“Diálogos Femininos e Identidade” tem apresentações gratuitas em BH

“Diálogos Femininos e Identidade” tem apresentações gratuitas em BH

Cia Baobá Minas celebra 26 anos com espetáculo de dança que reverencia personalidades que vão de Carolina Maria de Jesus a Ângela Davis; apresentações acontecem neste sábado (4) e terça-feira (7)

CIA Baobá MINAS Lançamento Teatro Francisco Nunes FOTO MARCELO GOULART
A Cia Baobá apresenta neste sábado (4) ” Diálogos Femininos e Identidade” 
Foto/Marcelo Goulart

 

“Diálogos Femininos e Identidade”, célebre espetáculo de dança concebido por Júnia Bertolino, da Cia Baobá Minas, levado ao público pela primeira vez em 2019, ganha remontagem neste ano, com estreia no Teatro de Bolso do Sesc Palladium, neste sábado (4), e segunda apresentação no Teatro Marília,  na terça-feira (7). A entrada é gratuita, com ingressos retirados pela Sympla ou na portaria do teatro.

A nova versão celebra os 26 anos da Cia Baobá Minas, referência nos estudos e criações relacionadas à dança afro-brasileira em Minas Gerais, e reafirma a capacidade de reinvenção do grupo, ao amplificar as vozes e histórias de mulheres negras, a partir de um repertório atento sobre ancestralidade, oralidade e narrativas afrodiaspóricas.

A dramaturgia de Júnia Bertolino é inspirada diretamente nas contribuições e superações de mulheres negras pioneiras em diversas áreas do conhecimento e das artes. Entre elas, estão Marlene Silva, precursora da dança afro em Minas Gerais; Mercedes Baptista, a primeira negra integrante do balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro; Ruth de Souza, considerada a primeira referência negra na televisão brasileira; e Maria Firmino dos Reis, autora do primeiro romance abolicionista do Brasil.

O espetáculo também é conduzido por poemas, canções, citações de livros e reflexões de nomes consagrados na cultura brasileira e mundial, como Ângela Davis, Lélia Gonzalez, Dandara, Nzinga, Nina Simone, Elisa Lucinda, Carolina Maria de Jesus, Marielle Franco, Elza Soares, Teresa de Benguela, Antonieta de Barros, Léa Garcia e Xênia França.

Memórias coletivas

Na remontagem, oito bailarinas assumem a cena – um gesto estético e político que transforma o solo original em polifonia, a partir de movimentos que se assemelham a rituais ancestrais, conduzidos com maestria pelo corpo de baile formado por Marlene Ferreira, Ingrid Reis, Maria da Penha de Sousa, Danielle Cardoso, Shirleine Gomes Brandão, Jahi Amani, Dandara Bertolino, Ana Cláudia Santos e Júnia Bertolino. O espetáculo conta ainda com contribuições importantes de artistas convidados, como Eda Costa, Lira Ribas, Gal Duvalle, Rilary Freitas e muitos outros.

A trilha sonora é executada ao vivo por Rodrigo Aziz, José Gabriel Gutierrez e Guilherme Ramos, e oscila entre levadas percussivas da cultura afro-brasileira, ressoando matrizes do congado, do samba de roda e de ritmos atlânticos variados.

O canto, a poesia, o gesto e o balé funcionam como chaves de memória para corpos que pulsam, desejam, rezam, convocam e guardam, ressoando o tempo espiralado das ancestralidades de mulheres que têm muito a dizer ao mundo.

 

“Essas mulheres, as bailarinas, vão trazer também a história delas, através das corporeidades negras, de uma música, de uma fala ou de um poema. Todas elas, em algum momento, interpretam uma das mulheres homenageadas dentro do espetáculo, e que são uma inspiração para todas nós. Temos uma espécie de cruzamento de histórias, cada uma com suas importâncias e diferenças”, diz Júnia Bertolino.

 

A dança ganha potência verbal com o argumento escrito por Júnia Bertolino e as referências diretas à literatura negra, como a entonação dos poemas “Bendita”, de Conceição Evaristo, e “Mulata Exportação”, de Elisa Lucinda. E os versos autorais da dramaturga, a exemplo das obras “Mulheres Guerreiras Angoleiras” e “Palavra de Mulher”.