- Negócios
- maio 21, 2026
- 6 minutos
Comércio mineiro volta a crescer e supera média nacional
Levantamento da Fecomércio MG aponta reação do varejo em março, enquanto serviços e turismo ainda operam em ritmo mais lento no Estado

O comércio mineiro voltou a ganhar fôlego em março, enquanto os setores de serviços e turismo seguem operando em ritmo mais lento no Estado. Levantamento da Fecomércio MG, com base em dados do IBGE, mostra um cenário desigual na economia de Minas, marcado pela reação do varejo e pela desaceleração de outras atividades.
O principal destaque ficou com o varejo ampliado em Minas Gerais. O segmento avançou 11% em março de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O resultado supera a média nacional, de 6,5%. No acumulado do ano, o crescimento chega a 5,1%.
O desempenho foi puxado, principalmente, pelo atacado de alimentos, bebidas e fumo, além da venda de veículos e motocicletas. Já o varejo restrito registrou alta de 5% no comparativo anual.
Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, mesmo em um cenário de juros elevados e crédito mais restrito, o comércio mineiro mostra capacidade de reação.
“O consumidor segue mais seletivo, priorizando gastos essenciais, mas alguns segmentos vêm respondendo de forma positiva, impulsionados por fatores sazonais, possíveis renegociação de dívidas que promove um efeito positivo no curto prazo, e melhora gradual da confiança”, avalia.
Serviços acumulam retração em Minas
Enquanto o comércio avança, o setor de serviços segue pressionado. Em março, o volume caiu 0,7% frente ao mês anterior, acumulando quatro retrações consecutivas nesse tipo de comparação.
No acumulado do ano, Minas registra queda de 1,6%. No Brasil, o setor cresce 2,3%. Serviços profissionais, administrativos e transportes aparecem entre os segmentos mais afetados no Estado.
Segundo Fernanda , o cenário reflete um ambiente macroeconômico mais restritivo.
“Os juros elevados reduzem a demanda, aumentam o custo operacional das empresas e limitam uma recuperação mais consistente do setor de serviços em Minas Gerais”, explica.
Turismo tem queda de desempenho entre estados analisados
O turismo mineiro também voltou a perder força em março. O volume de atividade caiu 2,8% frente a fevereiro e recuou 8,1% na comparação com março do ano passado.
No acumulado de 12 meses, Minas apresenta retração de 6,3%. No mesmo período, o Brasil registra crescimento de 3,5%. Entre os estados analisados, Minas teve o menor desempenho.
Para a economista , o setor ainda enfrenta uma recuperação lenta. O cenário é impactado pela redução do consumo das famílias, juros elevados e aumento dos custos de viagem, como passagens aéreas e combustíveis.
“A atividade turística mineira ainda enfrenta um ambiente de demanda mais contida e recuperação lenta, especialmente diante da redução do consumo das famílias diante de elevadas taxas de juros, que comprometem o poder de compra por parte da população, acrescido a isso o aumento das passagens áreas e combustíveis dificultam a logística turística”, afirma.
A avaliação da Fecomércio MG aponta que a economia mineira continua diretamente influenciada pela taxa básica de juros, hoje em 14,5% ao ano, além do alto endividamento das famílias.
Ainda assim, o comércio demonstra maior capacidade de sustentação no curto prazo. Já serviços e turismo seguem enfrentando um ambiente mais desafiador.