Café Nice reabre como símbolo da memória afetiva de BH

Café Nice reabre como símbolo da memória afetiva de BH

Após quase fechar as portas, o tradicional ponto de encontro dos belo-horizontinos ressurge com nova proposta e estrutura, sem perder sua essência histórica

Café Nice
Ponto icônico de BH, o Café Nice reabre suas portas para a população belo-horizontina
Foto/Cris Miranda
Cris Miranda

Um dos cafés mais icônicos de Belo Horizonte, o Café Nice, localizado no coração da capital mineira, na esquina da Praça Sete com a Avenida Afonso Pena — ao lado do emblemático “pirulito” —, reabre suas portas após um processo de revitalização que mobilizou apoiadores, instituições e a própria população.

Com 86 anos de história, o Nice já foi palco de encontros, cafés apressados, pausas no meio do dia e muitas memórias que atravessaram gerações. Após a pandemia de 2020, no entanto, o espaço enfrentou um dos seus momentos mais difíceis.

Os irmãos Renato e Tadeu Caldeira, responsáveis pelo negócio familiar, viram o movimento cair drasticamente e chegaram perto de fechar o local de vez. Sem saber como manter o legado vivo, encontraram esperança quando um amigo da família compartilhou a situação com o então presidente da Câmara Municipal de BH, Gabriel Azevedo.

Café Nice
Café Nice reabre suas portas
Foto/Cris Miranda

A partir daí, iniciou-se uma verdadeira corrente de solidariedade que reuniu patrocínios, apoios institucionais e financiamento coletivo. A mobilização emocionou os belo-horizontinos, que enxergam no Café Nice mais que um estabelecimento comercial — um ponto de pertencimento cultural e afetivo.

Com patrocínio da CDL/BH (Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte) e da Gerdau, apoios do Banco Mercantil e de Gabriel Azevedo, além da contribuição de centenas de pessoas via financiamento coletivo, o espaço passou por uma reforma completa e cuidadosa, respeitando seu valor histórico.

Café Nice: tradição preservada, experiência renovada

Coordenado pela Oficina Paraíso, sob liderança de Rafael Quick, o projeto promoveu uma revitalização que preservou elementos originais como os tradicionais azulejos, o icônico balcão e parte do mobiliário. Ao mesmo tempo, foram feitas melhorias estruturais e estéticas para valorizar a experiência do público.

Café Nice
Desde 1939, o Café Nice é ponto de encontro na capital mineira
Foto/Cris Miranda

Entre as novidades estão:

  • Nova fachada com melhor sinalização

  • Painel de fotos históricas

  • Cardápio luminoso

  • Expositor de souvenirs

  • Placas comemorativas

  • Instalação de bancos externos para convivência

  • Reforma elétrica e de equipamentos

  • Treinamento da equipe

 

“O Nice é um ponto de encontro de vida pulsante. Um lugar onde vamos querer estar, revisitar, celebrar. Fizemos poucas intervenções, sempre com o intuito de manter a essência do local”, afirma Rafael Quick, reforçando o caráter simbólico do espaço para BH.

 Um novo capítulo para o Hipercentro

A reabertura do Café Nice acontece em meio a um movimento mais amplo de revitalização do Hipercentro de Belo Horizonte, que busca dar nova vida a espaços históricos, incentivando a cultura, o comércio e a convivência urbana.

Segundo o presidente da CDL/BH Marcelo de Souza e Silva, a reinauguração é um exemplo do potencial do Centro da capital mineira.

“Cada espaço que é revitalizado e volta a ser frequentado reafirma nossa convicção de que o Hipercentro pode ser novamente um polo de convivência, cultura e negócios.”

Na mesma linha, o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, destaca a importância de preservar a identidade histórica da cidade:

“A reabertura mostra que o Centro pode, sim, se reinventar sem perder sua identidade. Apoiar iniciativas como essa é uma forma de valorizar a história e olhar para o futuro.”

Café Nice é um espaço de todos

Mais do que um café, o Nice volta a ser um símbolo do afeto que os belo-horizontinos têm por sua cidade e seus espaços públicos. Ele carrega em suas paredes e aromas as histórias de quem já passou por lá — e agora se prepara para receber novas gerações.

O Café Nice está de volta, renovado, mas com a mesma alma, pronto para continuar sendo parte viva da história de Belo Horizonte.