- Entrevista
- outubro 18, 2026
- 6 minutos
Entrevista: Inteligência Artificial e a realidade do dia a dia
Mais do que uma inovação tecnológica, a IA representa uma oportunidade de desenvolvimento econômico e social

Da Redação
A Inteligência Artificial já faz parte do nosso cotidiano e está transformando a maneira como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Presente em aplicativos, serviços digitais, sistemas de segurança e ferramentas de comunicação, a tecnologia tem contribuído para tornar diversas atividades mais rápidas, eficientes e acessíveis.
Na saúde, auxilia no diagnóstico e tratamentos; na educação, amplia as possibilidades de aprendizado; e, nas empresas, otimiza processos, aumenta a produtividade e melhora o atendimento. Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, o professor de Tecnologia da Informação do Ibmec BH, Pedro Calais, aborda os benefícios da IA no cotidiano das empresas e da sociedade.
A inteligência artificial evoluiu de forma acelerada nos últimos anos e passou a fazer parte do cotidiano das pessoas. Quais foram os principais avanços dessa tecnologia e o que explica essa evolução tão rápida?
A IA, como área de pesquisa científica, tem mais de 75 anos; já se falava em criar máquinas inteligentes desde os anos 1950. Aplicações do nosso dia a dia, como reconhecimento de texto, rotas de trânsito e recomendações de streaming, já utilizam modelos tradicionais de IA há anos. A grande revolução desta década é o surgimento da IA Generativa, capaz não apenas de analisar dados, mas de criar conteúdos inéditos em texto, imagem, áudio e vídeo. Essa evolução vertiginosa se explica pela combinação de três fatores: disponibilidade massiva de dados digitais, supercomputadores com alto poder de processamento e novos avanços nos algoritmos.
A inteligência artificial já está transformando diferentes setores da economia. Quais áreas estão mais avançadas na utilização dessa tecnologia e quais benefícios concretos já podem ser observados?
A engenharia de software é um dos setores mais impactados. O papel do desenvolvedor mudou drasticamente: hoje, o profissional atua muito mais como um arquiteto e revisor do que escrevendo cada linha de código do zero, já que a IA assume a geração de trechos complexos. Softwares que antes levavam meses para serem desenvolvidos hoje podem ter seus protótipos criados em dias. Vemos também avanços concretos na saúde (no apoio a diagnósticos precoces) e no setor financeiro e de atendimento (com hiper personalização de serviços).
Apesar dos avanços, a inteligência artificial também apresenta falhas e limitações. Quais são os principais erros e acertos observados até agora no desenvolvimento e na aplicação dessa tecnologia?
Entre os acertos, destaca-se o ganho massivo de produtividade e a democratização do acesso ao conhecimento. Por outro lado, existem limitações técnicas, como as “alucinações” (quando a IA gera informações falsas com tom de certeza) e vieses nos dados. Além disso, enfrentamos sérios riscos éticos e de segurança, como a criação de golpes sofisticados utilizando clonagem de voz e deep fakes. As empresas e governos têm trabalhado para amadurecer políticas de governança e regulação que minimizem essas falhas e responsabilizem usos nocivos, sem sufocar a inovação.
De que maneira a inteligência artificial está transformando a sociedade e a relação das pessoas com o trabalho, a educação e a informação?
A distância entre ter uma ideia e executá-la diminuiu drasticamente. Pessoas com alta autonomia e capacidade de iniciativa agora conseguem criar produtos, conteúdos e serviços complexos a uma fração do custo e do tempo. Na educação e na relação com a informação, o desafio é aprender a filtrar e checar criticamente tudo o que é gerado. Habilidades estritamente humanas, como pensamento crítico, julgamento ético e visão sistêmica, tornam-se o grande diferencial da força de trabalho daqui para frente.
Um dos principais debates sobre inteligência artificial envolve o futuro do mercado de trabalho. A tecnologia deve substituir profissionais ou criar oportunidades?
A IA é uma tecnologia “horizontal”, ou seja, impacta praticamente todos os setores da economia, gerando ganhos de eficiência em áreas como saúde, direito, educação e finanças. Em vez de substituir profissões inteiras da noite para o dia, a IA reconfigura o trabalho: ela absorve tarefas específicas dentro de um emprego, especialmente as repetitivas. O profissional que souber usar a IA a seu favor tende a substituir aquele que não se adaptar, abrindo espaço para funções mais estratégicas e criativas.
Olhando para os próximos cinco ou dez anos, quais são as principais tendências da inteligência artificial e os desafios que ainda precisam ser superados para que seus benefícios alcancem toda a sociedade?
Acredito que um desafio é encontrar os pontos de contato certos em que queremos aplicar IA e os momentos em que queremos manter a experiência mais humana. Isso é muito claro no contexto da educação. Até que ponto usar IA em sala de aula e nas atividades acadêmicas? Certamente ignorar seu uso ou utilizá-la em 100% das atividades não é saudável, o desafio é encontrarmos o meio termo.