- Atualidades
- maio 19, 2026
- 8 minutos
Mercado cripto coloca Belo Horizonte no mapa global
Ecossistema mineiro se fortalece com evento que busca aproximar empresários à tecnologia blockchain

O que antes parecia restrito a fóruns especializados e entusiastas de tecnologia agora ocupa espaço crescente na vida financeira dos brasileiros. O mercado cripto ganhou escala, musculatura e relevância econômica — e começa a redesenhar o mapa da inovação no País.
É nesse cenário de amadurecimento que Belo Horizonte se prepara para sediar, na nesta quarta-feira (20), a primeira grande conferência de blockchain e Web3 de Minas Gerais. Com entrada gratuita, o BH OnChain será realizado das 9h às 19h, no Teatro Francisco Nunes, reunindo empresários, desenvolvedores, investidores, estudantes e profissionais interessados nas aplicações práticas da tecnologia.
Hoje, cerca de 59 milhões de brasileiros já tiveram algum tipo de contato com ativos digitais, o que corresponde a aproximadamente 37% da população adulta. Entre os investidores, 42% afirmam já ter comprado criptomoedas ao menos uma vez, segundo dados do setor.
A expansão também se reflete nos números. Entre julho de 2024 e junho de 2025, o volume movimentado em criptomoedas no Brasil atingiu US$ 318,8 bilhões — cerca de R$ 1,7 trilhão —, crescimento de 109,9% em relação ao período anterior. Com esse desempenho, o País lidera o mercado cripto na América Latina e ocupa a quinta posição no ranking global de adoção de ativos digitais, ao considerar o volume de transações, número de usuários e aplicações em pagamentos e investimentos.
Promovido em parceria com a Prodabel, o evento na capital mineira nasce com a proposta de aproximar o público das soluções já existentes no universo cripto, indo além da visão especulativa que marcou o setor nos últimos anos.
Segundo o organizador Bernardo Nery, CEO da Vega Crypto e presidente da Ethereum Brasil — ligada à Ethereum, segunda maior criptomoeda do mundo —, o foco está na aplicação concreta da tecnologia.
“O mercado amadureceu muito. As empresas de cripto hoje estão muito mais ligadas à aplicação real das tecnologias do que apenas à lógica de tokens e especulação. Percebemos, nas conversas com a Prodabel, que ainda existe um grande gap entre o que já vem sendo desenvolvido no Brasil e o nível de conhecimento do público empresarial sobre essas soluções”, afirma.
A programação prevê mais de 10 horas de conteúdo e cerca de 25 palestrantes. A expectativa é reunir aproximadamente 540 participantes. Entre os nomes confirmados estão representantes do Banco Inter, especialistas em tokenização e executivos de empresas do setor financeiro e tecnológico, além de instituições como Universidade Federal de Minas Gerais e PUC Minas.
BH se firma como polo de inovação no mercado cripto
A escolha da capital mineira não é por acaso. Nos últimos anos, Belo Horizonte consolidou-se como um dos principais polos de inovação do País, impulsionada pelo ecossistema conhecido como San Pedro Valley. Surgido em 2011, de forma colaborativa entre startups locais, o movimento cresceu e hoje reúne centenas de empresas, investidores e hubs de tecnologia.
Esse ambiente também favoreceu o avanço das fintechs na cidade. Startups como Sympla, Méliuz e Hotmart ajudaram a consolidar Belo Horizonte como referência em soluções digitais voltadas a pagamentos, crédito, investimentos e infraestrutura financeira.
“Belo Horizonte tem um mercado em franco crescimento. Temos players importantes como o Banco Inter, além de construtoras e empresas ligadas ao agronegócio que já demonstram interesse em tokenização. Existe muita vontade das organizações de entrarem neste mercado, mas ainda há desconfiança e falta de informação. O evento surge justamente para ajudar a criar essa base de conhecimento”, destaca Bernardo.
A proposta do BH OnChain, segundo o organizador, é dar o primeiro passo nessa aproximação.
“Queremos apresentar ferramentas que já podem ser utilizadas hoje. A partir da familiaridade com o tema, os negócios serão consequência”, explica.
A organização já projeta uma segunda edição para 2027, com a intenção de ampliar a iniciativa e consolidar Belo Horizonte como um dos principais centros de debate sobre blockchain e inovação no Brasil.
Programação oficial
9h50 – 10h30 | Painel: Pagamentos Crossborder
- Moderação: Mateus Nunes – CEO da LiveCoins
Participantes:
- Bruno Moniz – NORA Finance
- Rocelo Lopes
- Michel Vitale – CEO da Trust Capital
10h30 – 11h20 | Painel: Blockchain no Setor Público
- Mediação: Glauber Melo – Prodabel
Participantes:
- Jeroen – UFMG
- João Paulo Aramuni – PUC Minas
- Sandra Pereira – Especialista em Blockchain no Setor Público
11h20 – 12h10 | Painel: Pagamentos
- Mediação: Fernando “Shimas” – Redot
Participantes:
- Andre Straube – PagFinance
- Bruno Grossi – Inter
- Patrick Rayner – Inkryptus
13h30 – 14h20 | Painel: RWA (Real World Assets)
Participantes:
- Lucas Britto – Credit Markets
- Solange Gueiros – Chainlink
14h20 – 15h10 | Painel: Ecossistema e Comunidade BH
Participantes:
- Lucas “Cigarros” Zandoná – Redot Club
- Michela Galvão – Fundadora do projeto Mulheres Empreendedoras
- Daniel “Dollar” Nascimento – CEO da Parabuilders / Berapaw
- Luiz Lemos – OFFCHAIN
15h10 – 16h00 | Painel: Tokenização de Commodities
- Mediação: Bernardo Nery – VegaCrypto
Participantes:
- Davi Lopes – FeeAgro
- Antonio Neto – Solana
- Matheus Zuvia
16h30 – 17h20 | Painel: Privacidade e Blockchain
- Mediação: Felipe Gomes – OffChain
Participantes:
- Michael – Zcash
- Sabrina Olivo – ZKSync Brasil
- Participante a confirmar
17h20 – 18h | Painel: Regulação
- Mediação: Veber Souza – Lawi
Participantes:
- Miris Benisman – Presidente da Comissão de Tokenização da OAB Minas Gerais
- Regina Pedroso – Presidente da ABToken
18h10 – 18h40 | Premiação do Hackathon
18h40 – 19h00 | Encerramento Oficial do Evento
Saiba mais
BH OnChain
- Data: 20 de maio, quarta-feira, das 9h às 19h
- Local: Teatro Francisco Nunes (avenida Afonso Pena, s/nº – Parque Municipal – Centro)
- Entrada gratuita mediante inscrições no site oficial do evento.