Associação pede medidas para conter impacto dos combustíveis no transporte coletivo

Associação pede medidas para conter impacto dos combustíveis no transporte coletivo

NTU defende ações para garantir sustentabilidade do sistema, já que ônibus responde por mais de 80% das viagens coletivas no País

Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) pede medidas para conter impacto dos combustíveis no transporte coletivo
Movimento diário nos ônibus urbanos reflete a importância do transporte público para milhões de brasileiros (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

 

Em meio à instabilidade nos preços dos combustíveis, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) divulgou, nesta quinta-feira (9), um comunicado em que aponta a necessidade de medidas para garantir a sustentabilidade do transporte público coletivo no País.

A entidade, que representa operadoras de ônibus urbanos, destaca que a Constituição Federal do Brasil classifica o transporte coletivo como um direito social e um serviço essencial. Segundo a NTU, esse sistema é fundamental para o funcionamento das cidades, ao viabilizar o acesso da população a serviços como educação, saúde e trabalho.

Dados apresentados pela associação indicam que o transporte coletivo responde por 39% dos deslocamentos urbanos no Brasil. Dentro desse sistema, o ônibus concentra 81% das viagens. O setor opera com uma frota de cerca de 107 mil veículos, transporta 35,6 milhões de passageiros por dia e percorre aproximadamente 7 bilhões de quilômetros por ano.

A NTU ressalta que o caráter social do serviço exige atenção constante aos custos operacionais, para evitar impactos sobre a população de menor renda, principal usuária do sistema. Um dos principais pontos de pressão é o combustível.

De acordo com a entidade, o diesel representa cerca de 30% dos custos do setor. Apesar de o transporte público responder por apenas 3,9% do consumo nacional do combustível, a dependência do insumo torna o sistema vulnerável a variações de preço.

 

 

A associação reconhece medidas adotadas por governos para conter os efeitos de conflitos internacionais sobre os combustíveis, mas afirma que os resultados ainda não chegaram de forma efetiva ao setor. Segundo dados citados no comunicado, o preço médio do diesel para empresas de ônibus acumula alta de 24,06% desde o início do conflito no Oriente Médio.

Diante desse cenário, a NTU defende a adoção de mecanismos de controle de mercado para evitar distorções de preços. Para a entidade, garantir previsibilidade de custos é fundamental para manter o equilíbrio econômico-financeiro das operações e evitar prejuízos à prestação do serviço.

A preocupação, segundo a associação, é que o aumento dos insumos comprometa a qualidade do transporte público e limite o acesso da população a um direito previsto na Constituição.