Parque Nacional em Minas pode se tornar Patrimônio Mundial Natural da Unesco

Parque Nacional em Minas pode se tornar Patrimônio Mundial Natural da Unesco

Localizado no Norte do Estado, Peruaçu abriga um dos mais expressivos conjuntos de cavernas, pinturas rupestres e sítios arqueológicos do País 

Parque Nacional Cavernas do Peruaçu
Pinturas rupestres importantes fazem parte do acervo natural das Cavernas do Peruaçu (Foto: Ekos/Divulgação)

 

O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no norte de Minas Gerais, está entre os locais indicados a receber o título de Patrimônio Mundial Natural pela Unesco. A decisão pode ser anunciada durante a 47ª reunião do Comitê do Patrimônio Mundial, que acontece até dia 16 de julho, em Paris. O reconhecimento internacional pode vir às vésperas de uma data simbólica para o Brasil: os 25 anos da criação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), celebrados em 18 de julho.

Com 56.448 hectares nos municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, o parque abriga um dos mais expressivos conjuntos de cavernas, pinturas rupestres e sítios arqueológicos do País — são 114 já catalogados. O Peruaçu se destaca ainda pela riqueza geológica e pela biodiversidade que combina características da Caatinga, do Cerrado e da Mata Atlântica.

Para a diretora-presidente do Instituto Ekos Brasil, Ana Cristina Moeri, o reconhecimento internacional é resultado de mais de duas décadas de esforços conjuntos entre poder público e sociedade civil para preservar esse território único, que é ao mesmo tempo patrimônio natural e cultural do Brasil. A organização atua na região desde 2003.

A experiência do Peruaçu é exemplo de como parcerias entre governo e organizações da sociedade civil fortalecem a gestão das unidades de conservação. Desde 2016, o Instituto Ekos Brasil mantém um acordo de cooperação com o ICMBio, por meio do Programa Peruaçu. A iniciativa atua em várias frentes: manejo do uso público, fomento à pesquisa, recuperação de nascentes e ações socioambientais na Área de Proteção Ambiental Cavernas do Peruaçu.

 

 

Criado em 2000, o SNUC estabeleceu diretrizes para criação e gestão das unidades de conservação no Brasil, divididas entre os grupos de Proteção Integral e Uso Sustentável. Hoje, o País conta com mais de 2.500 unidades, que protegem cerca de 18% do território terrestre e 29% das águas jurisdicionais brasileiras.

“A coincidência entre os 25 anos do SNUC, a possível chancela da Unesco e a realização da COP30 no Brasil convida à reflexão: as áreas protegidas são cruciais para que o País avance em suas metas climáticas e de conservação”, afirma Ana Moeri.

Mais do que conservação ambiental, o trabalho desenvolvido no Peruaçu tem gerado benefícios concretos para as comunidades locais, entre eles povos indígenas e tradicionais. Projetos como o Florescer no Cerrado, que capacita mulheres em negócios sustentáveis, e o Floresta Viva, voltado à restauração de nascentes, fortalecem o desenvolvimento socioeconômico aliado à preservação.

“O título da Unesco pode trazer ainda mais visibilidade, recursos e turismo sustentável para a região. O Peruaçu é a prova de que conservar a natureza e gerar oportunidades andam juntos”, avalia a executiva.

 

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