Dia do Idoso: 62% dos mais velhos não guardam dinheiro

Dia do Idoso: 62% dos mais velhos não guardam dinheiro

Pesquisa da Anbima mostra que 62% dos brasileiros mais velhos não guardam dinheiro e 65% não conhecem ou utilizam produtos de investimento 

Dia do Idoso Planejamento Financeiro Foto Magnific
O Dia do Idoso, celebrado em 1º de outubro, chama atenção para um desafio que vai além da saúde e da qualidade de vida: a preparação financeira para uma vida mais longa (Foto: Magnific)

 

Da Redação

O Dia do Idoso, celebrado em 1º de outubro, chama atenção para um desafio que vai além da saúde e da qualidade de vida: a preparação financeira para uma vida mais longa. Dados do Raio X do Investidor Brasileiro, pesquisa da Anbima em parceria com o Datafolha, mostram que 62% dos brasileiros mais velhos afirmam não guardar dinheiro de forma alguma. 

O levantamento também aponta que 65% dos chamados Boomers, pessoas nascidas entre 1946 e 1964, não utilizam ou não conhecem nenhum produto de investimento. Os números evidenciam a importância de ampliar a educação financeira também entre pessoas que já estão próximas ou vivendo a aposentadoria. 

Para Cecília Perini, sócia e líder da XP em Minas Gerais, o cenário reforça a necessidade de olhar para o planejamento financeiro em todas as fases da vida.

 

“Os dados mostram que existe uma parcela importante da população mais velha que ainda não teve contato com produtos de investimento ou não conseguiu desenvolver o hábito de guardar dinheiro. Isso reforça a importância de falar sobre educação financeira também nessa etapa da vida”, afirma. 

 

Segundo a especialista, o planejamento não precisa começar com grandes valores. “O primeiro passo é organizar o orçamento, entender as despesas e identificar quanto é possível direcionar para uma reserva ou investimento. Mesmo para quem já está aposentado, ainda existem decisões financeiras importantes que podem contribuir para uma maior organização e segurança ao longo dos anos”, explica. 

Outro ponto destacado por Cecília é a importância de considerar a aposentadoria dentro de um planejamento mais amplo. “A longevidade exige que as pessoas pensem não apenas em quanto têm acumulado, mas em como esse patrimônio será utilizado ao longo do tempo. É preciso considerar renda, gastos, saúde, imprevistos e a possibilidade de viver muitos anos após a aposentadoria”, afirma. 

Entre as alternativas de planejamento de longo prazo estão produtos de previdência privada, como PGBL e VGBL, que podem funcionar como complementos à previdência pública. A escolha depende de fatores como renda, objetivos financeiros, perfil do investidor e estratégia sucessória. 

Para Cecília, o Dia do Idoso também pode ser uma oportunidade para estimular conversas sobre dinheiro dentro das famílias.

 

“O planejamento financeiro não precisa ser uma decisão individual. Conversar sobre aposentadoria, patrimônio, gastos e sucessão pode ajudar a família a tomar decisões mais organizadas e evitar que situações inesperadas comprometam o patrimônio construído ao longo da vida”, destaca. 

 

Com o aumento da longevidade, o planejamento financeiro ganha importância como parte da preparação para uma vida mais longa. Para quem já chegou à terceira idade, organizar o patrimônio e avaliar as fontes de renda disponíveis pode contribuir para decisões mais conscientes e para um planejamento compatível com as necessidades de cada fase da vida. 

Dicas da especialista

  1. Começar pelo básico e o quanto antes: Independentemente da idade, o primeiro passo é simples: organizar o orçamento, fazer o planejamento financeiro e começar a investir.
  2. Construir uma reserva de emergência: A reserva de emergência é o alicerce da vida financeira. Ela evita que imprevistos virem dívidas e permite que o investidor pense no longo prazo com mais tranquilidade.
  3. Disciplina e foco no longo prazo: Investir não é sobre ganhar rápido, é sobre construir patrimônio, e isso demanda consistência ao longo do tempo. Produtos como renda fixa, fundos e previdência ajudam a dar previsibilidade e consistência ao planejamento.
  4. Pensar no longo prazo desde cedo: O tempo é o maior aliado do investidor. Quem começa antes, mesmo com pouco, se beneficia dos juros compostos e chega mais preparado no futuro.
  5. Diversificar para reduzir riscos: A diversificação protege o patrimônio. Os jovens já avançam nesse ponto, mas é importante que todas as gerações entendam que não se deve concentrar recursos em um único tipo de investimento.
  6. Incluir a aposentadoria no planejamento: Adiar o planejamento da aposentadoria é um dos maiores erros. Não dá para depender exclusivamente da previdência pública, é preciso construir uma estratégia complementar.