Alta dos autopropelidos amplia opções e desafios para consumidores

Alta dos autopropelidos amplia opções e desafios para consumidores

Com mais marcas e modelos disponíveis, especialistas recomendam avaliar assistência técnica, bateria, estrutura e conformidade com a legislação antes da compra

Condutor utiliza veículo autopropelido elétrico em avenida urbana durante deslocamento em área central da cidade
Consumidor deve ficar atento, pois os autopropelidos também precisam atender às exigências estabelecidas pelo Contran (Foto: Imagem gerada por IA)

 

A mobilidade elétrica deixou de ser uma tendência para se consolidar como uma das principais alternativas de transporte urbano no Brasil. O crescimento acelerado da produção de veículos autopropelidos elétricos amplia as opções para os consumidores, mas também exige mais atenção na hora da escolha. Afinal, diante de um mercado cada vez mais competitivo, o menor preço nem sempre representa o melhor investimento.

Dados da Abraciclo mostram que os modelos elétricos foram o segundo segmento mais produzido pela indústria de duas rodas em abril deste ano, com 6.768 unidades fabricadas. O desempenho acompanha o aumento da procura por meios de transporte mais econômicos, sustentáveis e adequados aos deslocamentos nas grandes cidades.

Com a chegada de novas marcas e uma variedade maior de equipamentos, especialistas alertam que a decisão de compra deve ir além da autonomia ou do visual do veículo.

Segundo o CEO da StreetGo, David Peterle, o momento exige consumidores mais preparados para avaliar aspectos técnicos e de segurança antes de fechar negócio.

 

“O crescimento do setor amplia as opções disponíveis, mas também aumenta a responsabilidade do consumidor. É fundamental conhecer a qualidade dos componentes, a procedência da bateria, a estrutura do equipamento e o suporte oferecido pela fabricante. Comprar apenas pelo preço pode gerar custos maiores no futuro”, afirma o executivo da empresa de bikes elétricas, com sede na Califórnia (EUA).

 

 

Avaliar antes de comprar

Entre os principais pontos está a conformidade com a legislação brasileira. Os autopropelidos precisam atender às exigências estabelecidas pela Resolução nº 996/2023 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que define limites de potência e velocidade, além da obrigatoriedade de equipamentos como iluminação, campainha e velocímetro.

Outro aspecto importante é a qualidade da bateria. Embora a autonomia seja um dos fatores mais observados pelos consumidores, especialistas recomendam verificar também a origem das células, o tempo de recarga, a vida útil e a possibilidade de substituição no futuro. Baterias certificadas costumam oferecer maior segurança, estabilidade e durabilidade.

O pós-venda também merece atenção. Antes da compra, vale confirmar se a marca possui assistência técnica autorizada, disponibilidade de peças de reposição e canais de atendimento no Brasil. Esses fatores podem fazer diferença na manutenção do equipamento e prolongar sua vida útil.

A qualidade da estrutura também influencia diretamente a experiência do usuário. Freios, suspensão, pneus e resistência do chassi são componentes que impactam a estabilidade, principalmente em vias urbanas marcadas por buracos, lombadas e pavimentos irregulares.

Especialistas também recomendam cautela diante de equipamentos vendidos por valores muito inferiores aos praticados no mercado. Em muitos casos, a economia inicial pode significar o uso de materiais de menor qualidade, motores menos eficientes, baterias sem certificação e sistemas de frenagem mais simples, o que compromete tanto a durabilidade quanto a segurança.

Outro erro comum é escolher o modelo apenas pelo design ou pela autonomia informada pelo fabricante. A recomendação é considerar como o veículo será utilizado no dia a dia.

Quem pretende utilizá-lo diariamente para ir ao trabalho ou à escola, por exemplo, deve priorizar conforto, ergonomia, autonomia e capacidade de carga. Já usuários ocasionais podem optar por modelos mais leves e fáceis de transportar.

Para Peterle, com a expansão acelerada da mobilidade elétrica, o consumidor passa a ter um papel cada vez mais importante no desenvolvimento do setor.

 

“Uma escolha baseada em critérios técnicos, segurança e qualidade tende a reduzir custos de manutenção, aumentar a vida útil do equipamento e proporcionar uma experiência de uso mais confiável”, salienta.