- Atualidades
- agosto 3, 2025
- 6 minutos
Entrevista: A força legítima da conservação privada
Belo Horizonte é palco do VII Congresso Brasileiro de RPPNs que impulsiona a conservação privada, articula políticas públicas e mobiliza lideranças às vésperas da COP 30

Belo Horizonte foi palco do VII Congresso Brasileiro de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), nos dias 22 e 23 de julho. O evento superou as expectativas e projetou o movimento RPPNista como força legítima da conservação privada no Brasil. Por dois dias, Belo Horizonte se transformou na capital brasileira da conservação em áreas privadas, evidenciando o protagonismo das RPPNs na proteção do patrimônio natural. A edição foi promovida pela Fundação Biodiversitas e com apoio da Confederação Nacional de RPPNs (CNRPPN).
Natural de Salvador (BA), graduado em Administração, especialista em Gestão Ambiental e fundador do Instituto Água Boa, o superintendente da Fundação Biodiversitas Jorge Velloso faz, nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, um balanço de como foi o evento e as ações futuras.
Em um cenário de desafios ambientais crescentes e celebração de marcos importantes, qual foi o grande diferencial do VII Congresso Brasileiro de RPPNs?
O evento, mais do que nunca, projetou o movimento RPPNista como uma força legítima da conservação privada no Brasil. Em um ano emblemático para a conservação ambiental, ano da COP30, o congresso reuniu respeitadas autoridades, criando um ambiente de escuta ativa, articulação estratégica e construção coletiva, projetando as RPPNs como importantes protagonistas na proteção do patrimônio natural.
Quais foram os principais destaques dessa edição realizada em Belo Horizonte?
Além de marcar o reencontro de centenas de atores da conservação, o evento destacou a presença de palestrantes de referência no segmento ambiental, como o presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires. Também tivemos nomes como Roberto Messias Franco (Fundação Biodiversitas), José Carlos Carvalho (ex-ministro do Meio Ambiente), Mário Mantovani (ANAMMA e Fundação Florestal), Márcia Hirota (Fundação SOS Mata Atlântica), Coronel Rabelo (Instituto Homem Pantaneiro), Pedro Bruzzi (Funatura) e o ator e naturalista Victor Fasano.
O congresso focou apenas em discussões teóricas?
De forma alguma. A programação foi intensa, marcada por painéis temáticos de grande relevância sobre políticas públicas, atuação do Ministério Público, RPPNs corporativas, desafios do terceiro setor e perspectivas sobre sustentabilidade. Além disso, tivemos palestras inspiradoras com apresentação de experiências práticas, como o planejamento de paisagem e o case das RPPNs urbanas de Curitiba.
Houve algum momento que mereça destaque especial?
Sem dúvida, a palestra “Cores da Noite: Novas e Raras Espécies de Louva-a-Deus do Brasil”, apresentada por Leo Lanna e Lvcas Fiat (Projeto Mantis), apoiados pela National Geographic Society. A dupla conduziu o público por uma jornada sensorial, revelando a riqueza da biodiversidade noturna e reafirmando as RPPNs como territórios legítimos de inovação e produção científica.
Como o congresso abordou a questão da sustentabilidade econômica das RPPNs?
O Painel de Sustentabilidade nas RPPNs trouxe luz à valorização econômica e força das reservas e à busca por soluções que aliem conservação e geração de renda. Participaram instituições que apresentaram modelos sustentáveis, mecanismos de certificação e propostas de negócios de impacto. Reforçamos que as RPPNs são territórios vivos, economicamente viáveis e protagonistas da conservação e prosperidade socioeconômica.
Qual o principal legado do VII Congresso Brasileiro de RPPNs?
Destacamos a elaboração da Carta de Belo Horizonte pelo Patrimônio Natural, um documento coletivo com diretrizes e compromissos assumidos pelos participantes RPPNistas e organizações do terceiro setor. A carta reúne demandas estratégicas e será encaminhada a autoridades públicas e lideranças nacionais.
Como a união de diferentes setores contribuiu para o sucesso do congresso?
A sinergia entre setor privado, instituições públicas e sociedade civil foi essencial. Empresas como Seguros Unimed, Vale, Anglo American, Cenibra, entre outras, atuaram como parceiras estratégicas. Também tivemos o apoio do Ministério Público Federal e Estadual, além de organizações da sociedade civil. Essa união de forças demonstra o compromisso de todos com a conservação em territórios privados.
Qual a mensagem final que o congresso deixa para o futuro da conservação no Brasil?
O VII Congresso Brasileiro de RPPNs não apenas reafirmou o lugar das reservas na agenda nacional, como reacendeu o senso de comunidade, propósito e mobilização em torno da conservação em terras privadas — passo firme rumo à COP30 e ao futuro da biodiversidade brasileira.