Fundação lança projeto de economia circular na indústria do aço

Fundação lança projeto de economia circular na indústria do aço

Nova iniciativa da entidade da ArcelorMittal  busca gerar desenvolvimento humano e impulsionar práticas sustentáveis

Foto da Camila Valverde, diretora-executiva da Fundação ArcelorMittal, sentada durante divulgação da nova frente de economia circular da instituição
Camila Valverde é diretora superintendente da Fundação ArcelorMittal (Foto: Alexandre Rezende)

 

A Fundação ArcelorMittal apresentou uma nova frente de atuação dedicada à economia circular, reforçando o papel da indústria do aço no avanço de um modelo econômico mais sustentável e humano. A iniciativa nasce de um estudo inédito encomendado para entender como o investimento social privado pode acelerar práticas circulares no país.

Um levantamento realizado pela plataforma Ago Social, mostra a força do investimento social privado no Brasil, que movimentou mais de R$ 5 bilhões em 2022, mas revela uma lacuna importante: apenas entre 5% e 10% desse montante está ligado a ações de economia circular. O estudo indica ainda desafios como a falta de indicadores sociais claros e a baixa formalização de catadores e cooperativas no país, em apenas 6,5% dos municípios, segundo o Atlas Brasileiro da Reciclagem.

Para a diretora-executiva da Fundação ArcelorMittal, Camila Valverde, o material traz uma visão essencial para o setor.

 

“De forma inédita, esse estudo apontou caminhos para ampliar a associação do investimento social privado à economia circular, fortalecendo a transição justa para uma economia de baixo carbono. Acreditamos que investir em pessoas nessa agenda gera dignidade, trabalho e respeito.” afirma.

 

A nova estratégia será aplicada em três eixos: formação de uma cultura de circularidade na indústria do aço; amadurecimento de processos ligados à regularização, capacitação e saúde; e estímulo à inovação, aproximando economia circular e economia criativa como forma de gerar renda, negócios e soluções sustentáveis.

 

 

O CEO da Ago Social, Alexandre Amorim, destaca que a economia circular representa uma ruptura positiva com modelos tradicionais. 

 

“Ela é regenerativa e cria valor em todos os elos da cadeia. O investimento social privado pode ser uma plataforma para que a justiça social esteja presente nesse novo paradigma econômico, consolidando-se como ferramenta fundamental para pautar pautas ações e políticas das empresas no Brasil e no mundo”, afirma.

 

A indústria do aço é um dos setores que mais movimentam a circularidade no país. Em 2023, foram 9,2 milhões de toneladas de sucata ferrosa reaproveitadas no Brasil. Globalmente, a ArcelorMittal recicla cerca de 30 milhões de toneladas de sucata por ano; desse total, 3 milhões são processadas no Brasil. No segmento de aços longos, mais da metade da produção nacional já vem da reciclagem.

Nos últimos três anos, a empresa retirou 8,5 milhões de toneladas de sucata de aterros, reintegrando o material ao ciclo produtivo por meio de uma rede que inclui mais de 2 mil fornecedores, 20 pontos de coleta e 25 prensas móveis pelo país.

Além da sucata metálica, a companhia investe na transformação de resíduos industriais em coprodutos. Na unidade do Pecém (CE), 1,9 milhão de toneladas de resíduos deixam de ser descartadas por ano, com uso de tecnologias como a BSSF, que acelera o tratamento de escórias e elimina emissões. Já na unidade de Tubarão (ES), 4,6 milhões de toneladas de resíduos foram reaproveitadas em 2024, com aplicações em pavimentação, agricultura e até tratamento de efluentes.

Com a nova frente, a Fundação ArcelorMittal reforça a visão de que circularidade e impacto social caminham juntos. O objetivo é ampliar práticas que unem competitividade, inclusão e sustentabilidade em todo o ciclo do aço.