- Artigo
- dezembro 12, 2025
- 5 minutos
Avanços importantes, obstáculos limitantes
Mesmo diante de um ambiente econômico desafiador, a indústria mineira demonstra sua força mais uma vez

Flávio Roscoe (*)
O ano de 2025 foi marcado por avanços importantes, mas por obstáculos que continuam limitando o pleno potencial da indústria brasileira. Em Minas Gerais, mesmo diante de um ambiente econômico desafiador, a indústria demonstrou mais uma vez sua força.
O setor acumulou crescimento acima da média nacional desde o pré-pandemia e manteve desempenho positivo ao longo do ano, o que confirma a capacidade de reação do empresariado mineiro mesmo em condições desfavoráveis. Esses resultados refletem o esforço contínuo das empresas e a atuação da Fiemg em defesa de um ambiente de negócios mais competitivo e alinhado às necessidades de quem produz.
Apesar do bom desempenho relativo, 2025 foi um ano difícil para alguns setores. A taxa de juros permaneceu alta por tempo prolongado, encarecendo o crédito e travando investimentos que poderiam ampliar capacidade produtiva e gerar empregos. A indústria de transformação cresceu, mas em ritmo desigual.
A Fiemg atuou firmemente para evitar retrocessos e alertou, ao longo de todo o ano, que juros elevados em excesso prejudicam a competitividade, inibem novos projetos e mantêm o País distante de uma agenda de crescimento sustentável.
No cenário internacional, as tarifas impostas pelos Estados Unidos afetaram diretamente a indústria brasileira e reforçaram a necessidade de um relacionamento comercial mais sólido entre os dois países.
Desde o início dessas medidas, defendemos que o Brasil adotasse uma postura técnica e diplomática, priorizando o diálogo direto e contínuo com o governo americano.
A redução parcial das tarifas foi um passo importante, mas não resolve o problema por completo. É fundamental avançar para uma negociação que restaure a previsibilidade das exportações e garanta condições de concorrência equilibradas. A Fiemg continuará atuando para que essas negociações sejam permanentes e tratadas como prioridade estratégica, pois impactam diretamente setores relevantes da nossa indústria.
Para 2026, o cenário aponta uma combinação de desafios e oportunidades. A redução gradual da Selic deve aliviar pressões sobre o financiamento produtivo, mas os juros ainda permanecerão elevados por algum tempo. O mercado de trabalho segue forte, e o aumento da renda disponível das famílias deve favorecer a demanda por produtos industriais.
Mesmo assim, é preciso ir além. O Brasil só retomará seu potencial de crescimento quando enfrentar entraves históricos que afetam a indústria: burocracia excessiva, instabilidade regulatória, custo elevado do investimento e falta de políticas industriais estáveis e orientadas para inovação e produtividade.
Minas Gerais tem condições de avançar mais rapidamente nesse processo. Nossa indústria é diversificada, possui forte inserção internacional e conta com uma base sólida de inovação, tecnologia e mão de obra qualificada. A Fiemg seguirá trabalhando para reduzir obstáculos, ampliar competitividade e fortalecer a presença da indústria mineira no Brasil e no exterior.
A estimativa de crescimento de 1,5% do PIB industrial de Minas em 2026, acima da projeção nacional, confirma a resiliência do setor, mas reforça a necessidade de um ambiente econômico mais favorável. Sem previsibilidade e sem racionalidade na condução das políticas públicas, o País continuará crescendo abaixo do seu potencial.
A Fiemg continuará atuando com firmeza em 2026, defendendo reformas, incentivando a inovação, ampliando o diálogo com as esferas de governo e garantindo que a voz da indústria seja respeitada. A indústria mineira tem mostrado que sabe produzir, inovar e gerar oportunidades. O que precisamos é de condições adequadas para continuar fazendo isso.
É com essa convicção que seguimos para 2026: confiantes no potencial da indústria e determinados a trabalhar para que ela ocupe o lugar que merece no desenvolvimento do Brasil.
Porque a indústria é, e continuará sendo, a força que impulsiona o crescimento sustentável. E a Fiemg estará, como sempre esteve, na linha de frente dessa construção.
(*) Presidente da Fiemg