Moda mineira perde ritmo em 2026, mas mantém protagonismo na economia do estado

Moda mineira perde ritmo em 2026, mas mantém protagonismo na economia do estado

Estudo da Fecomércio MG mostra desafios da competitividade do setor, enquanto a cadeia produtiva segue como importante geradora de empregos em Minas

Clientes observam peças de vestuário em loja de moda, setor que mantém forte presença econômica e geração de empregos em Minas Gerais
Apesar da desaceleração registrada em 2026, setor da moda segue como uma das principais geradoras de empregos e negócios em Minas Gerais (Foto: Gerada por IA)

 

Da Redação

O setor da moda em Minas Gerais, uma das mais relevantes para a economia do Estado, entrou em trajetória de retração ao longo de 2026 após registrar desempenho superior ao nacional nos dois anos anteriores. A análise é do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG, com base em dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE) de julho de 2026. 

Segundo o levantamento, a atividade de tecidos, vestuário e calçados saiu de uma estabilidade de 0,1% em janeiro para uma queda acumulada de -5,1% em julho, o pior resultado da série analisada. No mesmo período, o comércio varejista mineiro ainda apresentava crescimento de 0,8%. 

O cenário representa uma mudança em relação ao desempenho observado em 2024 e 2025. Após iniciar 2024 com retração de 12,7%, o segmento encerrou aquele ano com crescimento de 4,2%, acima dos 2,9% registrados nacionalmente. Em 2025, a atividade manteve resultados superiores aos do País durante grande parte do período, mas perdeu força a partir do fim do ano passado.

Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, a oscilação está diretamente ligada à relevância que a cadeia da moda possui na economia mineira. 

 

“A moda tem uma presença econômica mais expressiva em Minas Gerais do que no Brasil. Isso faz com que o estado consiga capturar de maneira mais intensa os efeitos de um ambiente favorável, mas também fique mais exposto quando o consumo perde força ou a concorrência aumenta”, avalia.

 

Peso econômico 

A moda responde por cerca de 5,2% dos estabelecimentos mineiros, participação superior à média nacional. No comércio, o segmento representa aproximadamente 15% das atividades do Estado, enquanto a média brasileira é de 13,6%.

Essa representatividade ajuda a explicar os reflexos que o setor produz em diferentes áreas da economia. Quando o consumo cresce, os benefícios alcançam não apenas o varejo, mas também fornecedores, indústrias, distribuidores e prestadores de serviço. O movimento contrário, segundo a economista, afeta toda a cadeia produtiva.

 

“Estamos falando de uma cadeia bastante integrada. Por isso, o desempenho do varejo não pode ser analisado de forma isolada. Quando a atividade perde ritmo, o impacto pode chegar rapidamente a outros negócios e aos municípios que têm na moda uma importante base econômica”, afirma Fernanda.

 

 

Presença em todo o estado

A força do setor também aparece na distribuição territorial da atividade. Minas Gerais reúne 18 Arranjos Produtivos Locais (APLs) ligados à moda, presentes em 87 municípios. Juntos, esses polos concentram cerca de 67 mil empresas formais e aproximadamente 80 mil empregos diretos. 

Entre os principais destaques estão o polo de vestuário da Região Metropolitana de Belo Horizonte e o polo calçadista de Nova Serrana, referência nacional na produção de calçados. 

Nesses territórios, a atividade de moda ultrapassa a função comercial e se integra à geração de renda, ocupação e arrecadação local.

Outro fator apontado pelo estudo é o aumento da concorrência internacional. A presença de produtos asiáticos é especialmente relevante nos segmentos de tecidos, vestuário, acessórios e calçados. China, Vietnã e Indonésia figuram entre os principais concorrentes da indústria nacional.

 

“Competitividade, qualificação profissional, acesso ao crédito e ambiente de negócios precisam ser considerados de maneira integrada. Em uma cadeia tão distribuída pelo território mineiro, fortalecer a moda significa também fortalecer a economia dos municípios onde essa atividade está concentrada”, destaca Fernanda.

 

Para a Fecomércio MG, o cenário reforça a necessidade de acompanhar a evolução do setor e desenvolver estratégias voltadas à competitividade da cadeia produtiva, que segue entre as mais importantes para a geração de renda e empregos em Minas Gerais.