- Artigo
- junho 29, 2026
- 4 minutos
Inteligência Artificial no mercado imobiliário
Do Concreto ao Contrato: a tecnologia não substitui a visão do empresário, e sim a amplia; e em um estado imenso como Minas Gerais, isso pode fazer muita diferença

Flávio Guerra (*)
Hoje eu quero falar sobre inteligência artificial (IA) no mercado imobiliário. Mas não daquela IA distante, cheia de termos técnicos, que parece coisa de laboratório.
Quero falar da inteligência artificial que já começa a mudar a forma como o mercado entende pessoas, terrenos, produtos e oportunidades. Durante muito tempo, o mercado imobiliário funcionou muito baseado em percepção. O empreendedor conhecia uma região, sentia a demanda, olhava o preço, conversava com corretores e tomava decisão. Isso tudo continua importante, e experiência ainda vale muito, mas agora entra uma nova camada para aprimorar ainda mais: os dados.
Com a IA é possível analisar o comportamento de compra, a renda, a mobilidade, a vocação de bairros, a velocidade de vendas, o perfil de famílias, a concorrência, o preço, os riscos e até as tendências de desejo do consumidor.
E aqui está o ponto: a inteligência artificial não substitui a visão do empresário, ela amplia essa visão. Em um estado imenso como Minas Gerais, isso pode fazer muita diferença. Cidades grandes e médias de Minas vivem momentos muito diferentes de mercado. Cada uma tem sua lógica, sua renda, sua mobilidade, sua cultura e sua forma de morar. Belo Horizonte tem a sua dinâmica, Pouso Alegre também, e são completamente diferentes.
Quem usa inteligência artificial apenas para fazer um anúncio bonitinho está usando pouco. O grande salto está em usar IA para desenhar produtos melhores: prédios mais versáteis, condomínios mais aderentes à rotina das famílias, bairros planejados mais eficientes, lançamentos mais bem posicionados e empreendimentos com mais chances de acertar o desejo real do cliente.
No fundo, a inteligência artificial traz uma provocação importante: o mercado imobiliário vai ficar menos intuitivo? Talvez. Mas pode ficar muito mais inteligente.
E quem souber combinar dados, repertório, sensibilidade e conhecimento local vai sair na frente.
(*) Flávio Guerra é especialista em Gestão de Negócios Imobiliários pela Fundação Dom Cabral, CEO da YVAZ Inc