- Cultura
- março 17, 2026
- 5 minutos
Bailarino mineiro premiado em Joinville apresenta “Partituras Corporalizadas” em BH
Maxmiler Junio integra a programação do projeto Terça da Dança no Teatro Marília e investiga memória, ancestralidade e corporeidade inspiradas no congado

Belo Horizonte recebe nesta terça-feira (17) o bailarino mineiro Maxmiler Junio, eleito Melhor Bailarino no Festival de Dança de Joinville em 2026. O artista apresenta o espetáculo “Partituras Corporalizadas” no Teatro Marília, às 19h, dentro do projeto Terça da Dança.
A iniciativa busca consolidar uma programação semanal dedicada à dança, com espetáculos, intervenções e ações formativas voltadas ao público da capital.
A apresentação integra o processo de criação da videodança “Candonga”, obra que futuramente será exibida na íntegra. Nesta etapa, o espetáculo se apresenta como uma investigação coreográfica em que o corpo surge como território de memória, ação, escrita e som.

Em cena, o bailarino revisita os rastros do congado, como suas festas, gestos, ritmos e simbologias, que representam manifestações que atravessam sua trajetória desde a infância e que ajudaram a moldar sua formação artística.
“O congado se manifesta como vestígio vivo: uma oralidade que pulsa no gesto, no peso do corpo, na relação com o tempo e no modo de ocupar o espaço. Um corpo negro em cena, escuta e presença, ativando no agora as danças que o constituem”, descreve o coreógrafo.
A partir dessa pesquisa cênica surgiu o desejo de transpor a experiência para a linguagem audiovisual. Assim nasceu “Candonga”, projeto que reafirma a conexão do artista com o congado, a capoeira e as religiões de matriz africana, em um gesto contínuo de escuta da ancestralidade.
Segundo Maxmiler Junio, a videodança amplia a travessia iniciada no espetáculo ao permitir que a câmera acompanhe e revele novas camadas sensíveis desse corpo-território.
“”Candonga” preserva a dimensão de memória em movimento, mas expande “Partituras Corporalizadas” ao experimentar novas possibilidades de tempo, enquadramento e paisagem simbólica. Inspirada pela pulsação de um corpo-território — congado que vive na carne, terreiro que acende no peito, capoeira que gira no tempo, samba que sussurra lembranças, “Candonga” costura camadas vivas que ecoam no mundo”, afirma.
A trilha sonora ocupa papel central na videodança e atua como elo entre passado e presente, conectando movimento, ritmo e sensibilidade. Entre as músicas presentes estão “Alembra”, interpretada pela Guarda de Congo Feminina, Irmandade os Carolinos e Moçambique do Divino; “Derramou”, de Alessandra Leão; “Rosário dos Pretos”, de Sérgio Pererê; e “Yáyá Massemba” por Maria Bethânia.
A apresentação é gratuita, com retirada de ingressos pelo site do Sympla ou diretamente na bilheteria do Teatro Marília.

