- Bem-estar
- agosto 26, 2026
- 6 minutos
Tecnologia conecta especialistas de três estados durante cirurgia robótica em Minas
Rede Mater Dei realiza procedimento pediátrico com modelo de decisão clínica compartilhada em tempo real

Da Redação
A Rede Mater Dei de Saúde realizou, pela primeira vez em Minas Gerais, uma cirurgia robótica com participação simultânea de especialistas de diferentes estados nas decisões clínicas do procedimento. Por meio da tecnologia de um sistema de telepresença integrado à plataforma robótica, médicos de Curitiba e do Rio de Janeiro acompanharam a operação em tempo real e atuaram junto à equipe responsável pela intervenção realizada em Belo Horizonte.
O formato rompe a lógica tradicional da segunda opinião médica, que costuma ocorrer antes ou depois do procedimento. Neste formato, especialistas participam do procedimento enquanto ele acontece, contribuindo para a tomada de decisões clínicas em tempo real.
O procedimento foi realizado em uma criança de nove anos diagnosticada com miastenia gravis, doença autoimune que provoca fraqueza muscular progressiva. A cirurgia consistiu na retirada do timo, glândula localizada na região anterior do tórax e que desempenha papel importante no desenvolvimento do sistema imunológico durante a infância. Além do tratamento da miastenia gravis, a técnica também pode ser indicada para pacientes com tumores do timo.
A operação reuniu profissionais presenciais e remotos atuando como uma única equipe. Participaram presencialmente os médicos Daniel Bonomi, Marco Antônio Gomes e Andrey Pimenta, da Rede Mater Dei. Já os especialistas Paulo Boscardim, de Curitiba, e Márcio Oliveira Lucas, do Rio de Janeiro, acompanharam o procedimento e participaram das decisões clínicas por meio da tecnologia de telepresença.
O procedimento utilizou a plataforma robótica Da Vinci, que permite ao cirurgião controlar instrumentos articulados de alta precisão a partir de um console. Diferentemente da cirurgia aberta, a técnica utiliza pequenas incisões e oferece visão tridimensional da região operada.
Segundo o cirurgião torácico Daniel Bonomi, a combinação entre robótica e telepresença amplia a segurança em procedimentos complexos, especialmente em pacientes pediátricos.
“A cirurgia robótica já representa um avanço importante por proporcionar menor trauma cirúrgico e recuperação mais rápida. Em crianças, esses benefícios ganham ainda mais relevância porque trabalhamos em um espaço muito reduzido, o que exige extrema delicadeza dos movimentos. Unindo a robótica e a telepresença, temos mais segurança para realizar procedimentos complexos com alta qualidade assistencial”, explica.
Vídeo – veja mais sobre a tecnologia da primeira cirurgia robótica por telepresença da Rede Mater Dei:
Colaboração especializada em tempo real
Para o cirurgião torácico Paulo Boscardim, a integração entre telepresença e cirurgia robótica tende a ampliar a colaboração entre equipes médicas.
“Cirurgiões e profissionais em formação, encaram essa tecnologia como acesso de amplia o ensino e à observar técnicas e decisões intraoperatórias. Para os especialistas, ela favorece a discussão de casos complexos, o planejamento conjunto e a troca de soluções técnicas. Integrada à cirurgia robótica, ela fortalece a colaboração entre centros médicos, aproxima o conhecimento e transforma a distância em oportunidade de aprendizado contínuo”, afirma.
No caso do paciente, a indicação cirúrgica ocorreu após avaliação da especialista responsável pelo acompanhamento da doença. Em busca de uma abordagem menos invasiva, a família optou pela cirurgia robótica.
“Evitar uma cirurgia aberta em uma criança tão pequena nos trouxe mais tranquilidade. Tivemos o receio natural de qualquer cirurgia, mas confiamos plenamente na equipe e na tecnologia utilizada”, relata a mãe do paciente, Priscilla Avelar.
O caso reforça uma tendência de integração entre cirurgia robótica e telepresença em procedimentos de alta complexidade. A expectativa é que modelos de decisão clínica compartilhada ampliem o acesso ao conhecimento especializado e fortaleçam a colaboração entre equipes médicas, independentemente da localização geográfica dos profissionais envolvidos.