- Atualidades
- setembro 28, 2026
- 7 minutos
BH aperta o cerco contra cabos irregulares em postes de iluminação
Operações junto com a Cemig em três bairros integram ações para aumentar a segurança e reduzir a poluição visual na capital

Da Redação
O emaranhado de fios que se espalha pelos postes de BH entrou na mira de uma força-tarefa da Cemig e da Prefeitura. Além de comprometer a paisagem urbana, cabos abandonados, soltos ou instalados fora dos padrões técnicos podem representar riscos para pedestres e motoristas. Para enfrentar o problema, as duas instituições intensificaram a fiscalização e a retirada de equipamentos irregulares utilizados por empresas de telefonia, internet e TV por assinatura.
Três operações conjuntas foram realizadas nos bairros São Bento, Lagoinha e Mangabeiras de BH na última semana. As equipes identificaram irregularidades e supervisionaram o trabalho das empresas responsáveis pela retirada de cabos e equipamentos sem utilização.
A iniciativa integra um trabalho contínuo da Cemig na capital. Somente em 2026, já foram recolhidas 6,3 toneladas de sucatas de cabos. No ano passado, outras 6,9 toneladas foram retiradas dos postes, o que eleva para mais de 13 toneladas o volume de materiais recolhidos nos dois anos.
Segundo o vice-presidente de Distribuição da Cemig, Ernando Antunes, a parceria com o município amplia a capacidade de fiscalização e permite enfrentar um problema que ultrapassa os limites da infraestrutura elétrica.
“A Cemig tem intensificado o trabalho para garantir que a ocupação dos postes ocorra de forma organizada e dentro das normas de segurança. A parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte é fundamental porque permite uma atuação integrada sobre uma questão que não envolve apenas o sistema elétrico, mas também a segurança da população e a organização da cidade. Nosso objetivo é avançar cada vez mais na regularização dessas redes”, afirma.
Quase 5 mil notificações em oito meses em BH
O avanço da fiscalização também aparece nos números. Entre janeiro e agosto deste ano, a companhia encaminhou 4.864 notificações às empresas que compartilham os postes em BH. O volume já supera as 3.629 notificações registradas durante todo o ano de 2025.
A responsabilidade pela instalação, manutenção e retirada dos cabos de telecomunicações é das empresas que utilizam a infraestrutura da distribuidora de energia. Cabe à Cemig fiscalizar o cumprimento das normas técnicas e exigir as adequações necessárias.
“As empresas de telecomunicações precisam obedecer às normas técnicas e às condições estabelecidas para a ocupação dos postes. Quando identificamos cabos fora do padrão, abandonados ou outras irregularidades, as responsáveis são notificadas para fazer a adequação. Esse acompanhamento é permanente e as ações conjuntas ajudam a acelerar a regularização e a eliminar situações que podem representar risco para a população”, explica gerente de Eficiência Energética e Receitas Acessórias da Cemig, Thiago Batista.
Pelas normas de compartilhamento, os cabos de telefonia, internet e TV devem ocupar uma faixa específica na parte inferior dos postes, abaixo da iluminação pública. Também precisam respeitar as distâncias de segurança em relação à rede elétrica e ao solo.
A ocupação desordenada, especialmente quando há instalação de equipamentos sem projeto ou abandono de cabos antigos, pode provocar sobrecarga nas estruturas, dificultar a manutenção e aumentar os riscos para quem circula pelas ruas.
Prefeitura de BH já realizou 397 vistorias
A participação da Prefeitura de Belo Horizonte amplia o alcance das operações ao integrar a fiscalização da infraestrutura elétrica às ações de ordenamento dos espaços públicos.
De acordo com a subsecretária de Fiscalização da PBH, Iara França, desde a entrada em vigor do Decreto nº 19.590, em 12 de maio, até o período informado, foram realizadas 397 vistorias para identificar irregularidades e orientar as medidas necessárias à regularização.
“Essa primeira força-tarefa representa uma soma de esforços para ampliar a segurança e contribuir para o paisagismo e a organização dos espaços públicos da cidade. Desde a entrada em vigor do Decreto nº 19.590, em 12 de maio, até agora, a Fiscalização já realizou 397 vistorias. Esse trabalho é fundamental para identificar situações irregulares e orientar as medidas necessárias para a regularização, contribuindo para tornar os espaços públicos mais seguros, organizados e visualmente mais adequados para a população”, afirma.
Organização dos postes também tem impacto na conta de luz
A regularização das redes de telecomunicações não traz benefícios apenas para a segurança e a paisagem urbana. O compartilhamento dos postes também gera receitas que contribuem para reduzir as tarifas de energia elétrica.
Pelas regras do setor elétrico, 60% dos valores faturados pela Cemig com a utilização de sua infraestrutura por empresas de telecomunicações são destinados à modicidade tarifária, mecanismo que contribui para manter as tarifas de energia em níveis mais acessíveis.
Por isso, identificar empresas que ocupam os postes sem contrato ou que descumprem as exigências técnicas também tem importância econômica. Além de não gerar a receita prevista pelo compartilhamento regular, a instalação clandestina pode aumentar a quantidade de cabos e comprometer a segurança das estruturas.
A Cemig esclarece que nem todos os fios instalados nos postes pertencem à distribuidora. Os cabos da rede elétrica, que são energizados, ocupam a parte superior das estruturas. Já os utilizados pelas empresas de telefonia, internet e TV ficam na parte inferior, abaixo da iluminação pública.
A população de BH pode ajudar a identificar irregularidades, como fios soltos, caídos, instalados em altura inadequada ou abandonados nos postes. As denúncias podem ser registradas no site da Cemig, na seção “Canal de denúncia”. As informações são analisadas pelas equipes técnicas e, quando envolvem cabos de telecomunicações, encaminhadas às empresas responsáveis ou aos órgãos competentes para as providências necessárias.
O objetivo da atuação conjunta é reduzir os riscos à população, organizar a ocupação dos postes e diminuir a poluição visual provocada pelo excesso de fios nas ruas de Belo Horizonte.