- Entrevista
- setembro 27, 2026
- 7 minutos
Entrevista: Mobilidade corporativa
Tecnologia como aliada na gestão e no desenvolvimento de sistemas e soluções inovadoras

Antonio Carlos Gonçalves é fundador e CEO do Fretadão, onde lidera há mais de 10 anos a transformação da mobilidade corporativa no Brasil com tecnologia e impacto social. Cofundador da solução número 1 em mobilidade corporativa do país, Antonio é formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP).
Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, o executivo aborda os desafios e o que tem evoluído no setor nos últimos tempos.
Antonio Carlos Gonçalves
Como o senhor avalia o atual mercado de mobilidade corporativa no Brasil?
O mercado de mobilidade corporativa no Brasil vive um momento de forte retomada e maturidade. Com o retorno ao trabalho presencial, vimos um aumento expressivo na procura por transporte fretado — no Fretadão, esse crescimento foi de 50% no último ano. As empresas entenderam que oferecer transporte de qualidade não é mais um diferencial, e sim um requisito para atrair e reter talentos.
Quais são os principais desafios do setor de transporte fretado?
Os custos no segmento vem crescendo substancialmente nos últimos 5 anos, impulsionados principalmente pela crise do petróleo e dos componentes eletrônicos pós Pandemia, com isso, o custo de transporte dos colaboradores aumentam e as empresas estão cada vez mais pressionadas a reduzi-los. Gerir de forma eficiente as rotas em cenários de trânsito cada vez mais complexos, garantir segurança e conformidade regulatória das frotas sem perder qualidade se torna cada vez mais latente para os clientes. Há também o desafio de integrar diferentes modalidades de transporte — fretado, vale-transporte, aplicativo — em uma experiência única e simples tanto para a empresa contratante quanto para o colaborador.
Como a tecnologia tem contribuído para melhorar a experiência dos passageiros e das empresas?
A tecnologia transformou completamente a forma como o setor opera. Hoje conseguimos monitorar linhas em tempo real, otimizar rotas com inteligência artificial e dar às empresas clientes um painel completo com indicadores de cumprimento de rotas, quilometragem e eficácia do fretamento.
Para o passageiro, isso significa mais pontualidade e segurança; para a empresa, significa decisões baseadas em dados, não em suposições. Além disso, a gestão de garagens também tem mudado com controle mais efetivo de ocorrências, manutenção e homologação de veículos e motoristas, tudo isso só foi possível graças à tecnologia aplicada na operação de transporte.
Quais foram os principais desafios do Fretadão desde sua fundação?
Inicialmente foi a construção de confiança no mercado, tanto de grandes empresas em uma startup jovem e inovadora como do mercado de transporte que tradicionalmente funcionam da mesma forma há 60 anos pelo menos. Passamos a ver que vencemos essas barreiras quando o próprio mercado começou a requisitar transporte de forma diferente, entendendo que o modo antigo de fazer já não conseguia trazer o mesmo resultado. Após a prova de valor no mercado tivemos o desafio de capital, para isso contamos com investidores institucionais que acreditaram no negócio e investiram mais de 70 milhões ao longo dos últimos anos de capital próprio no qual nos possibilitaram a expansão e a sustentação do negócio nos primeiros 6 anos de trajetória. Recentemente o desafio é tornar cada vez mais nossos operadores conectados ao digital, de motoristas a empresários precisam estar conectados ao novo momento que estamos vivendo de alta produtividade. Temos investido muito em sistemas próprios e educação para vencer este desafio.
Qual é o papel do transporte corporativo na mobilidade urbana e na sustentabilidade das cidades?
O transporte corporativo tem um papel central na mobilidade sustentável das cidades. Cada ônibus fretado retira, em média, 30 veículos individuais das ruas, reduzindo congestionamento, emissões de poluentes e o tempo de deslocamento dos colaboradores. Para as empresas, isso também se conecta diretamente às metas de ESG, já que a redução da frota individual é uma forma concreta de diminuir a pegada de carbono corporativa. Além disso, atuamos em um segmento da população que muitas das vezes ainda não foi impactado pelo poder público, o transporte público é ineficiente em muitas cidades brasileiras e as empresas precisam de pessoas, logo o transporte corporativo acaba se tornando uma ferramenta social de acesso a empregos para essa camada da população menos favorecida.
Quais são os planos do Fretadão para os próximos anos?
Para os próximos anos, nossa visão é consolidar o Fretadão como uma solução definitiva da mobilidade corporativa no Brasil, expandindo nossa capacidade de ecossistema e acelerando o uso de inteligência de dados. A estratégia está ancorada na evolução da multimodalidade — integrando o fretamento tradicional ao Vale-Transporte e a modais complementares para que o RH gerencie 100% do deslocamento em uma plataforma única —, além do aprofundamento de Inteligência Artificial e machine learning na roteirização preditiva para otimizar custos e reduzir o tempo de viagem dos colaboradores de empresas dos mais diversos segmentos.