Duas Rodas: Independência e moto

Duas Rodas: Independência e moto

Competição de enduro de regularidade mais tradicional do País mantém suas raízes com mais de 150 pilotos que encaram trilhas de São Paulo e Minas Gerais

Enduro da Independência 2025
Enduro da Independência de 2025 teve participação de 150 pilotos divididos em 20 categorias (Foto: Léo Tavares)

 

Luís Otávio Pires

O crepitar de motores, o tremor das trilhas e a poeira sob o pôr do sol: esse é o ritual do Enduro da Independência, que mais uma vez reviveu em 2025 sua essência original. A 43ª edição manteve as raízes — à regularidade pura, ao companheirismo entre pilotos e à celebração do motociclismo como tradição. Em Carmo da Mata, Minas Gerais, o palco da premiação, selou-se mais um capítulo de emoção: confraternização, shows, música, costelão e o brilho dos primeiros colocados no pódio.

Há quem diga que o Enduro da Independência nasceu em Minas, e não é exagero: a modalidade de enduro de regularidade — em que não vence quem vai mais rápido, mas quem segue rota, velocidade média e planilha com precisão — encontrou solo fértil no estado.

Nos anos 1970, o Trail Clube Minas Gerais organizou a primeira prova desse tipo, ao traçar trilhas e introduzir o conceito de piloto + navegador como duelo contra o tempo previsto, não contra adversários diretos. Foi em 1983, porém, que surgiu o Enduro da Independência propriamente dito, com o desafio de recriar, de moto, a viagem de Dom Pedro I do Rio de Janeiro até Ouro Preto (na época Vila Rica), no início da história do Brasil independente.

 

 

Nos seus momentos de auge, o Independência foi prova profissional e internacional, atraiu pilotos de diversos estados e até de além-fronteiras, com roteiros de três a sete dias pelas serras, trilhas e estradas históricas de Minas, Rio de Janeiro e São Paulo.

Em 2025, a prova reafirma sua tradição: cerca de 800 quilômetros em quatro dias, largadas sucessivas de Aparecida (SP), São Lourenço (MG), São João del-Rei (MG), Brumadinho (MG) e chegada final em Carmo da Mata (MG). Desta vez, com 20 categorias, cerca de 150 pilotos, inclusive as Big Trails, que estrearam em 2024 e já se consolidaram.

O tricampeonato ficou próximo, mas o bicampeonato foi conquistado: Bruno Crivilin, da equipe Honda Racing, repete o troféu na categoria Elite, num duelo acirradíssimo com Emerson Loth, decidido somente no derradeiro dia. Enquanto isso, famílias, equipes de apoio e amantes da modalidade acompanharam de perto cada etapa — em festivais culturais, gastronômicos, missas e shows promovidos pelas prefeituras das cidades-sede.

A coordenação do evento, liderada por Lúcio Pinto Ribeiro, já anunciou que o Enduro da Independência de 2026 acontecerá de 4 a 7 de setembro, com abertura oficial de inscrições em 3 de novembro de 2025, limitada a 200 motociclistas. As prefeituras seguem parceiras, ao valorizarem o turismo local e a cultura motoclube que o Independência sempre encarnou.

Assim, o Enduro da Independência de 2025 cumpre o que se espera de uma prova que sobreviveu ao tempo: mistura de história, técnica, tradição e charme — sem deixar de encarar o desafio da regularidade e o apreço de quem prefere sentir cada trilha, em vez de correr para o fim.