e o bem-estar das pessoas com T21.

Indicado pela Federação Brasileira das Associações da Síndrome de Down, o intérprete mineiro discursou a partir do tema “Together Against Loneliness”, traduzido no Brasil como “Amizade, acolhimento e inclusão – Xô Solidão”. Em sua fala, destacou que a inclusão se constrói a partir de oportunidades concretas, comunicação acessível e senso de pertencimento.

Segundo ele, dizer não à solidão também significa criar caminhos para que mais pessoas sejam ouvidas e reconhecidas em diferentes espaços da sociedade.

 

“Tive o privilégio de representar meu País, minha cidade Florestal/MG, às pessoas com síndrome de Down, os intérpretes de libras, os surdos e todos aqueles que muitas vezes não tem voz, não tem espaço, não são vistos. Sim, eu estava lá por nós. E essa sempre será a minha voz, uma voz que quer lutar pela inclusão, às vezes falando emitindo som, as vezes com as mãos fazendo gestos, mas jamais calado. Já ouvi que não seria capaz, que seria impossível, mas isso nunca fez sentido para mim, então fui lá e fiz, mostrei que o impossível é só questão de opinião”, afirma.

 

Gabriel também ressaltou que a participação na ONU representa um avanço importante, mas não encerra o desafio da inclusão.

 

A minha luta é para que sejamos vistos como iguais, só isso! Continuarei firme nessa batalha contra o capacitismo, contra o preconceito, contra a falta de inclusão”, conclui.

  

 

Apoio institucional amplia alcance da inclusão

A participação de Gabriel na conferência contou com o apoio da Federação Brasileira das Associações da Síndrome de Down, em parceria com a Fundação Álvaro César, com mediação da psicóloga e gestora técnica Lídia Lopes.

A fundação atua no atendimento a pessoas com deficiência intelectual, com foco especial em famílias em situação de vulnerabilidade. A instituição oferece acolhimento no pós-diagnóstico, atendimento pedagógico, orientação social, grupos de apoio e capacitações.

Todos os serviços são gratuitos. No último ano, foram realizados mais de 1,6 mil atendimentos, com cerca de 200 famílias acompanhadas.

Para a gestora técnica Lídia Lopes, a participação de Gabriel simboliza o impacto direto do trabalho desenvolvido.

 

“Mais do que uma viagem, este é um símbolo do que acontece quando oportunidades, apoio e confiança caminham juntos: pessoas com deficiência intelectual ocupando espaços de fala, decisão e transformação. Esta não é só uma conquista individual. É um símbolo do que precisamos garantir todos os dias: oportunidades reais para que pessoas com síndrome de Down possam ir cada vez mais longe. Porque inclusão de verdade não é sobre abrir portas por um momento, mas garantir que elas permaneçam abertas”, explica.