- Atualidades
- março 25, 2026
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Imposto de Renda abre caminho para destinação a projetos sociais sem custo adicional
Contribuintes podem direcionar parte do imposto devido para fundos que financiam iniciativas locais, mas adesão ainda é considerada baixa

Começou na segunda-feira (23) o prazo de entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2026. Além da obrigação fiscal, o período também abre espaço para uma possibilidade ainda pouco explorada pelos contribuintes: a destinação de parte do imposto devido para projetos sociais, sem custo adicional.
Quem optar pelo modelo completo de auxílio a projetos sociais, pode direcionar até 3% do imposto para o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e outros 3% para o Fundo do Idoso. Na prática, o valor que seria destinado integralmente à União pode ser aplicado diretamente em iniciativas sociais.
Segundo estimativa da Receita Federal, o potencial de doações poderia ultrapassar R$ 14,59 bilhões. No entanto, apenas uma parcela desse montante é efetivamente destinada.
Em 2025, cerca de R$ 413,99 milhões foram direcionados a projetos sociais, o que representa uma queda de 17% em relação ao ano anterior. Em Minas Gerais, o cenário segue a mesma tendência, embora o potencial de doação tenha alcançado R$ 1,24 bilhão, pouco mais de R$ 54 milhões foram efetivamente destinados, a partir de 36.347 declarações.
Recursos chegam a instituições e ampliam atendimento
Apesar da baixa adesão, os valores já destinados têm impacto direto em diferentes regiões do estado, beneficiando instituições e ampliando o atendimento a públicos em situação de vulnerabilidade.
Em cidades do interior, os recursos viabilizam desde acolhimento de idosos até iniciativas de educação inclusiva para crianças com deficiência.
Um dos exemplos é a Associação dos Protetores das Pessoas Carentes (Assopoc), em Crucilândia (MG), que atualmente atende mais de 490 pessoas, entre idosos, crianças e pessoas com deficiência, em seis unidades que incluem lar de longa permanência, creche e centro de reabilitação.
Outro exemplo é a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (ApaeE) de Crucilândia, que oferece educação especializada, terapias e inclusão social para crianças e adolescentes com deficiência intelectual e múltipla.
No campo do esporte e da cultura, o Instituto Galo, braço social do Clube Atlético Mineiro, também amplia o alcance de projetos por meio de incentivos fiscais. Em quatro anos, a organização já impactou mais de 600 mil pessoas com iniciativas que envolvem ações sociais, projetos socioeducativos, esporte, música e apoio a ex-atletas. Um dos projetos aptos a receber recursos via Imposto de Renda em 2026 é a Escola do Futuro, em Rio Manso (MG).
O processo de destinação é realizado dentro do próprio programa da Receita Federal. O valor é abatido do imposto a pagar ou somado à restituição, sem gerar custo adicional ao contribuinte.
Apesar disso, a adesão ainda é considerada limitada. Segundo o especialista Sérgio Coelho, a falta de informação segue como principal obstáculo.
“Grande parte dos contribuintes desconhece que pode decidir o destino de uma parcela do imposto. Para as instituições, a destinação representa uma fonte essencial de financiamento, especialmente em municípios menores, onde o acesso a recursos é mais limitado”, afirma.