- Economia & Negócios
- setembro 10, 2026
- 5 minutos
Minério “verde” começa a valer mais
Itaminas afirma que combinação de produtividade, qualidade e gestão de riscos é caminho para uma mineração mais competitiva

Da Redação
Na mineração, reduzir emissões de carbono já não significa apenas atender a uma agenda ambiental. Para a Itaminas, empresa com operações em Sarzedo, na Grande Belo Horizonte, a transição para uma produção de menor impacto também pode abrir espaço para ganhos de competitividade. A estratégia passa pelo aumento da produção e, principalmente, pela oferta de um minério de ferro com maior teor e menos impurezas.
O tema foi discutido pelo CEO da companhia, Thiago Toscano, durante a Exposibram 2026, no Expominas, em Belo Horizonte, em entrevista à Rádio 98 News. Segundo o executivo, a Itaminas produziu 7,9 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, contra 6,2 milhões de toneladas no ano anterior. Para 2026, a expectativa é ultrapassar a marca de 9 milhões de toneladas.
O crescimento ocorre em um cenário de forte exposição a fatores externos, como cotação do dólar, preço internacional do minério e custo do frete. Para reduzir os efeitos dessas oscilações, a empresa trabalha em duas frentes: elevar a produtividade e melhorar a qualidade do produto.
“Na mineração, tudo que você produz você vende. Então, a sua receita é muito determinada pelo volume de produção”, afirmou Toscano.
A segunda frente ganha importância diante das metas de descarbonização da indústria siderúrgica. Minérios com maior concentração de ferro e menor presença de impurezas podem contribuir para reduzir as emissões na fabricação do aço. E essa característica já começa a ter reflexo no mercado.
Vídeo – veja mais sobre os projetos de minério da Itaminas:
De acordo com o CEO, produtos de maior qualidade podem receber prêmios de 10% a 12% sobre o preço de referência, chegando, em determinadas situações, a 15%.
“Esse minério, mais rico, com maior teor de ferro, menos impurezas, que emite menos carbono, também já é precificado”, disse.
Na avaliação do executivo, essa valorização ajuda a criar uma fonte de financiamento para a própria transformação do setor. O desafio, porém, está em distribuir os custos da transição para uma economia de menor carbono.
“Todo mundo quer um mundo mais verde, mas ninguém quer mais mineração e ninguém quer pagar a conta”, afirmou Toscano.
Ele citou a indústria automobilística como exemplo: para ampliar o uso de aço produzido com menor emissão, será necessário avaliar se o consumidor aceitará pagar mais por produtos associados a uma cadeia produtiva de menor impacto ambiental.
A Itaminas também utiliza instrumentos financeiros para administrar riscos relacionados às variáveis que não controla. Operações com derivativos são usadas para proteção de preços e câmbio e para dar maior previsibilidade às receitas.
“O preço do minério no mercado é definido pelo dólar, pelo preço do minério no mercado internacional e pelo frete. São variáveis que você não controla”, explicou.