Santa Tereza vira palco do cortejo de 13 anos do Maria Baderna no Carnaval de BH

Santa Tereza vira palco do cortejo de 13 anos do Maria Baderna no Carnaval de BH

Bloco ocupa as ruas da capital nesta terça-feira e reafirma a festa como território de arte e posicionamento cultural 

Cortejo de Carnaval em Santa Tereza, BH, com público e fumaça colorida durante desfile do Maria Baderna
Foliões tomam as ruas de Santa Tereza durante cortejo do Maria Baderna no Carnaval de Belo Horizonte, com fumaça colorida e trio elétrico (Foto: Simon Quintanilha / Divulgação)

 

Encerrando o quarto dia de celebração do Carnaval, o Bloco Maria Baderna realiza seu tradicional desfile nesta terça-feira, 17 de fevereiro, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte. Em seu 13º aniversário, o cortejo ocupa as ruas a partir das 12h, reafirmando a festa popular como território de encontro, arte e diálogo direto com o público.

Fundado em 2013 por Camila Polatscheck e Hugo Honorato, o bloco construiu ao longo de mais de uma década uma trajetória marcada pela ocupação do espaço urbano e pela defesa do Carnaval como direito cultural. A presença em Belo Horizonte se tornou parte essencial dessa identidade.

 

“Como todo artista quer ir aonde o povo está, desde o primeiro ano realizamos nosso cortejo também em BH. Na terça descemos para o Santa Tereza, que sempre é surpreendente e arrebatador. Nossa força em resistir é renovada nesse momento”, afirma Camila.

 

Reconhecido por sua forte tradição cultural e por abrigar alguns dos principais cortejos da capital, o Santa Tereza se consolidou como território simbólico para o Maria Baderna. A escolha reforça o caráter popular do bloco e sua aposta na proximidade com os foliões, um desfile que privilegia o contato direto, o chão, o asfalto e a participação espontânea de quem ocupa as ruas.

Inspirado na bailarina italiana Marietta Maria Baderna, figura do século XIX que ousou misturar o balé clássico às danças populares afro-brasileiras, o bloco carrega em sua essência a fusão de linguagens e ritmos. Nas alegorias e na musicalidade, rock, samba, reggae e marchinhas se cruzam em um repertório plural e performático.

 

 

Mais do que festa, o Maria Baderna mantém um posicionamento atento às pautas contemporâneas e às disputas simbólicas presentes na cidade. As questões ecoam no cortejo e constroem um diálogo direto com o território.

 

“A gente sempre dá voz às pautas atuais, além das que já defendemos desde sempre”, explica Camila.

 

O desfile deste ano simboliza a continuidade de um projeto coletivo sustentado pela persistência e pela autonomia, sem patrocínios ou parcerias pagas.

 

“Representa a continuidade, a resistência, a novidade nos aprendizados percussivos, o crescimento da organização e a construção de planejamento para este e os próximos anos”, destaca.

 

Mesmo diante dos desafios logísticos e financeiros de um Carnaval independente, o bloco mantém dois cortejos anuais, em Belo Horizonte e Contagem, fortalecendo sua atuação cultural para além da folia.