Entrevista: Nutrição é aliada estratégica na menopausa

Entrevista: Nutrição é aliada estratégica na menopausa

Especialista aborda a importância de uma alimentação adequada 

Isis Tande da Silva CRÉDITO Renata Garbocci (1)
Isis Tande da Silva: “Mulheres na perimenopausa e menopausa devem evitar o consumo energético excessivo e alimentos que pioram o estado metabólico” (Foto: Renata Garbotti)

 

A queda acentuada dos níveis de estrogênio durante a menopausa está associada a uma série de efeitos indesejados que impactam diretamente a saúde da mulher. Os principais são obesidade, aumento de gordura visceral, osteoporose e doença cardiovascular isquêmica.

Nessa fase, e na perimenopausa, a nutrição pode ser uma importante aliada de modulação dos hormônios femininos e redução de risco de desenvolver essas e outras doenças. É o que nos conta nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, Isis Tande da Silva, professora do curso de Nutrição da Estácio BH e doutora em Nutrição em Saúde Pública. 

Qual é a relação entre nutrição e os hormônios das mulheres durante a perimenopausa e menopausa?

Os hormônios relacionados ao metabolismo, como insulina, grelina, leptina e adiponectina, atuam no eixo reprodutivo, regulando o apetite, o armazenamento de gordura e a saúde reprodutiva. A ingestão alimentar aumentada costuma elevar os níveis de insulina, GIP, GLP-1 e leptina, e reduzir os hormônios do crescimento, da fome (grelina) e da gordura saudável (adiponectina). Cada um deles têm efeitos próprios, participam de interações complexas entre diferentes vias de sinalização e estabelecem comunicação cruzada com outros hormônios. Mulheres na perimenopausa e menopausa devem evitar o consumo energético excessivo e alimentos que pioram o estado metabólico. 

Considerando a influência da nutrição sobre o sistema reprodutivo feminino, o que deve ser evitado e priorizado na perimenopausa e menopausa?

Deve-se evitar o consumo em excesso de gordura saturada (manteiga, carnes gordas, cremes de leite, banha de porco, embutidos, linguiças), carboidratos simples (pães, bolos, biscoitos, bolachas feitas com farinha branca, amido), açúcar (doces, balas, biscoitos, chocolates) e sal (enlatados, embutidos). Priorize o consumo abundante de frutas e hortaliças, pois são ricas em vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos. Vitaminas provindas desses alimentos, como C, E e carotenoides são essenciais na proteção antioxidantes, assim como os polifenóis das frutas vermelhas, uva, chá-verde e cacau. Carboidratos integrais, como aveia, farinha integral, grãos de trigo, centeio, cevada e arroz integral, consumidos com frutas, hortaliças e cereais integrais favorecem a ingestão adequada de fibras, essencial para o controle da glicemia e dos lipídios séricos. É importante incluir também gorduras benéficas, especialmente as mono e poliinsaturadas, que auxiliam no controle do colesterol. Destacam-se o azeite de oliva, rico em gordura monoinsaturada, e os peixes, fontes de ômega-3 com ação anti-inflamatória, além de sementes e oleaginosas, ricas em ômega-6. 

O que são os fitoestrógenos? Eles têm eficácia comprovada nos sintomas da menopausa?

Os fitoestrógenos são compostos bioativos de origem vegetal, com estrutura química semelhante ao 17β-estradiol – o principal estrogênio humano. Sua fonte são soja e derivados, linhaça, sementes e cereais integrais, brotos e leguminosas. Ensaios clínicos e estudos epidemiológicos sugerem associação de dietas ricas em fitoestrógenos a um menor risco de algumas condições relacionadas à deficiência estrogênica, como sintomas vasomotores, perda óssea e possivelmente doença cardiovascular. Contudo, os mecanismos biológicos e a magnitude clínica desses efeitos ainda não estão completamente estabelecidos em humanos. Além disso, não há evidência robusta e consistente de que a ingestão de fitoestrógenos promova aumentos clinicamente significativos nos níveis circulantes de estradiol em mulheres na pós-menopausa.