- Cultura
- julho 9, 2025
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Parque Nacional em Minas pode se tornar Patrimônio Mundial Natural da Unesco
Localizado no Norte do Estado, Peruaçu abriga um dos mais expressivos conjuntos de cavernas, pinturas rupestres e sítios arqueológicos do País

O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no norte de Minas Gerais, está entre os locais indicados a receber o título de Patrimônio Mundial Natural pela Unesco. A decisão pode ser anunciada durante a 47ª reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, que acontece até dia 16 de julho, em Paris. O reconhecimento internacional pode vir às vésperas de uma data simbólica para o Brasil: os 25 anos da criação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), celebrados em 18 de julho.
Com 56.448 hectares nos municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, o parque abriga um dos mais expressivos conjuntos de cavernas, pinturas rupestres e sítios arqueológicos do País — são 114 já catalogados. O Peruaçu se destaca ainda pela riqueza geológica e pela biodiversidade que combina características da Caatinga, do Cerrado e da Mata Atlântica.
Para a diretora-presidente do Instituto Ekos Brasil, Ana Cristina Moeri, o reconhecimento internacional é resultado de mais de duas décadas de esforços conjuntos entre poder público e sociedade civil para preservar esse território único, que é ao mesmo tempo patrimônio natural e cultural do Brasil. A organização atua na região desde 2003.
A experiência do Peruaçu é exemplo de como parcerias entre governo e organizações da sociedade civil fortalecem a gestão das unidades de conservação. Desde 2016, o Instituto Ekos Brasil mantém um acordo de cooperação com o ICMBio, por meio do Programa Peruaçu. A iniciativa atua em várias frentes: manejo do uso público, fomento à pesquisa, recuperação de nascentes e ações socioambientais na Área de Proteção Ambiental Cavernas do Peruaçu.
Criado em 2000, o SNUC estabeleceu diretrizes para criação e gestão das unidades de conservação no Brasil, divididas entre os grupos de Proteção Integral e Uso Sustentável. Hoje, o País conta com mais de 2.500 unidades, que protegem cerca de 18% do território terrestre e 29% das águas jurisdicionais brasileiras.
“A coincidência entre os 25 anos do SNUC, a possível chancela da Unesco e a realização da COP30 no Brasil convida à reflexão: as áreas protegidas são cruciais para que o País avance em suas metas climáticas e de conservação”, afirma Ana Moeri.
Mais do que conservação ambiental, o trabalho desenvolvido no Peruaçu tem gerado benefícios concretos para as comunidades locais, entre eles povos indígenas e tradicionais. Projetos como o Florescer no Cerrado, que capacita mulheres em negócios sustentáveis, e o Floresta Viva, voltado à restauração de nascentes, fortalecem o desenvolvimento socioeconômico aliado à preservação.
“O título da Unesco pode trazer ainda mais visibilidade, recursos e turismo sustentável para a região. O Peruaçu é a prova de que conservar a natureza e gerar oportunidades andam juntos”, avalia a executiva.
Galeria – Veja outras imagens do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu e região:



