- Atualidades
- julho 8, 2026
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Mobilidade ativa pauta debate sobre futuro do Vila da Serra e Vale do Sereno
Expansão imobiliária reacende discussão sobre soluções que reduzam a dependência do carro e ampliem a qualidade de vida na região

Quem passa pela MG-030 nos horários de pico conhece bem o cenário de trânsito intenso que acompanha o crescimento acelerado do Vila da Serra e do Vale do Sereno. Entre os principais polos de expansão imobiliária da Grande Belo Horizonte, os bairros enfrentam um desafio na mobilidade cada vez mais presente nos grandes centros urbanos: como ampliar a circulação de pessoas sem depender exclusivamente do automóvel.
Para a Associação dos Empreendedores do Vila da Serra e Vale do Sereno (AVS), a resposta passa por uma visão mais ampla sobre mobilidade urbana, que envolve não apenas o deslocamento, mas também a ocupação qualificada dos espaços públicos.
Segundo a diretora executiva da AVS, Cida Cardoso, o desenvolvimento urbano precisa ser acompanhado por investimentos que ampliem as alternativas de circulação.
“Não basta construir novos empreendimentos. É preciso criar espaços que permitam às pessoas se deslocar com segurança a pé ou de bicicleta, além de estimular a convivência e devolver à cidade uma escala mais humana”, afirma.
Na avaliação da diretora, falar em mobilidade sustentável não é tratar apenas de transporte.
“Estamos falando de saúde, qualidade de vida, segurança e ocupação dos espaços públicos. As cidades mais modernas do mundo vêm investindo justamente em ambientes que incentivem os deslocamentos a pé e por bicicleta”, acrescenta.
Projeto propõe novo eixo de conexão
Entre as iniciativas discutidas para a região está o Parque da Linha Férrea, projeto que prevê a requalificação do antigo Ramal Ferroviário de Águas Claras.
A proposta destina 73% da área para um parque linear com ciclovias, calçadão para pedestres e espaços de convivência. Os outros 27% serão destinados a uma nova via de rolamento, denominada Avenida Parque.
Com 5,2 quilômetros de extensão e mais de 400 mil metros quadrados, o projeto pretende conectar bairros como Jardim da Torre, Vila da Serra, Belvedere, Jardim das Mangabeiras e Vale do Sereno.
Além de criar uma nova ligação entre a MG-030, a BR-356 e a Alameda Oscar Niemeyer, o plano inclui praças, playgrounds, lago, quadras esportivas, anfiteatro, mirantes e a preservação dos trilhos do antigo ramal ferroviário como patrimônio histórico.
Debate acompanha planejamento metropolitano de mobilidade
A discussão sobre mobilidade ativa também acompanha diretrizes mais amplas de planejamento urbano na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O Plano de Mobilidade Ativa da RMBH (PlanMob) busca estimular deslocamentos realizados por meios não motorizados. Já o Plano de Mobilidade da RMBH, desenvolvido pela Agência RMBH em parceria com a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra), aborda o tema de forma que contempla estratégias voltadas ao transporte coletivo, logística urbana, transporte individual motorizado e mobilidade ativa.
Para a AVS, esse debate se torna ainda mais relevante à medida que Vila da Serra e Vale do Sereno seguem entre os principais vetores de expansão urbana da Grande Belo Horizonte.
“Estamos falando de uma região que continua recebendo investimentos, novos moradores e novos empreendimentos. Por isso, é fundamental pensar a infraestrutura urbana de forma antecipada, criando soluções que atendam não apenas às demandas atuais, mas também às futuras”, afirma a diretora.
Segundo a diretora executiva da AVS, o desafio não está em escolher entre carros, bicicletas ou caminhadas, mas em construir uma infraestrutura capaz de integrar esses diferentes modais.
“A mobilidade sustentável passa pela integração dos diferentes modos de deslocamento. Quanto mais equilibrada for essa infraestrutura, mais qualidade de vida teremos para quem vive, trabalha ou visita a região”, concluí.
Nesse cenário, projetos que ampliem as opções de deslocamento e qualificam os espaços públicos passam a ocupar papel estratégico no planejamento da região. A proposta é preparar o território para um desenvolvimento urbano que combine mobilidade, convivência e qualidade de vida nas próximas décadas.