Entre Linhas: Moda é inspiração. Estilo é você

Entre Linhas: Moda é inspiração. Estilo é você

As passarelas de moda apontam caminhos, mas é a personalidade de cada pessoa que decide o que realmente vai para o guarda-roupa 

Entre Linhas Mulher na rua com uma roupa colorida com mistura de tendências Reprodução site Two Travel
A moda hoje é a personalidade de cada um. Uma mistura de tendências e um estilo único (Foto: Reprodução site Two Travel)

 

Cris Miranda

A moda hoje é diferente, é construída. É assim que a enxergo, mas confesso que durante muito tempo, falar de moda parecia significar um amontoado de regras: determinada cor estava em alta, aquela modelagem era obrigatória, aquela peça era o desejo da temporada. Mas talvez estejamos vivendo um momento muito mais interessante: a moda agora é, cada vez mais, ter o próprio estilo. 

Sempre defendi que aquilo que vemos nas grandes semanas de moda de Paris, Milão, Nova York ou Londres deve ser entendido como inspiração, e não como manual de instruções. Afinal, é difícil imaginar uma mulher comum saindo de casa para trabalhar, levar os filhos à escola, almoçar com as amigas ou resolver coisas do dia a dia vestida exatamente como uma modelo de passarela. 

E nem precisa. 

Os desfiles existem para provocar, surpreender, experimentar. Eles nos apresentam possibilidades. É ali que começamos a perceber quais serão as cores que ganharão as ruas, os tecidos que estarão nas vitrines, as novas proporções das roupas, os comprimentos, as modelagens, as estampas e aqueles detalhes que, pouco a pouco, chegam ao nosso cotidiano. 

A passarela dá o norte. Quem decide o caminho somos nós. 

Uma determinada cor pode aparecer com força total em uma coleção de alta-costura e, meses depois, estar nas araras das melhores lojas do mundo. Uma calça de determinada modelagem pode dominar os desfiles e, depois, ganhar versões para diferentes corpos e estilos.

Uma estampa extraordinária pode sair de uma coleção exclusiva e se transformar em inspiração para milhares de outras criações. É assim que a moda chega até nós e nos encanta. 

Mas existe uma diferença enorme entre estar por dentro da moda e ser refém dela. 

Com um mundo cada vez mais globalizado, temos acesso praticamente imediato ao que acontece em Paris, Milão, Londres, Nova York e em tantos outros lugares. Vemos coleções, acompanhamos estilistas, descobrimos novas marcas e temos contato com uma quantidade enorme de referências. 

E, justamente por termos tantas possibilidades, estamos também descobrindo uma coisa muito importante: não precisamos vestir aquilo que todo mundo está vestindo para nos posicionarmos no mundo. A roupa que escolhemos diz muita coisa sobre nós, fala de nossas características pessoais. 

As cores que usamos, os tecidos que preferimos, uma fenda mais discreta ou mais ousada, uma modelagem ampla ou ajustada, uma estampa exuberante ou uma produção minimalista… tudo isso comunica. A roupa cobre o corpo, mas também revela um pouco da nossa personalidade. 

Por isso, gosto de pensar que moda é uma grande brincadeira de possibilidades. 

Você olha para uma tendência e pergunta: “O que disso combina comigo?” 

Pode ser a cor. Pode ser o tecido. Pode ser a modelagem. Pode ser apenas um detalhe. 

Talvez você goste da tendência das calças mais amplas, mas prefira uma versão mais discreta para o seu dia a dia. Talvez ame determinada estampa, mas escolha usá-la em uma bolsa. Talvez a cor da temporada não combine com seu estilo, mas fique perfeita em um acessório. Ou talvez você simplesmente olhe para tudo aquilo e diga: “Não é para mim”. E está tudo bem. 

Porque estar na moda não é vestir tudo o que está na moda. É saber selecionar. 

É conhecer o próprio corpo, entender aquilo que valoriza suas características, reconhecer sua personalidade e, principalmente, sentir-se bem dentro daquilo que escolheu vestir. 

A moda muda. As tendências passam. As vitrines se renovam. 

O estilo, quando é verdadeiro, permanece. 

Talvez esse seja o grande luxo dos nossos tempos: ter informação suficiente para conhecer as tendências, mas liberdade suficiente para escolher apenas aquilo que faz sentido para nós. 

No fim das contas, a passarela pode até mostrar o que vem pela frente. 

Mas quem decide o que vestir é você. 

Entre Linhas, eu fico com essa ideia: tendência é convite. Estilo é escolha.