Missão que transforma vidas

Missão que transforma vidas

Iniciativa leva profissionais voluntários a Angola para realizar cirurgias reconstrutoras, capacitar equipes locais e ampliar o acesso à saúde

Leandro Gontijo e Pollyana Gontijo, fundadores da Kids Salvation, durante missão humanitária em Angola voltada à realização de cirurgias reconstrutoras e capacitação de profissionais da saúde
Leandro Gontijo e Pollyana Gontijo, fundadores da Kids Salvation, iniciativa que leva profissionais voluntários da saúde para missões humanitárias em Angola (Foto: Kids Salvation / Divulgação)

 

Da Redação

A solidariedade pode assumir diferentes formas, mas poucas têm impacto tão imediato quanto devolver qualidade de vida a quem enfrenta limitações físicas e sociais. Com esse propósito, a Kids Salvation reúne profissionais voluntários da saúde em uma missão humanitária que leva assistência médica e capacitação profissional a Angola. 

Nesta entrevista ao CIDADE CONECTA, os fundadores da iniciativa, Leandro Gontijo e Pollyana Gontijo, falam sobre o projeto e os desafios para viabilizar a próxima missão, entre os dias 11 e 20 de setembro, que impacta a vida de crianças e jovens atendidos.

 

Como surgiu a missão Kids Salvation e qual é a realidade encontrada pelas equipes em Angola?

A Kids Salvation nasceu em 2020, quando eu (Leandro Gontijo) e minha esposa (Pollyana Gontijo) fomos a Angola como missionários da saúde. Lá, nos chamou atenção o grande número de crianças vítimas de queimaduras. Em muitas comunidades, as famílias cozinham em fogareiros no chão e utilizam fogueiras dentro de casa para se aquecer. Com as crianças muito próximas ao fogo, os acidentes são frequentes. Como o acesso à assistência especializada é limitado, muitas queimaduras não recebem o tratamento adequado. Diante dessa realidade, percebemos que poderíamos contribuir não apenas realizando cirurgias, mas também deixando um legado. Por isso, um dos principais pilares da Kids Salvation é capacitar médicos e equipes de saúde angolanas, para que possam oferecer a melhor assistência possível à própria comunidade, dentro dos recursos disponíveis. 

 

A missão reúne profissionais de diversas especialidades da saúde. Como unir diferentes profissionais em um trabalho voluntário que contribui para transformar a vida de tantas crianças?

Nesta missão de 2026, teremos 28 profissionais voluntários, entre cirurgiões plásticos, cirurgiões bucomaxilofaciais, dermatologistas, anestesistas, enfermeiros e dentistas. Embora a Kids Salvation seja uma ONG mineira, nossa equipe reúne voluntários de outros quatro estados brasileiros: São Paulo, Rondônia, Rio Grande do Sul e Paraná. Essa integração permite oferecer uma assistência mais completa aos pacientes e promover uma troca de conhecimento importante com as equipes de saúde locais. 

 

Muitas das cirurgias e tratamentos realizados devolvem não apenas a saúde, mas também qualidade de vida e autoestima aos pacientes. Entre tantas histórias e experiências, qual a mais marcante já presenciada nessa missão?

A história da Eva é, sem dúvida, uma das que mais nos marcou. Quando a conhecemos, ela tinha 10 anos e carregava no corpo sequelas graves de queimaduras. As contraturas eram tão severas que ela não conseguia vestir uma blusa pela cabeça e não frequentava a escola. Eva passou por duas cirurgias realizadas durante as nossas missões. Acompanhar sua transformação nos mostrou, de forma muito concreta, que uma cirurgia pode mudar muito mais do que uma condição física. Hoje, ela frequenta a escola, tem amigos, faz aulas de piano e de confeitaria. Ver a Eva retomando atividades tão simples e, ao mesmo tempo, tão importantes para o desenvolvimento de uma criança representa exatamente o propósito da Kids Salvation.

 

Realizar uma missão internacional desse porte exige uma operação bastante complexa e uma gestão muito responsável dos recursos.  Quais são os principais desafios para viabilizar a iniciativa e ampliar o número de pessoas beneficiadas?

A Kids Salvation é uma organização do terceiro setor e, embora não tenha fins lucrativos, precisa ser administrada com a mesma seriedade de uma empresa. Para viabilizar cada missão, precisamos considerar toda a estrutura envolvida: os pacientes atendidos, os profissionais angolanos que serão capacitados e as condições de atuação. Isso envolve passagens, hospedagem, alimentação, transporte, medicamentos, curativos, materiais médicos, cirúrgicos e equipamentos. Hoje, um dos nossos maiores desafios é justamente conseguir doações de curativos, materiais cirúrgicos e equipamentos. Quanto maior o apoio de empresas, parceiros e doadores, maior também é a nossa capacidade de ampliar o número de atendimentos e de profissionais capacitados. A Kids Salvation vem crescendo a cada missão e, com isso, conseguimos não apenas atender mais crianças, mas também fortalecer a capacitação das equipes de saúde angolanas.

 

Para empresas, profissionais e pessoas interessadas em apoiar a iniciativa, de que forma é possível contribuir para que a missão continue levando atendimento especializado e esperança a crianças e jovens em Angola?

Existem muitas formas de fazer parte da Kids Salvation. Empresas podem contribuir com recursos financeiros, medicamentos, curativos, materiais médicos e cirúrgicos, equipamentos, passagens, hospedagem e outros produtos ou serviços necessários para viabilizar cada missão. Pessoas físicas também podem contribuir por meio de doações financeiras e ajudando a divulgar o nosso trabalho. Cada contribuição, independentemente do tamanho, se soma a outras e nos permite atender mais pessoas, realizar mais procedimentos e capacitar mais profissionais de saúde. É assim que seguimos cumprindo nosso propósito: servir, capacitar e reafirmar, por meio das nossas ações, que toda vida importa. Quem quiser fazer parte dessa missão pode contribuir por meio da nossa Vakinha.

 

Galeria – veja mais sobre a missão do projeto Kids Salvation: