- Lado Bom
- fevereiro 18, 2026
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Cientista brasileira avança em tratamento de lesões medulares com substância que reconecta neurônios
Pesquisadora da UFRJ, Tatiana Sampaio coordena desenvolvimento de polilaminina, que está em fase 1 de testes clínicos com autorização da Anvisa

Quando a ciência brasileira encontrou uma forma de ensinar neurônios lesionados a “se reencontrarem”, o impacto negativo de traumas graves na medula espinhal ganhou uma nova perspectiva de esperança. Por mais de 25 anos de pesquisa, a bióloga e cientista Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dedicou sua carreira a desvendar mecanismos de regeneração neural — até chegar a um dos maiores desafios da neurologia moderna: a recuperação funcional após lesão medular completa.
Chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Tatiana coordenou uma equipe que desenvolveu a polilaminina, uma substância bioativa derivada da proteína laminina que compõe a matriz extracelular do sistema nervoso. Essa molécula polimerizada atua como um “andaime biológico”, ao criar um ambiente que pode estimular e orientar os axônios — prolongamentos dos neurônios responsáveis pela transmissão de sinais entre o cérebro e o corpo — a crescerem novamente em áreas lesionadas da medula espinhal.
A descoberta, descrita em estudos científicos publicados internacionalmente, mostrou que a polilaminina é capaz de promover a reconexão de neurônios danificados, algo que, até então, parecia tecnicamente inalcançável.
Em testes experimentais com animais, ela permitiu a recuperação de funções motoras importantes; e em ensaios iniciais em humanos, conduzidos em parceria com o laboratório farmacêutico brasileiro Cristália, pacientes com lesões medulares recentes apresentaram sinais promissores de melhora sensorial e motora.
O avanço mais recente foi a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o início da fase 1 de ensaios clínicos, que inclui cinco voluntários com lesão medular traumática. O estudo, agora oficialmente autorizado, busca avaliar a segurança da aplicação da polilaminina em humanos, dando sequência a um processo de quase três anos de avaliação regulatória.
Para Tatiana, a compreensão de por que o sistema nervoso perde sua capacidade regenerativa após a fase embrionária foi um ponto de partida crucial.
“Durante o desenvolvimento fetal, a laminina é abundante e orienta a formação e conexão dos neurônios; no adulto, essa proteína está praticamente ausente, deixando os neurônios incapazes de reconstruir os circuitos rompidos por traumas. A polilaminina recria essa condição bioquímica favorável, oferecendo um ambiente que pode guiar os neurônios na direção correta”, explica.
O trabalho de Tatiana Sampaio ganhou repercussão nacional e internacional ao longo dos anos e foi destaque na imprensa brasileira por seu potencial de transformar o tratamento de condições que normalmente resultam em paraplegia e tetraplegia.
Enquanto a pesquisa segue para fases mais avançadas, a comunidade científica e pacientes aguardam com atenção os próximos resultados dos testes clínicos, que podem abrir caminho para uma terapia efetiva no combate às sequelas de lesões medulares.
Contexto e impacto social do trabalho da cientista
Lesões da medula espinhal têm consequências devastadoras para a qualidade de vida, muitas vezes interrompendo completamente a comunicação entre o cérebro e o resto do corpo.
Atualmente, terapias eficazes que revertam esse tipo de dano são inexistentes, o que torna qualquer avanço nesse campo extremamente importante.
A polilaminina representa um passo significativo na direção de restaurar parcialmente funções motoras e sensoriais, algo que poderia impactar diretamente a vida de milhões de pessoas no mundo todo.