- Bem-estar
- outubro 13, 2026
- 6 minutos
Implante coclear amplia acesso ao tratamento da perda auditiva grave em BH
Serviço da Santa Casa BH já realizou 53 implantes em crianças e adultos e oferece acompanhamento que inclui ativação do dispositivo e reabilitação auditiva

Da Redação
Em outubro, o serviço de implante coclear da Santa Casa BH completa três anos desde a realização do primeiro procedimento. Desde então, a instituição já realizou implantes em 53 pacientes, entre crianças e adultos, e oferece atendimento em saúde auditiva, ativação do dispositivo e reabilitação.
Diferentemente dos aparelhos auditivos convencionais, que amplificam os sons, o implante coclear estimula diretamente o nervo auditivo. O procedimento disponível de forma 100% Sus, pode beneficiar pessoas com perda auditiva neurossensorial severa ou profunda, que não obtêm resultados suficientes com os dispositivos convencionais.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem aproximadamente 5,8 milhões de pessoas com algum grau de surdez. Dados do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram ainda que cerca de 2,5 milhões de brasileiros têm muita dificuldade para ouvir ou não conseguem ouvir, mesmo com o uso de aparelho auditivo.
A chefe do Serviço de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Santa Casa BH, Dra. Mirian Cabral, explica que a indicação do implante considera diferentes aspectos da condição auditiva de cada paciente.
“O implante coclear não é indicado apenas pelo resultado de um exame. Avaliamos o tipo e o grau da perda auditiva, a compreensão da fala, o benefício obtido com o aparelho auditivo e o histórico de cada paciente. A indicação é individualizada”, explica.
Implante transforma rotina de paciente de Itabira
Entre os pacientes atendidos pela instituição está Rosilene Oliveira, de 58 anos, moradora de Itabira. Ela começou a perceber a perda auditiva por volta dos 40 anos e utilizou aparelhos nos dois ouvidos durante cerca de oito anos, até que os dispositivos deixaram de ser suficiente
A dificuldade passou a interferir no trabalho, na convivência familiar e em atividades cotidianas. Rosilene já não conseguia falar ao telefone e acompanhava a televisão apenas por meio de legendas. Quando não conseguia fazer leitura labial, precisava pedir às pessoas que escrevessem o que queriam dizer. Nos sete meses anteriores ao tratamento, conta que não conseguia ouvir sequer uma palavra.
Encaminhada pela rede pública de saúde, ela passou por avaliações na Santa Casa BH e recebeu o implante coclear em agosto de 2026.
“É até difícil descrever. Voltei a ouvir a voz das minhas netinhas, músicas e os sons ao meu redor. Mudou tudo”, conta.
Acompanhamento necessário após a cirurgia
A cirurgia é apenas uma etapa do tratamento. Segundo a fonoaudióloga da Santa Casa BH, Joana Pires, a ativação do dispositivo, as programações e a reabilitação são necessárias para acompanhar a resposta de cada paciente.
“A ativação, as programações e a reabilitação fazem parte do tratamento. O acompanhamento da equipe, assim como o envolvimento do paciente e da família, é fundamental para os resultados”, explica.
Para a profissional, os três anos de funcionamento do serviço representam a ampliação do acesso ao tratamento pelo SUS.
“Hoje, temos crianças e adultos implantados e acompanhados pela nossa equipe. Cada procedimento representa uma possibilidade de melhorar a comunicação, a autonomia e a qualidade de vida desses pacientes”, conclui.