Etanol volta ao centro do debate sobre o futuro da descarbonização

Etanol volta ao centro do debate sobre o futuro da descarbonização

Executivo da Stellantis defende o combustível de origem vegetal como peça-chave da transição energética durante evento com especialistas

João Irineu Medeiros defende o etanol no painel do CNN Talks
João Irineu Medeiros defende o etanol no painel do CNN Talks (Foto: Agência Atacama)

 

Em meio ao avanço dos veículos elétricos como alternativa para reduzir a poluição, o etanol voltou a ser apontado como protagonista na transição energética do setor automotivo. Durante o CNN Talks – Potência Verde, realizado nesta semana em São Paulo, o vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Stellantis para a América do Sul, João Irineu Medeiros, destacou que o combustível de origem vegetal ocupa um papel estratégico na descarbonização global.

O painel “Transição: Etanol, o elo entre inovação e renovação bioenergética brasileira” reforçou a importância de soluções locais e já consolidadas, sobretudo em um país onde o etanol faz parte do cotidiano há décadas. Segundo Medeiros, cerca de 30% da frota nacional utiliza etanol, número expressivo no cenário internacional. “Mesmo com todo o esforço da China, apenas 27% dos carros novos vendidos são eletrificados, e a frota circulante não chega a 10%”, comparou.

 

 

O etanol, introduzido nos anos 1970 para enfrentar a crise do petróleo, agora surge como uma das respostas às mudanças climáticas. Estudos recentes mostram que as emissões de um veículo abastecido com o combustível são equivalentes às de um carro 100% elétrico carregado pela matriz energética brasileira — considerada uma das mais limpas do mundo.

Para o executivo da Stellantis, o caminho da mobilidade sustentável está na complementaridade entre o etanol e a eletrificação. Essa visão já se reflete nos projetos da empresa, que aposta na tecnologia Bio-Hybrid, presente em modelos das marcas Fiat e Peugeot, que combina motor a combustão flex com sistemas eletrificados.

O evento, que antecede a COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém (PA), reuniu especialistas e autoridades para discutir agricultura regenerativa, bioenergia e clima. Nesse contexto, o etanol brasileiro foi defendido como uma solução não apenas para o País, mas como um modelo exportável de inovação sustentável.