Entrevista: Novos desafios em 2026

Entrevista: Novos desafios em 2026

Arquiteta com passagem pela Casa Cor Minas inaugura escritório próprio

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Manuela Lolato: “Tento me colocar no lugar do cliente, entender seu mundo – e até mesmo o que ele não está me dizendo”
(Foto: Luiza Zuim)

 

Após 12 anos de atuação no mercado de arquitetura e interiores em Belo Horizonte, a arquiteta Manuela Lolato inaugura, neste ano, seu escritório solo, o Lola Studio. Com uma trajetória construída a partir da experiência profissional ao lado da mãe e sócia Bernadette Corrêa – reconhecida arquiteta e designer da capital mineira – Manuela, que também já expôs em quatro edições da Casa Cor Minas, inicia agora um novo capítulo, marcado pela autonomia criativa, pela escuta atenta e por uma arquitetura que valoriza o tempo, o uso e a sensibilidade. Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, Manuela fala sobre sua caminhada e novos desafios. 

 

Depois de 12 anos de atuação no mercado trabalhando junto com a sua mãe e sócia, o que representa, neste momento, a abertura do seu próprio escritório de arquitetura e interiores? Eu sempre entendi que arquiteto precisa de experiência para conseguir executar um bom projeto. Quanto mais eu conseguisse observar e experimentar, melhor eu conseguiria projetar.  E foi observando outras formas de trabalhar que hoje entendo qual é a melhor forma para mim. Então, esse é um momento de mais maturidade, conhecimento, autonomia e de mais liberdade de decisão. Me sinto pronta para enfrentar qualquer tipo de desafio.

O que mudou na sua forma de pensar e conduzir os projetos ao longo dessa trajetória até chegar a esse novo passo?

Mudou muito. No início da profissão, o trabalho era mais focado para o técnico e o estético. Hoje, a arquitetura para mim envolve uma questão mais importante: a antropológica. Que é o cliente, o que ele quer, o que aquela arquitetura precisa. Entro muito mais com antropologia e filosofia do que antes. A condução do processo é muito mais humana, mais empática, tentando sempre entender várias visões e os usos daquele espaço, em como aquilo pode ser bom para quem usa. Tento me colocar no lugar do cliente, entender seu mundo – e até mesmo o que ele não está me dizendo – para transformar o sonho dele em realidade. Acredito que conduzo de uma forma mais leve, mais segura, sem perder essa poesia que é a parte humana, essa filosofia. Isso faz muita diferença. 

Você construiu sua experiência profissional ao lado de uma arquiteta de referência em Belo Horizonte. Quais aprendizados dessa convivência seguem presentes no seu trabalho hoje?

Aprendi, principalmente, a organizar as minhas ideias. Sempre tive muitas! Além disso, aprendi a entender melhor o que faz sentido para cada cliente, já que o projeto é o sonho dele e não o meu. A escutar com sensibilidade, atenção e empatia, tentando sempre me colocar no lugar dele.

Ao abrir um escritório solo, o que você sente que passa a ganhar mais espaço na sua arquitetura, em termos de escolhas, processos e olhar?

Eu sempre gostei de projetos de diversos tipos, residenciais, comerciais, de decoração e trabalhei em vários setores para adquirir essa experiência. Agora, entendo o quanto isso foi importante, pois é essa diversidade de projetos que faz com que eu encontre soluções de forma mais clara. Isso abre a cabeça, promove a criatividade, uma coisa puxa a outra. É um desafio muito prazeroso que estou tendo agora com o novo escritório.

Seus projetos transitam entre o residencial, o comercial e o de interiores. O que esses universos têm em comum dentro da sua forma de projetar?

Sem dúvida o cliente, a experiência do usuário. Eles têm em comum a questão de entender quem vai usar, como vai usar, o que ele gostaria de sentir, como facilitar a vida dessa pessoa, como trazer um aconchego, uma identidade que não é minha mas é da pessoa, é do lugar. Se for um cliente residencial é a identidade do cliente, se for comercial é a de uma marca, se for algo público, é a identidade de uma população, de uma cultura. Mas o foco sempre é o bem-estar humano, é a pessoa se sentir bem naquele lugar, ter uma vida facilitada. A arquitetura tem que facilitar, ela nunca pode ser um obstáculo. 

Existe uma busca crescente por espaços mais sensíveis, funcionais e acolhedores. Como esses valores aparecem nos seus projetos de arquitetura e interiores?

Depende para quem o projeto será feito. Mas sempre acreditei que Deus está nos detalhes, na empatia de entender o outro, na escolha de texturas e materiais. Então, eu não penso só no todo, eu penso também nos detalhes e eu acredito que eles conseguem transmitir esse acolhimento. Não acho que esses valores são de um estilo específico, acho que podemos inseri-los em todos os estilos possíveis, mas existem formas de fazer isso. 

Como você entende o conceito de sofisticação hoje, especialmente em projetos que precisam ser atemporais e duráveis?

Sofisticação eu também não entendo como um estilo, eu acho que a gente consegue trazer sofisticação independentemente do estilo do projeto. Ela vem da escolha dos materiais, por exemplo, materiais que envelhecem bem. São várias formas e eu sempre tento descobrir onde essa sofistificação está dentro do que o cliente gosta. E isso exige muita técnica, estudo, observação e vivência do arquiteto. É uma busca que nunca acaba, principalmente porque existem infinitos estilos e misturas diferentes. 

Que expectativas você tem para essa nova fase profissional e para os projetos que pretende desenvolver nos próximos anos?

Eu acredito que meu maior ativo seja o de compreender que eu sou uma mera prestadora de serviços, meu cliente é a peça central do seu projeto. Ver as pessoas crescendo e vivendo bem no espaço que projetei é definição de sucesso. Minha expectativa é conseguir com meu trabalho melhorar a vida das pessoas que vão usufruir do espaço.