Combate à obesidade requer equilíbrio entre corpo e saúde mental

Combate à obesidade requer equilíbrio entre corpo e saúde mental

Especialistas alertam que o tratamento do sobrepeso exige um olhar científico, personalizado e integrativo sobre corpo e mente

Angela Vianello, nutróloga e psiquiatra: técnicas no combate à obesidade
A nutróloga e psiquiatra Angela Vianello, fundadora da Clínica Less, é referência em emagrecimento de alta performance. (Foto: Alexandre Coutinho)

 

Por muito tempo, o emagrecimento foi associado apenas a dietas restritivas e força de vontade. Hoje, a medicina reconhece que perder peso e manter os resultados exige um olhar individualizado e baseado em ciência. Segundo a fundadora da Clínica Less, a nutróloga e psiquiatra Angela Vianello, o combate à obesidade requer compreender não só o corpo, mas também o papel das emoções, hábitos e da história de cada indivíduo.

No conceito de “alta performance”, a médica explica que o foco não é apenas a rapidez dos resultados, mas sim a qualidade do processo, que considera o equilíbrio metabólico, a saúde hormonal, o bem-estar mental e a sustentabilidade a longo prazo.

“A obesidade é uma doença crônica. Por isso, se o tratamento é interrompido, há grande chance de recidiva. É preciso tratar as causas, não apenas os sintomas”, destaca.

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade aumenta em até 55% o risco de desenvolver depressão. Em contrapartida, pessoas com depressão têm 58% mais chance de desenvolver obesidade. Para a Dra. Angela, essa relação mostra como corpo e mente são dimensões inseparáveis.

“Muitos pacientes chegam emocionalmente esgotados. Ansiedade, estresse e frustrações de tentativas anteriores afetam o metabolismo e interferem na adesão ao tratamento”, explica.

 

Ela reforça que questões psicológicas influenciam diretamente hormônios como o cortisol e a insulina, ligados ao apetite e ao acúmulo de gordura. Além disso, o excesso de gordura visceral provoca neuro inflamações que agravam o ciclo de compulsão e dificultam a percepção da saciedade.

As medicações agonistas de GLP-1, conhecidas como “canetas emagrecedoras”, também têm papel relevante, desde que usadas com acompanhamento médico.

“Essas medicações são ferramentas terapêuticas, não soluções mágicas. O verdadeiro avanço está em oferecer tratamentos eficazes que respeitem a individualidade de cada um”, ressalta.

 

Com experiência consolidada e atualização constante, a Dra. Angela defende a integração entre nutrologia, equilíbrio hormonal, suplementação personalizada, saúde mental e práticas comportamentais. Cada plano deve ser construído conforme o perfil metabólico e emocional do paciente.

 

“Tratar a obesidade é tratar a pessoa em sua totalidade. Cada paciente tem uma bioquímica, um ritmo e uma história. O sucesso vem quando o médico e o paciente caminham juntos nessa jornada”, afirma.

 

Um desafio coletivo no combate

Segundo dados do Ministério da Saúde, mais da metade da população adulta brasileira (56%) está acima do peso, e cerca de um em cada quatro adultos vive com obesidade. Esse quadro está ligado ao aumento de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e distúrbios cardiovasculares. Mais de 60 mil mortes prematuras por ano no país estão associadas a complicações do excesso de peso.

 

Para a médica, combater a obesidade vai além da estética: é uma questão de saúde pública e de promoção do equilíbrio entre corpo, mente e qualidade de vida.