- Economia & Negócios
- outubro 7, 2026
- 6 minutos
Moda mineira perde ritmo em 2026, mas mantém protagonismo na economia do estado
Estudo da Fecomércio MG mostra desafios da competitividade do setor, enquanto a cadeia produtiva segue como importante geradora de empregos em Minas

Da Redação
O setor da moda em Minas Gerais, uma das mais relevantes para a economia do Estado, entrou em trajetória de retração ao longo de 2026 após registrar desempenho superior ao nacional nos dois anos anteriores. A análise é do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG, com base em dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE) de julho de 2026.
Segundo o levantamento, a atividade de tecidos, vestuário e calçados saiu de uma estabilidade de 0,1% em janeiro para uma queda acumulada de -5,1% em julho, o pior resultado da série analisada. No mesmo período, o comércio varejista mineiro ainda apresentava crescimento de 0,8%.
O cenário representa uma mudança em relação ao desempenho observado em 2024 e 2025. Após iniciar 2024 com retração de 12,7%, o segmento encerrou aquele ano com crescimento de 4,2%, acima dos 2,9% registrados nacionalmente. Em 2025, a atividade manteve resultados superiores aos do País durante grande parte do período, mas perdeu força a partir do fim do ano passado.
Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, a oscilação está diretamente ligada à relevância que a cadeia da moda possui na economia mineira.
“A moda tem uma presença econômica mais expressiva em Minas Gerais do que no Brasil. Isso faz com que o estado consiga capturar de maneira mais intensa os efeitos de um ambiente favorável, mas também fique mais exposto quando o consumo perde força ou a concorrência aumenta”, avalia.
Peso econômico
A moda responde por cerca de 5,2% dos estabelecimentos mineiros, participação superior à média nacional. No comércio, o segmento representa aproximadamente 15% das atividades do Estado, enquanto a média brasileira é de 13,6%.
Essa representatividade ajuda a explicar os reflexos que o setor produz em diferentes áreas da economia. Quando o consumo cresce, os benefícios alcançam não apenas o varejo, mas também fornecedores, indústrias, distribuidores e prestadores de serviço. O movimento contrário, segundo a economista, afeta toda a cadeia produtiva.
“Estamos falando de uma cadeia bastante integrada. Por isso, o desempenho do varejo não pode ser analisado de forma isolada. Quando a atividade perde ritmo, o impacto pode chegar rapidamente a outros negócios e aos municípios que têm na moda uma importante base econômica”, afirma Fernanda.
Presença em todo o estado
A força do setor também aparece na distribuição territorial da atividade. Minas Gerais reúne 18 Arranjos Produtivos Locais (APLs) ligados à moda, presentes em 87 municípios. Juntos, esses polos concentram cerca de 67 mil empresas formais e aproximadamente 80 mil empregos diretos.
Entre os principais destaques estão o polo de vestuário da Região Metropolitana de Belo Horizonte e o polo calçadista de Nova Serrana, referência nacional na produção de calçados.
Nesses territórios, a atividade de moda ultrapassa a função comercial e se integra à geração de renda, ocupação e arrecadação local.
Outro fator apontado pelo estudo é o aumento da concorrência internacional. A presença de produtos asiáticos é especialmente relevante nos segmentos de tecidos, vestuário, acessórios e calçados. China, Vietnã e Indonésia figuram entre os principais concorrentes da indústria nacional.
“Competitividade, qualificação profissional, acesso ao crédito e ambiente de negócios precisam ser considerados de maneira integrada. Em uma cadeia tão distribuída pelo território mineiro, fortalecer a moda significa também fortalecer a economia dos municípios onde essa atividade está concentrada”, destaca Fernanda.
Para a Fecomércio MG, o cenário reforça a necessidade de acompanhar a evolução do setor e desenvolver estratégias voltadas à competitividade da cadeia produtiva, que segue entre as mais importantes para a geração de renda e empregos em Minas Gerais.