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  • agosto 19, 2026
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Cooperar para crescer: municípios e loteadoras podem construir juntos

Cooperar para crescer: municípios e loteadoras podem construir juntos

Cada vez mais, cidades médias concentram novos moradores, empresas e investimentos

Cooperar para crescer: municípios e loteadoras podem construir juntos: artigo de Gustavo Amorim
Gustavo Amorim: cidades entre 100 mil e 500 mil habitantes se consolidam como polos regionais de desenvolvimento (Foto: Thais Sheliden)

 

Gustavo Amorim (*)

O Brasil continua se urbanizando. Segundo o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 87,4% da população brasileira vive em áreas urbanas. Esse crescimento, porém, não ocorre apenas nas grandes capitais. Cada vez mais, são as cidades médias (entre 100 mil e 500 mil habitantes) que concentram novos moradores, empresas e investimentos, consolidando-se como polos regionais de desenvolvimento econômico e geração de oportunidades.

Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostram que essas cidades desempenham um papel estratégico na desconcentração da atividade econômica, fortalecendo a integração regional e criando novas oportunidades de emprego e renda. Ao mesmo tempo, esse avanço impõe um desafio: como expandir a infraestrutura urbana com rapidez, qualidade e sustentabilidade para atender uma população crescente?

É nesse ponto que a cooperação entre o poder público e a iniciativa privada se torna necessária. O crescimento das cidades dificilmente acompanha o ritmo da capacidade de investimento dos municípios.

Por isso, modelos de desenvolvimento urbano que distribuem responsabilidades e alinham interesses têm se mostrado uma boa alternativa para preparar novos bairros antes mesmo da chegada dos moradores.

 

O loteamento planejado é um exemplo dessa lógica. Muito antes da construção das casas, o loteador implanta a infraestrutura essencial, como redes de abastecimento de água, coleta de esgoto, drenagem, energia elétrica, pavimentação e sistema viário.

 

É um investimento antecipado que entrega ao município áreas prontas para receber novos empreendimentos e serviços públicos, reduzindo os custos associados à ocupação desordenada do território.

Isso não substitui o papel do poder público. Pelo contrário. Cabe ao município definir as diretrizes de desenvolvimento urbano, estabelecer regras para a ocupação do solo, aprovar os projetos e garantir que a expansão da cidade esteja alinhada ao planejamento de longo prazo.

Ao loteador compete executar a infraestrutura inicial dentro desses parâmetros, preparando o território para um crescimento organizado. Quando essa articulação funciona, toda a cidade ganha.

Os benefícios para o município são muitos. Primeiro, há a ampliação da sua base de arrecadação com a construção de novos bairros. Os loteamentos também atraem investimentos privados de comércio e serviços, estimulando a geração de empregos e renda.

Diversas cidades brasileiras ilustram essa dinâmica. Em municípios como Uberlândia (MG), Maringá (PR) e Sinop (MT), a expansão urbana ocorreu por meio de loteamentos planejados articulados com a cidade construída, permitindo o surgimento de novas centralidades e atividades econômicas.

Ou seja, enxergar o loteamento apenas como um empreendimento imobiliário é ignorar seu potencial de contribuição para a estruturação das cidades. Quando integrado ao planejamento municipal, ele se torna uma verdadeira ferramenta de política urbana.

 

(*) Economista, empresário e presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano de Minas Gerais (Aelo -MG).