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- fevereiro 17, 2026
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Santa Tereza vira palco do cortejo de 13 anos do Maria Baderna no Carnaval de BH
Bloco ocupa as ruas da capital nesta terça-feira e reafirma a festa como território de arte e posicionamento cultural

Encerrando o quarto dia de celebração do Carnaval, o Bloco Maria Baderna realiza seu tradicional desfile nesta terça-feira, 17 de fevereiro, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte. Em seu 13º aniversário, o cortejo ocupa as ruas a partir das 12h, reafirmando a festa popular como território de encontro, arte e diálogo direto com o público.
Fundado em 2013 por Camila Polatscheck e Hugo Honorato, o bloco construiu ao longo de mais de uma década uma trajetória marcada pela ocupação do espaço urbano e pela defesa do Carnaval como direito cultural. A presença em Belo Horizonte se tornou parte essencial dessa identidade.
“Como todo artista quer ir aonde o povo está, desde o primeiro ano realizamos nosso cortejo também em BH. Na terça descemos para o Santa Tereza, que sempre é surpreendente e arrebatador. Nossa força em resistir é renovada nesse momento”, afirma Camila.
Reconhecido por sua forte tradição cultural e por abrigar alguns dos principais cortejos da capital, o Santa Tereza se consolidou como território simbólico para o Maria Baderna. A escolha reforça o caráter popular do bloco e sua aposta na proximidade com os foliões, um desfile que privilegia o contato direto, o chão, o asfalto e a participação espontânea de quem ocupa as ruas.
Inspirado na bailarina italiana Marietta Maria Baderna, figura do século XIX que ousou misturar o balé clássico às danças populares afro-brasileiras, o bloco carrega em sua essência a fusão de linguagens e ritmos. Nas alegorias e na musicalidade, rock, samba, reggae e marchinhas se cruzam em um repertório plural e performático.
Mais do que festa, o Maria Baderna mantém um posicionamento atento às pautas contemporâneas e às disputas simbólicas presentes na cidade. As questões ecoam no cortejo e constroem um diálogo direto com o território.
“A gente sempre dá voz às pautas atuais, além das que já defendemos desde sempre”, explica Camila.
O desfile deste ano simboliza a continuidade de um projeto coletivo sustentado pela persistência e pela autonomia, sem patrocínios ou parcerias pagas.
“Representa a continuidade, a resistência, a novidade nos aprendizados percussivos, o crescimento da organização e a construção de planejamento para este e os próximos anos”, destaca.
Mesmo diante dos desafios logísticos e financeiros de um Carnaval independente, o bloco mantém dois cortejos anuais, em Belo Horizonte e Contagem, fortalecendo sua atuação cultural para além da folia.