Primeira recicladora integrada de veículos do Brasil é inaugurada pelo Grupo Sada

Primeira recicladora integrada de veículos do Brasil é inaugurada pelo Grupo Sada

Com investimento de R$ 200 milhões, Igar Reciclagens aposta na logística reversa e na economia circular no setor automotivo

Primeira recicladora integrada de veículos é inaugurada em Igarapé
Mateus Simões Daniela e Vitoro Medioli inauguram oficialmemente a recicladora em Igarapé (Foto: Sada / Divulgação)

 

Cristhopher Marinho (*)

O Grupo Sada inaugurou nesta quarta-feira (25), em Igarapé, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a Igar Reciclagens (Igar), primeira e maior recicladora integrada de veículos do Brasil. Com investimento de R$ 200 milhões, a unidade terá capacidade para processar até 300 mil veículos por ano, transformando resíduos automotivos em matéria-prima reutilizável e estruturando uma nova frente de logística reversa no País.

Fruto de parceria com a ArcelorMittal Brasil, o empreendimento foi desenvolvido ao longo de quase uma década e concluído no ano em que o grupo mineiro celebra 50 anos de atuação.

A cerimônia de inauguração contou com a presença do presidente e da vice-presidente do Grupo SADA, Vittorio e Daniela Medioli; do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões; do diretor de Compras de Metálicos e BioFlorestas da ArcelorMittal, Bernardo Rosenthal; e do vice-presidente da Anfavea e da Stellantis, Márcio de Lima Leite.

A Igar foi projetada para realizar o processamento completo de veículos em fim de vida útil, passando por descontaminação, drenagem de fluidos, desmontagem e trituração da sucata, até a destinação e reutilização dos materiais. No primeiro ano de operação, a expectativa é processar 50 mil veículos.

Instalada estrategicamente em Igarapé, onde também está sediado o maior ponto de distribuição de veículos novos do Brasil, o Centro de Distribuição da Stellantis, esta primeira planta foi concebida para aproveitar a estrutura logística já operada pelo grupo.

A vice-presidente do Grupo Sada, Daniela Medioli, explica que a iniciativa nasce da própria dinâmica da companhia.

 

“Temos uma frota de aproximadamente três mil equipamentos e operamos logística em todo o Brasil. Muitos implementos das cegonhas retornam vazios. Aproveitamos esse potencial para estruturar a logística reversa dos veículos em fim de vida. Igarapé é um ponto estratégico porque concentra um dos maiores fluxos de distribuição de veículos novos do País”, afirma.

 

 

 

Foco no crescimento da taxa de reciclagem no País

Além de ampliar a eficiência logística, o projeto busca enfrentar um desafio estrutural do setor automotivo brasileiro: a destinação adequada de veículos fora de uso.

Atualmente, o Brasil possui cerca de 49 milhões de veículos em circulação, dos quais aproximadamente 10 milhões têm mais de 15 anos de utilização. A taxa de reciclagem no País é estimada em apenas 1,5%.

 

“Temos uma frota envelhecida e convivemos com carcaças abandonadas, que representam riscos ambientais e de segurança. A Igar surge como uma solução estruturada e ambientalmente responsável para esse cenário, aliando rentabilidade à economia circular”, ressalta Daniela Medioli.

 

A iniciativa também pode operar no processamento de sucata metálica para o segmento siderúrgico, ampliando seu alcance além do setor automotivo.

Alinhamento ao Programa Mover

O projeto está alinhado ao Programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), política do governo federal voltada à transição sustentável da indústria automotiva.

Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes, a frota brasileira tem idade média de 10 anos e 11 meses, uma das mais altas do mundo, o que evidencia os desafios para renovação e descarbonização.

De acordo Daniela Medioli, a Igar está preparada para atender às diretrizes do programa.

 

“Estamos preparados para contribuir com a descarbonização da frota, ampliar a reciclabilidade e apoiar a medição da pegada de carbono ao longo da cadeia automotiva. Oferecemos às montadoras e locadoras uma solução completa, que inclui captação, logística, processamento e destinação final em conformidade regulatória”, afirma.

 

Primeira parceria com a ArcelorMittal fortalece economia circular

Para ampliar o reaproveitamento dos materiais, o Sada firmou parceria com a ArcelorMittal Brasil, que será responsável pelo processamento da sucata destinada às operações siderúrgicas.

A sucata reaproveitada poderá ser utilizada tanto na indústria automotiva quanto na construção civil, mantendo as mesmas características do aço original e reforçando a lógica de economia circular.

Segundo o diretor de Compras de Metálicos e BioFlorestas da ArcelorMittal, Bernardo Rosenthal, 54% da produção de aços longos da empresa no Brasil já ocorre por meio da rota sucata.

 

“Temos três pilares nessa parceria. O primeiro é a logística, que é o carro-chefe do Grupo Sada. O transporte da sucata até nossas unidades e o retorno do produto acabado para a região da Grande Belo Horizonte otimiza o fluxo logístico e fortalece a integração da cadeia”, assegurou.

 

(*) Com supervisão do editor Luís Otávio Pires