- Artigo
- setembro 24, 2026
- 4 minutos
Crédito ainda é um dos principais desafios para quem quer comprar um lote
Ampliar as alternativas de financiamento interessa a toda a cadeia de loteamentos

Gustavo Amorim (*)
A compra de um lote tem ganhado espaço entre famílias que planejam construir a própria casa e investidores que buscam uma alternativa para preservar e ampliar seu patrimônio. Em Minas Gerais, os números mais recentes mostram que essa demanda segue aquecida. No primeiro trimestre de 2026, foram vendidas 2.958 unidades, alta de 40,9% em relação ao mesmo período de 2025. O avanço ocorreu mesmo com queda de 15,2% no volume de lançamentos. Essa é uma ótima oportunidade para o desenvolvimento do mercado de loteamentos. Mas, ao mesmo tempo, nos coloca diante dos seus desafios, em especial o acesso ao crédito. Isso porque a dinâmica de financiamento para a compra de um lote é diferente daquela para a aquisição de uma casa ou apartamento.
No crédito imobiliário tradicional, o consumidor conta com linhas bancárias estruturadas especificamente para a aquisição de imóveis e, em algumas modalidades, pode financiar também a compra do terreno associado à construção. A Caixa, por exemplo, oferece modalidades para lote urbanizado e para aquisição de terreno e construção; outros bancos, privados, também têm produtos específicos para determinados perfis e valores.
Porém, a oferta bancária para lotes ainda é muito mais restrita (e também menos divulgada) do que o financiamento de imóveis prontos ou em construção. Essa diferença reduz as alternativas para boa uma parcela dos compradores, que acabam recorrendo ao financiamento direto com a loteadora, ou ao consórcio imobiliário, ou a outras modalidades de crédito.
No financiamento direto com a loteadora, o prazo de pagamento pode chegar a até 240 meses no mercado mineiro. É uma alternativa com menos burocracia do que uma operação bancária convencional. Em contrapartida, o consumidor precisa avaliar com atenção o custo total da operação, o índice de correção e as condições previstas no contrato. Há contratos, por exemplo, que combinam juros fixos com correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e isso pode tanto encarecer quanto baratear a parcela. O ponto é: juros fixos não significam parcela fixa.
Cada modalidade de crédito vai exigir um estudo cuidadoso por parte do consumidor, considerando o valor da entrada, o comprometimento mensal da renda, o prazo, o sistema de amortização, os encargos (valores adicionais envolvidos na operação) e os índices de correção. A prestação inicial, isoladamente, não representa o custo real de uma operação de longo prazo.
Ampliar as alternativas de financiamento interessa a toda a cadeia de loteamentos. Para o consumidor, significa mais possibilidades de planejamento. Para as loteadoras, amplia o mercado potencial e favorece a velocidade de comercialização dos empreendimentos. Para as cidades, contribui para viabilizar novos projetos urbanísticos e ampliar as possibilidades de acesso à moradia. O momento do mercado mostra que existe demanda, portanto deixo aqui minha sugestão para os bancos de fazer novos grandes negócios.
*Gustavo Amorim é presidente da Associação das Empresas de Loteamento de Minas Gerais (Aelo-MG).