- Esporte
- janeiro 4, 2026
- 10 minutos
Brasil emplaca duas atletas no Top 10 do vôlei feminino mundial de 2025
Temporada impecável da mineira Gabi Guimarães, a segunda melhor do mundo, e retorno histórico de Júlia Kudiess após lesão marcam o ano do esporte brasileiro

Duas jogadoras brasileiras entraram no Top 10 das melhores do vôlei do mundo em 2025, segundo ranking da Volleyball World divulgado no final de dezembro. A mineira Gabi Guimarães ficou em segundo lugar na lista, enquanto a brasiliense Júlia Kudiess, que faz parte do time do Minas Tênis Clube, terminou na quinta colocação. A italiana Monica De Gennaro foi considerada a melhor jogadora do mundo no ano.
A capitã da Seleção Brasileira ficou à frente de estrelas como a levantadora italiana Alessia Orro, que fechou o pódio na terceira posição.
Para a central Júlia Kudiess, o reconhecimento tem um sabor especial de superação. Em 2024, a atleta sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado anterior, que a afastou das quadras, e voltou em alto nível para figurar entre as melhores do mundo em 2025.
Nascida em Belo Horizonte, Gabi teve uma temporada classificada como impecável pelos jurados. Pelo Conegliano, da Itália, a brasileira conquistou diversos troféus e prêmios individuais e chegou a ser eleita MVP das finais da Liga Italiana. No Mundial de Clubes, no qual o Brasil foi vice-campeão, ela foi o grande destaque defensivo entre as atacantes, com 40 defesas, ficando atrás apenas das líberos Camila Brait e Natinha.
Adorada pelos fãs, respeitada pelas adversárias e referência para todas as companheiras de equipe, Gabi personifica a ponteira moderna. Passa, defende, ataca e lidera. É chamada de “Miss Everything” — faz tudo.
O ranking com as dez melhores jogadoras de vôlei feminino do ano é o seguinte:
- 1º – Monica De Gennaro (Itália)
- 2º – Gabi Guimarães (Brasil)
- 3º – Alessia Orro (Itália)
- 4º – Melissa Vargas (Turquia)
- 5º – Júlia Kudiess (Brasil)
- 6º – Ekaterina Antropova (Itália)
- 7º – Mayu Ishikawa (Japão)
- 8º – Paola Egonu (Itália)
- 9º – Anna Danesi (Itália)
- 10º – Myriam Sylla (Itália)
De BH para o mundo
Gabriela Braga Guimarães, a Gabi, nasceu em Belo Horizonte, em 19 de maio de 1994, e construiu uma das carreiras mais sólidas e respeitadas do vôlei mundial na posição de ponteira. Referência técnica, tática e de liderança, ela se tornou símbolo de regularidade, inteligência em quadra e competitividade em alto nível.
Bimedalhista olímpica, Gabi conquistou a prata nos Jogos de Tóquio 2020 e o bronze em Paris 2024, além de acumular uma trajetória vitoriosa em competições internacionais. Pela Seleção Brasileira, soma quatro medalhas de prata na Liga das Nações (2019, 2021, 2022 e 2025) e três pódios em Campeonatos Mundiais, com prata em 2022 (Países Baixos/Polônia) e bronzes em 2014 (Itália) e 2025 (Tailândia). Também reúne títulos sul-americanos, pódios de Grand Prix e vice-campeonato da Copa dos Campeões.
Gabi defende a Seleção Brasileira desde as categorias de base. Ainda adolescente foi campeã sul-americana infantojuvenil em 2010, no Peru, e integrou seleções juvenis em competições mundiais e continentais, sempre com destaque individual. Em 2013, conquistou o bronze no Campeonato Mundial Juvenil, na República Tcheca, sendo eleita a melhor ponteira da competição.
A relação com o vôlei começou de forma tardia. Antes dos 14 anos, Gabi praticou natação, tênis e futebol. Entrou no vôlei quase por acaso, ao se juntar ao time do colégio para acompanhar amigas. Considerada baixa para os padrões da posição, chegou a ser recusada em testes iniciais, mas encontrou no Mackenzie Esporte Clube a oportunidade que mudaria sua história. Ali, rapidamente se destacou e ganhou projeção nacional.
O talento chamou a atenção do técnico Bernardo Rezende (Bernardinho), que a levou para o Unilever/Rio, onde Gabi viveu uma fase vitoriosa. Pelo clube carioca, conquistou títulos da Superliga, do Campeonato Carioca, do Sul-Americano de Clubes e uma medalha de prata no Mundial de Clubes, e se consolidou como uma das principais jogadoras do País.
Em 2018, retornou a Belo Horizonte para defender o Minas Tênis Clube, em uma escolha marcada pela identificação com o projeto e pela proximidade com a família. No clube mineiro, se tornou campeã estadual, venceu a Copa Brasil, o Sul-Americano de Clubes e a Superliga, além de ser eleita a melhor ponteira em competições continentais e internacionais. No Mundial de Clubes de 2018, foi decisiva na campanha que terminou com a medalha de prata.
O desempenho consistente abriu as portas do vôlei europeu. Em 2019, Gabi se transferiu para o VakifBank Istanbul, da Turquia, um dos maiores clubes do mundo, onde atuou até 2024. Lá, colecionou títulos nacionais, internacionais e prêmios individuais, além de se firmar como uma das ponteiras mais completas da atualidade.
Pela Seleção Brasileira adulta, além dos pódios olímpicos, Gabi viveu um momento marcante em 2022, quando assumiu a capitania da equipe, após a saída de Natália. No mesmo ano, liderou o Brasil à medalha de prata no Campeonato Mundial.
Na Olimpíada de Paris 2024, disputada em sua terceira participação olímpica, a ponteira foi novamente protagonista. Apesar da frustração na semifinal, ajudou o Brasil a conquistar o bronze, sendo eleita uma das melhores ponteiras do torneio, reforçando seu status de líder técnica e emocional da equipe.
Cria do vôlei do Minas Tênis Clube

A outra jogadora que figura no Top 10 do vôlei mundial é Júlia Gambatto Kudiess, nascida em Brasília, em 2 de janeiro de 2003. Ela é uma das principais centrais do voleibol brasileiro da nova geração. Vice-campeã mundial e destaque recorrente em competições internacionais, a atleta também defende a Seleção Brasileira de Voleibol Feminino.
Filha de Jerusa Gambatto e Heinz Kudiess, produtor de grãos com atuação nas regiões Sul e Centro-Oeste do País, Júlia cresceu em um ambiente familiar ligado ao esporte. Ao lado da irmã Laura, iniciou-se no vôlei ainda na escola, em Brasília (DF). O irmão Bernardo também chegou a praticar a modalidade. Laura e Bernardo, no entanto, optaram por encerrar precocemente a carreira esportiva para se dedicar aos estudos, enquanto Júlia seguiu firme no alto rendimento.
Revelada pelo Minas Tênis Clube, Júlia integra o projeto do clube desde as categorias de base. Ainda muito jovem, passou a disputar competições profissionais a partir de 2018 e se tornou rapidamente uma das centrais mais promissoras do Brasil. Com a camisa do Minas, acumulou títulos nacionais e continentais, além de protagonismo em finais decisivas.
Convocada para a Seleção Brasileira desde as categorias de base, Júlia fez sua estreia em grandes competições pela equipe adulta na Liga das Nações de 2022. O primeiro jogo ocorreu contra a China, e a campanha terminou com a medalha de prata, após a final contra a Itália, disputada em Ancara, na Turquia.
Ainda em 2022, a central viveu outro momento marcante ao conquistar o vice-campeonato mundial, na decisão disputada em Apeldoorn, na Holanda, diante da Sérvia. As atuações consistentes reforçaram seu status de titular e referência defensiva da equipe.
Em 19 de maio de 2024, Júlia sofreu uma torção no joelho direito durante partida do Brasil contra os Estados Unidos, pela Liga das Nações. A lesão exigiu cirurgia e a afastou das quadras por vários meses, o que a impediu de participar dos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Mesmo fora das competições, ela integrou a delegação brasileira na capital francesa, a convite da Confederação Brasileira de Voleibol.
A volta às quadras aconteceu em janeiro de 2025, pelo Minas Tênis Clube, e foi marcada por rápida recuperação de ritmo e desempenho. Pouco depois, Júlia retornou à Seleção Brasileira para a Liga das Nações 2025, ao conquistar mais uma medalha de prata, desta vez na final contra a Itália, em Łódź, na Polônia. Na campanha, foi eleita a melhor central da competição e entrou para a história ao registrar 63 bloqueios, recorde absoluto da VNL.
No Campeonato Mundial de 2025, disputado na Tailândia, Júlia voltou a brilhar e ajudou o Brasil a conquistar a medalha de bronze. Individualmente, terminou o torneio como a melhor bloqueadora, com 31 pontos no fundamento.