- Entrevista
- agosto 24, 2025
- 6 minutos
Cuidados pós-hospitalares especializados
Com uma alta demanda por esse tipo de serviço, dirigente revela como essa prática assistencial contribui para melhores resultados na saúde dos pacientes

Foto/Arquivo Pessoal
No primeiro ano de operação, a Suntor Clínica de Transição, em Belo Horizonte, alcançou média de 95% de ocupação, confirmou a demanda por cuidados pós-hospitalares especializados e anunciou planos de expansão para atender a alta procura.
O modelo alia sustentabilidade, tecnologia e humanização, com terapias tradicionais e complementares em um ambiente que prioriza a dignidade e o vínculo com o paciente.
Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, o CEO Carlos Eduardo dos Santos Costa, que acumula mais de 16 anos de experiência como gestor em serviços de saúde, detalha como a clínica se consolidou nos negócios, inovou na prática assistencial e contribuiu para melhores resultados na saúde dos pacientes e para o sistema como um todo.
Alcançar 100% de ocupação no primeiro ano de funcionamento foi algo planejado? Como o senhor interpreta esse resultado?
Hoje, operamos com 60 leitos. Alcançar 100% de ocupação em nosso primeiro ano e manter uma média de 95% confirma a relevância e a urgência do modelo de cuidados de transição no Brasil. Superamos as expectativas iniciais ao demonstrar que há demanda reprimida e confiança crescente na nossa capacidade de oferecer uma jornada segura entre o hospital e o domicílio.
Por que o mercado respondeu tão bem a um serviço tão específico como o cuidado pós-hospitalar?
Destaco a robustez dos nossos protocolos assistenciais, construídos ao longo de quase 50 anos pela Rede Paulo de Tarso; o alto grau de qualificação das equipes multidisciplinares; e os investimentos significativos em infraestrutura, tecnologia e conforto. Também houve uma ampla adesão das operadoras e indicação dos hospitais parceiros, que enxergam valor na nossa proposta de continuidade do cuidado.
Quais são os planos para o futuro? Há expansão prevista?
Estamos em fase avançada de estudos para ampliação da capacidade instalada da unidade Suntor e para a implantação de uma nova unidade em região estratégica. Em paralelo, ampliaremos os serviços ambulatoriais e iremos integrar novas linhas de cuidado, como o Pronto Amparo, voltado ao atendimento ambulatorial especializado de pacientes em cuidados paliativos. Nos próximos anos, iremos fortalecer nossa liderança técnica e institucional na consolidação de uma Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, atuando junto ao Ministério da Saúde, ANS e Anvisa na construção da regulamentação federal do setor.
O que diferencia a experiência de um paciente internado na Suntor em termos de ambiente e terapias?
Nos diferenciamos por adotar um modelo baseado em valor, com desfechos assistenciais mensurados, pactuados e transparentes. A estrutura moderna e acolhedora da Suntor, aliada a uma ampla gama de serviços complementares, como hemodiálise, oxigenoterapia hiperbárica, ambulatórios especializados, oficinas terapêuticas e o recém-implantado Centro Intensivo de Tratamento da Obesidade, assegura um cuidado abrangente e personalizado.
Como as terapias complementares entram no processo de recuperação?
A infraestrutura moderna, os recursos humanos e terapêuticos especializados, aliados a oficinas complementares, como cinoterapia, musicoterapia e arteterapia, contribuem significativamente para um cuidado integral, seguro e humanizado.
Na prática, que impacto esse modelo tem para os pacientes e para a saúde como um todo?
A taxa de readmissão inferior a 2% e os elevados índices de desmame de dispositivos demonstram nossa efetividade clínica. Também reduzimos substancialmente o tempo de permanência em hospitais gerais e melhoramos os ganhos funcionais dos pacientes, o que impacta diretamente a gestão de leitos e os custos assistenciais, garantindo sustentabilidade e qualidade mesmo em cenários de alta demanda.
Como a Suntor conseguiu conciliar alta ocupação com personalização do cuidado?
Utilizamos protocolos clínicos validados, gestão orientada por indicadores de desempenho e planos terapêuticos personalizados. A elevada taxa de sucesso nos desmames de dispositivos, além dos excelentes resultados nos indicadores de segurança assistencial, impactam diretamente a gestão de leitos e os custos assistenciais, garantindo sustentabilidade e qualidade mesmo em cenários de alta demanda.