- Entrevista
- setembro 7, 2025
- 7 minutos
Cidadania como projeto de vida
Empresária aborda sobre o passo a passo de quem procura na cidadania um passaporte para o futuro

Foto/Arquivo Pessoal
Cada vez mais brasileiros têm buscado no passado familiar um passaporte para o futuro. Portugal, Espanha e Itália são os países mais procurados por descendentes que desejam obter a cidadania europeia, seja para estudar, trabalhar, morar no exterior ou simplesmente resgatar suas origens.
Para entender melhor esse movimento, o CIDADE CONECTA bateu um papo com a Luana Bastos, fundadora da Travessia Cidadania, empresa especializada no reconhecimento de cidadania europeia.
Antes de falarmos sobre o mercado, queria saber: o que a motivou a fundar a empresa e trabalhar com reconhecimento de cidadania europeia?
Eu sempre digo que a Travessia Cidadania nasceu primeiro na minha vida, e só depois virou empresa. Fiz o meu próprio processo de cidadania italiana, enfrentei desafios, burocracias e inseguranças, mas também vivi a emoção de segurar meu passaporte europeu pela primeira vez. Foi uma transformação enorme, tanto pessoal quanto profissional. Depois disso, percebi que queria ajudar outras pessoas a passarem pela mesma experiência, mas de forma mais leve, organizada e segura. Assim, nasceu a Travessia Cidadania que hoje já soma cinco anos de atuação no mercado.
Hoje existem várias empresas que oferecem esse tipo de serviço. O que torna a sua atuação diferente das demais?
Acredito que o grande diferencial da Travessia Cidadania é o atendimento humano e personalizado. Não tratamos a cidadania como um processo burocrático qualquer, mas como um projeto de vida. Cada família tem sua história, e nós cuidamos dela como se fosse a nossa. Além disso, temos uma equipe altamente especializada e atualizada com as mudanças nas legislações — o que garante segurança jurídica e tranquilidade para o cliente. Além do serviço de assessoria para o reconhecimento da cidadania, oferecemos também o curso online, Jornada do Passaporte Espanhol, no qual ensinamos os descendentes a fazerem a sua própria cidadania. E temos ainda o Guia da Cidadania Espanhola, um ebook com o passo a passo completo, desde a pesquisa até o passaporte.
Quem mais procura o reconhecimento de cidadania? São famílias inteiras? Jovens que querem estudar na Europa? Existe um perfil predominante entre os brasileiros interessados?
Temos atendido públicos muito diversos. Muitos jovens que querem estudar ou trabalhar na Europa, famílias inteiras que sonham em oferecer novas oportunidades aos filhos, e até aposentados que desejam resgatar suas raízes e viver essa experiência fora do Brasil. O que une todos eles é o desejo de liberdade — seja para viajar, morar, investir, ou simplesmente ter a tranquilidade de deixar opções abertas para as próximas gerações.
O processo de cidadania também carrega um lado emocional muito forte. Você poderia compartilhar uma história marcante de algum cliente que resgatou sua cidadania e como isso transformou a vida dele ou da família?
Temos muitas histórias emocionantes, mas uma que me marcou muito foi a de uma senhora de quase 80 anos, a Maria Tereza, que buscou a cidadania para deixar esse legado aos netos. Ela dizia: “Quero que eles tenham as oportunidades que eu não tive.” Quando recebeu o reconhecimento, chorou de emoção e nos disse que, de alguma forma, sentia que tinha “cumprido sua missão”. Foi um momento que mostrou claramente que a cidadania não é só um passaporte, é uma herança afetiva e cultural.
Além do passaporte europeu, quais são os maiores benefícios que os clientes relatam ao conquistar esse direito?
Além da possibilidade de viver, estudar e trabalhar legalmente na Europa, muitos destacam a segurança de poder viajar sem tantas barreiras, a chance de investir no exterior, e, claro, os direitos que se estendem aos filhos e descendentes. Mas eu diria que o maior benefício é simbólico: o reencontro com a própria história, o orgulho de carregar oficialmente o sobrenome e a origem dos antepassados.
Muitos brasileiros se sentem perdidos diante da burocracia. Quais são os erros ou dificuldades mais comuns nesse processo, e como vocês ajudam a evitar esses problemas?
Os erros mais comuns estão na documentação: certidões com erros de grafia, documentos incompletos ou até mesmo a falta de conhecimento sobre prazos e mudanças nas leis. Nós atuamos exatamente para organizar tudo isso: buscamos os documentos necessários, fazemos retificações quando preciso e conduzimos o processo do início ao fim. A ideia é que o cliente não precise se preocupar com a parte burocrática e possa viver apenas o lado bom da conquista.
Por fim, olhando para o futuro: considerando mudanças nas leis e prazos — como a atual Lei da Memória Democrática na Espanha — qual é a sua perspectiva para quem ainda deseja conquistar a cidadania portuguesa, espanhola ou italiana?
Minha visão é que o momento de agir é agora. As legislações podem mudar de uma hora para outra, como já aconteceu diversas vezes. A Lei da Memória Democrática, por exemplo, tem prazo para acabar, dia 21 de outubro de 2025. Portanto, quem já tem direito deve aproveitar essa janela de oportunidade. A legislação italiana teve mudança no início do ano, mas ainda é possível fazer o reconhecimento para todos os descendentes, pois a alteração foi considerada pela Corte Constitucional como inconstitucional. E a lei portuguesa também teve mudanças recentes, mas ainda não afetou os descendentes. Mais do que nunca, a cidadania europeia deixou de ser um sonho distante e virou uma estratégia de futuro — para abrir portas e também para manter viva a conexão com nossas raízes. A procura pela cidadania europeia cresce a cada ano e, mais do que um documento, representa um reencontro com a própria história.