Coajur realiza Círculo de Paz para troca de experiências

Coajur realiza Círculo de Paz para troca de experiências

Objetivo da escuta facilitada foi fortalecer vínculos na equipe

Coajur
Equipe do 4º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Juvid) da Comarca de Belo Horizonte participou do Círculo de Construção de Paz facilitado pela desembargadora Mariângela Meyer Pires Faleiro (esq., em pé) (Foto: TJMG / Divulgação)

 

Da Redação

“Eu me senti emocionada durante o Círculo de Paz. Fico apreensiva diante de mudanças.” Foi assim que a assistente de gestor Juliana Nolasco relatou seu estado emocional quando, junto com colegas do 4º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Juvid) da Comarca de Belo Horizonte, participou, no dia 23 de setembro, de um Círculo de Construção de Paz, promovido pela Coordenação de Apoio à Justiça Restaurativa (Coajur) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Por meio de uma roda de conversas, com escuta qualificada, o círculo ajuda na solução de determinado problema.

A iniciativa foi solicitada pela juíza titular do 4º Juvid, Roberta Chaves Soares, que percebeu a necessidade após as mudanças proporcionadas pelo projeto “Secretarias Integradas (SIN)”, da Corregedoria-Geral de Justiça (CGJ) de Minas Gerais, que visa unificar estruturas e distribuir a força de trabalho, de modo a otimizar os recursos disponíveis, promovendo uma Justiça mais célere para o cidadão.

 

“Observei que a equipe estava demonstrando certa angústia com a proximidade da integração das Secretarias. Trata-se de uma equipe que trabalha junta há bastante tempo, com fortes vínculos afetivos. Assim, o Círculo de Paz foi muito produtivo para trabalhar essa ansiedade, bem como fortalecer outros vínculos, receber novos servidores e também aparar eventuais arestas de relacionamento”, comentou a magistrada.

 

Para a oficial judiciária Edinéia Aparecida Pereira Pimenta, os desafios e as mudanças são importantes, pois impulsionam as pessoas a novos aprendizados. Por isso, disse que foi “válida a participação no círculo com os colegas”.

A coordenadora do Comitê de Justiça Restaurativa (Comjur) do TJMG e facilitadora do círculo, desembargadora Mariângela Meyer Pires Faleiro, destacou que, ao término do encontro, o sentimento foi de “tranquilidade”.

“Senti que, na saída, estavam mais tranquilos, mais serenos. Tentei passar para eles a certeza de que toda inovação traz mudanças. Toda mudança que acontece, e estamos renovando todo dia, é um verdadeiro desafio. Precisamos estar abertos a esses desafios. Algumas pessoas têm medo porque não conhecem o novo e não querem se arriscar.”

A própria trajetória profissional da desembargadora evidencia seus argumentos. Ela vivenciou diversos ciclos de renovação. E foi o relato da magistrada que acalmou Juliana Nolasco: “Ela contou sobre os cargos que ocupou, os lugares por onde passou, e isso me ajudou.”

“A história de cada um é a vivência que cada um teve na sua vida. Eu estive como escrevente, escrivã, defensora pública e advoguei. Então, estive dos dois lados do balcão. Essa minha experiência me fez amadurecer muito. Foi possível mostrar que as dificuldades sempre existiram, e que cortar as arestas, tentar sempre uma busca por uma convivência melhor, uma construção conjunta de paz, de tolerância, de resiliência, faz com que esse ambiente de trabalho melhore”, afirmou a desembargadora Mariângela Meyer Pires Faleiro.

A psicóloga e facilitadora Clarissa Pires Monteiro de Castro acrescentou que o momento foi uma importante abertura de diálogo também para novatos.

 

“Participaram pessoas novas no setor e que não estavam por dentro dessas questões das mudanças.Isso foi colocado para elas. Foi muito interessante e potente. A gente abriu o círculo para serem compartilhadas informações. Às vezes, o sentimento está no grupo, mas não é falado.”

 

Para ela, o Círculo de Construção de Paz é um espaço seguro de diálogo, no qual as pessoas se abrem e falam sobre assuntos que não estariam em uma conversa cotidiana: “Com isso, elas passam a conhecer mais umas às outras e a conhecer a história de cada um. E isso gera uma conexão.”

A equipe da Coajur atende também demandas de setores relacionadas à gestão de pessoas, às relações interpessoais, ao clima organizacional e ao ambiente de trabalho. Havendo conflitos ou demandas que precisem de mapeamento e diagnóstico, é possível realizar encontro individual ou coletivo.

O círculo, em si, já é uma proposta de mudança, de acordo com a coordenadora do Comjur: “Quantas vezes é um diálogo, uma conversa, uma atitude que pode fazer com que as relações se transformem? A nossa busca é a transformação das pessoas para que, juntas, sempre tentem construir uma paz mais duradoura.”