Brumadinho transforma memória em debate sobre preservação e futuro da mineração no Brasil

Brumadinho transforma memória em debate sobre preservação e futuro da mineração no Brasil

Encontro internacional propõe reflexões sobre justiça ambiental, cultura de prevenção e os caminhos do setor

Vista do Memorial Brumadinho, espaço que sediará seminário internacional sobre justiça ambiental, preservação da memória e mineração
Memorial Brumadinho sediará encontro internacional dedicado à preservação da memória e ao debate sobre mineração e responsabilidade socioambiental (Foto: Memorial Brumadinho / Divulgação)

 

Da Redação

Sete anos e meio após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, Brumadinho volta a reunir especialistas, pesquisadores e familiares das vítimas para refletir sobre as consequências de uma das maiores tragédias ambientais do Brasil. Entre os dias 13 e 15 de agosto, o Memorial Brumadinho sediará o seminário internacional  “Mande notícias do mundo de lá”, encontro que discutirá cultura de prevenção, justiça ambiental e a não repetição de desastres.

A programação reunirá artistas, jornalistas, lideranças comunitárias, pesquisadores e familiares das 272 vítimas da tragédia, em um momento em que o Brasil amplia o debate sobre minerais críticos, terras raras, transição energética e neoindustrialização.

O seminário propõe uma reflexão sobre os desafios de conciliar desenvolvimento econômico, preservação da memória e responsabilidade socioambiental. Os debates também abordarão reparação simbólica, o papel de museus e memoriais na formação da consciência coletiva e a construção de políticas voltadas à prevenção de novos desastres.

Memória como compromisso com o futuro

O Memorial Brumadinho surgiu a partir da mobilização de familiares das vítimas do rompimento da barragem da Vale, ocorrido em 25 de janeiro de 2019. A tragédia matou 272 pessoas e deixou marcas permanentes na cidade e no País.

Pouco mais de três anos antes, o rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, havia provocado a morte de 20 pessoas, atingindo comunidades inteiras e causado impactos ambientais em toda a bacia do Rio Doce.

Mais do que uma programação acadêmica ou cultural, o seminário se apresenta como um espaço de produção de conhecimento e compromisso público com a vida. A iniciativa parte do princípio de que preservar a memória não significa permanecer preso ao passado, mas transformar experiências dolorosas em aprendizado coletivo.

 

Vídeo – conheça mais sobre o Memorial Brumadinho:

 

Arte, território e reflexão coletiva em Brumadinho 

A programação reúne mesas de debate, visitas mediadas ao Memorial, intervenções artísticas e exposições fotográficas. As atividades valorizam tanto a dimensão humana quanto a relação com o meio ambiente, promovendo experiências que conectam conhecimento, escuta e vivência do território.

Além dos debates, os participantes poderão percorrer o bosque do Memorial, acompanhar relatos das comunidades atingidas e participar de atividades que estimulam a troca de experiências entre diferentes áreas do conhecimento. 

Segundo a diretora-presidente da Fundação Memorial de Brumadinho, Fabíola Moulin, o espaço representa um compromisso permanente com a preservação da memória e a construção de um futuro mais responsável.

 

“O Memorial Brumadinho carrega a responsabilidade, que é de caráter coletivo, de transformar dor em legado, escuta em conhecimento e memória em compromisso com a vida. Este seminário é um convite para que o Brasil discuta o seu futuro, considerando aquilo que Mariana e Brumadinho já nos ensinaram”, afirma.

 

Saiba mais sobre seminário internacional “Mande notícias do mundo de lá”

  • Data: 13, 14 e 15 de agosto de 2026
  • Local: Memorial Brumadinho — Rua Hum, nº 100, Bairro Córrego do Feijão, Brumadinho (MG) 
  • Programação: site oficial do seminário