- Atualidades
- setembro 29, 2026
- 6 minutos
Ex-secretário de Comunicação de Minas ofende eleitor de Romeu Zema nas redes sociais
Bernardo Santos, engenheiro civil que comandou a Secom-MG por cerca de três anos, chama eleitor de “imbecil”, “animal”, “babaca” e “mongol”; passagem pela pasta foi marcada também por críticas à mídia impressa

Humberto Filho
O ex-secretário de Estado de Comunicação Social de Minas Gerais Bernardo Santos publicou nas redes sociais um vídeo em que reage com uma sequência de palavrões e ofensas a um eleitor que afirmou não votar no ex-governador Romeu Zema (Novo) para a Presidência da República por considerá-lo “capiau”.
No vídeo, Santos chama o eleitor de “imbecil”, “animal”, “babaca” e “mongol”, além de utilizar diversas expressões de baixo calão.
O episódio chama atenção também pela trajetória recente de Bernardo Santos. Engenheiro civil de formação, ele comandou por aproximadamente três anos justamente a Secretaria de Estado de Comunicação Social, órgão responsável pela política de comunicação institucional do Governo de Minas.
Durante sua passagem pela pasta, o próprio ex-secretário costumava ressaltar publicamente sua formação como engenheiro e o fato de não ser oriundo profissionalmente da Comunicação.
Sua gestão também foi marcada por uma visão bastante crítica em relação aos veículos impressos. Em encontros com profissionais e representantes do setor, Santos chegou a defender publicamente a tese de que jornais e revistas em papel estariam superados ou próximos do fim.
A posição provocou reação de representantes da imprensa mineira e chegou a ser abordada pelo CIDADE CONECTA no artigo “Vale o escrito”, publicado em outubro de 2025. O texto contestava a avaliação do então secretário e defendia que jornais e revistas impressos, embora profundamente transformados pelo avanço do digital, continuavam relevantes, principalmente pela credibilidade, influência regional e capacidade de aprofundamento da informação.
Em outro episódio, durante o Conecta ComMinas, Santos voltou a fazer críticas à mídia impressa. Na ocasião, o deputado estadual Antônio Carlos Arantes, integrante da base do governo na Assembleia Legislativa, discordou publicamente do então secretário e defendeu a permanência e a importância dos jornais impressos.
Ofensas a eleitor
No vídeo publicado agora, Bernardo Santos reage à afirmação de um eleitor que teria decidido não votar em Zema por considerá-lo “capiau”.
Ao defender o ex-governador, Santos argumenta que o eleitor estaria demonstrando preconceito contra pessoas do interior e afirma que Zema é qualificado, empreendedor e teve bom desempenho como governador de Minas.
A defesa, entretanto, é acompanhada por sucessivos ataques pessoais.
Em determinado momento, o ex-secretário chama o eleitor de “mongol”, termo historicamente utilizado de maneira pejorativa para se referir a pessoas com síndrome de Down e, atualmente, considerado ofensivo e capacitista quando empregado nesse sentido.
Santos também chama o interlocutor de “imbecil”, “animal” e “babaca”.
Em outro trecho, afirma que o Brasil “tem que se foder mesmo” diante de escolhas eleitorais que, na avaliação dele, seriam baseadas em preconceito contra pessoas do interior.
Da comunicação institucional à campanha
Bernardo Santos deixou a Secretaria de Estado de Comunicação Social em março de 2026, depois de aproximadamente três anos no cargo, para atuar na campanha presidencial de Romeu Zema.
Ao anunciar sua saída, o então governador agradeceu o trabalho desenvolvido pelo secretário e afirmou que Santos havia contribuído para uma comunicação “clara, objetiva e conectada com os mineiros”.
Ele foi substituído pela jornalista Cássia Ximenes, formada em Comunicação Social pela PUC Minas e com trajetória profissional ligada à comunicação e à atuação institucional.
O episódio desta semana coloca novamente em discussão uma questão elementar para quem ocupa — ou ocupou — posição de comando na comunicação pública: a relação com quem pensa diferente.
Um secretário de Comunicação não precisa concordar com jornalistas, veículos de imprensa ou cidadãos. Um coordenador de campanha tampouco precisa aceitar passivamente críticas ao candidato que defende.
Mas comunicação pressupõe diálogo.
E o eleitor, inclusive aquele que rejeita determinado candidato pelos motivos que considerar relevantes, continua sendo cidadão e merece respeito.
Transformar uma divergência eleitoral em uma sucessão de insultos não responde ao argumento do interlocutor. Apenas rebaixa o debate.
Em uma eleição presidencial já marcada por forte polarização, talvez a comunicação pública e política devesse contribuir justamente para o contrário: ampliar o diálogo, oferecer informação e permitir que cada cidadão forme livremente sua própria opinião.