• Cultura
  • fevereiro 3, 2026
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Mostra de Tiradentes reafirma o cinema como território de memória

Mostra de Tiradentes reafirma o cinema como território de memória

Documentário de cineasta carioca vence principal prêmio do festival e também conquista o júri popular

Mostra de Tiradentes - encerramento
Representantes dos filmes premiados na Mostra de Tiradentes comemoram durante a festa de encerramento (Fotos: Léo Lara)

 

A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes terminou neste final de semana e reafirmou seu papel como um dos principais espaços de reflexão, experimentação e consagração do cinema brasileiro contemporâneo.

O grande destaque da edição foi o documentário “Anistia 79”, dirigido pela cineasta carioca Anita Leandro, vencedor do Prêmio Carlos Reichenbach, principal reconhecimento da Mostra Olhos Livres, concedido pelo júri oficial. O filme também conquistou o Prêmio de Melhor Longa pelo Júri Popular.

Na avaliação dos jurados, a obra se destaca pela forma inventiva com que ressignifica imagens de um registro amador, ao expandir as possibilidades narrativas de cada fotograma.

Emocionada ao receber o prêmio, Anita Leandro afirmou ter vivido, em Tiradentes, a experiência mais intensa de recepção de um filme em sua trajetória. Segundo a diretora, o silêncio atento do público durante as sessões transformou a exibição em um rito. Ela também destacou a expectativa de que o reconhecimento no festival contribua para ampliar a circulação do documentário em salas comerciais.

Na Mostra Foco, dedicada aos curtas-metragens, o Prêmio de Melhor Curta pelo Júri Oficial foi concedido a “Entrevista com Fantasmas” (RS/SP), de LK. O júri destacou a habilidade da obra em articular cinema, memória e espaço urbano, ao tratar de temas como preservação, gentrificação e precarização do trabalho, com uma abordagem poética e marcada pelo uso minimalista dos recursos técnicos.

 

 

Já o Prêmio Canal Brasil de Curtas ficou com “Grão” (RS), de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa, reconhecido por romper estereótipos ao retratar uma juventude periférica atravessada por melancolia e falta de perspectivas.

Ainda entre os destaques dos curtas, o Prêmio Helena Ignez – Destaque Feminino, concedido pelo júri oficial, foi para Gabriela Mureb, pela direção de “Crash” (RJ). A justificativa ressaltou o trabalho inovador com o som e a imagem, propondo uma experiência estética que une reflexão política e experimentação formal.

Na Mostra Aurora, voltada a longas-metragens, o Prêmio do Júri Jovem foi atribuído a “Para os Guardados” (MG), de Desali e Rafael Rocha, elogiado por imaginar outras possibilidades de realidade e apostar no experimental como alternativa à literalidade das imagens dominantes.

O Prêmio Abraccine de Melhor Longa da Mostra Autorias, concedido pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema, foi para “Atravessa Minha Carne” (GO/DF), de Marcela Borela, que destaca o rigor da montagem e do desenho sonoro em diálogo com uma escrita visual sensorial e livre.

Pelo voto popular, o prêmio de melhor curta-metragem foi para “Recife Tem um Coração” (RN), de Rodrigo Sena. Na Mostra Formação, o júri concedeu Menção Honrosa a “Diálogo Bulbul”, por seu uso crítico e experimental do arquivo cinematográfico, e escolheu “De Barriga para Cima” (ES) como melhor filme da mostra.

O segmento Conexão Brasil CineMundi reuniu profissionais do setor e premiou projetos em diferentes estágios de desenvolvimento. “Pedra de Raio” (RJ/CE), de Lucas Parente e Pedro Lessa, recebeu os prêmios Cinecolor e O2 Pós. Já “Bate e Volta Copacabana” (MG), de Juliana Antunes e Camila Matos, foi contemplado com os prêmios CTAV e The End. O Prêmio Málaga WIP ficou com “Pequenas Tragédias” (GO), de Daniel Nolasco, enquanto “Paisagem de Inverno” (MG), de Marco Antonio Pereira, recebeu o Prêmio Sesc em Minas – Work in Progress.

Balanço e debates marcam a Mostra de Tiradentes

Ao longo de nove dias, a mostra ocupou Tiradentes com exibições, debates e encontros que reafirmaram o evento como espaço central do audiovisual brasileiro. A temática da “Soberania Imaginativa” atravessou as discussões, ao conectar o direito de imaginar às condições materiais de produção, circulação e permanência dos filmes.

O 4º Fórum de Tiradentes – Encontros pelo Audiovisual Brasileiro reuniu representantes do Estado, do mercado e da classe artística para discutir a reconstrução democrática do setor, políticas públicas, sustentabilidade e projeção internacional do cinema nacional. Entre os temas centrais estiveram a inclusão do audiovisual no programa Nova Indústria Brasil, a elaboração do novo Plano de Diretrizes e Metas (2026–2035) e a regulamentação das plataformas de streaming.

As discussões também abordaram os desafios da internacionalização do cinema brasileiro, a concentração do mercado, a crise das salas de exibição e o papel estratégico dos festivais como espaços de curadoria, formação de público e resistência cultural.

Para a diretora da Universo Produção e coordenadora geral da mostra, Raquel Hallak, o evento cumpriu sua missão ao fortalecer o setor e promover diálogos fundamentais.

 

Raquel Hallak, organizadora da Mostra de Tiradentes
Para Raquel Hallak, da Universo Produção, evento cumpriu sua missão

 

Premiados da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes

 

  • Prêmio Carlos Reichenbach de Melhor Filme – Mostra Olhos Livres: “Anistia 79” (RJ), de Anita Leandro;
  • Prêmio de Melhor Longa – Júri Popular – Mostra Olhos Livres: “Anistia 79” (RJ), de Anita Leandro;
  • Prêmio de Melhor Curta – Júri Oficial – Mostra Foco: “Entrevista com Fantasmas” (RS/SP), de LK;
  • Prêmio Canal Brasil de Curtas – Mostra Foco: “Grão” (RS), de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa;
  • Prêmio de Melhor Curta – Júri Popular: “Recife Tem um Coração” (RN), de Rodrigo Sena;
  • Menção Honrosa – Mostra Formação: “Diálogo Bulbul” (Sp, RJ, Es, Ba), de Bruno Churuska, Gledson Augusto, Nicole Mendes, Yan Altino e Zimá Domingos;
  • Prêmio de Melhor Filme – Mostra Formação: “De Barriga para Cima” (ES), do Instituto Marlin Azul e moradores da Comunidade Quilombola de Monte Alegre;
  • Prêmio Abraccine de Melhor Longa – Mostra Autorias: “Atravessa Minha Carne (GO/DF), de Marcela Borela;
  • Prêmio do Júri Jovem – Mostra Aurora: “Para os Guardados” (MG), de Desali e Rafael Rocha;
  • Prêmio Helena Ignez – Destaque Feminino: “Crash” (RJ), de Gabriela Mureb;
  • Prêmio Cinecolor e O2 Pós – Conexão BCM: “Pedra de Raio” (CE e RJ), de Lucas Parente e Pedro Lessa;
  • Prêmio CTAV e The End – Conexão BCM: “Bate e Volta Copacabana” (MG), de Juliana Antunes e Camila Matos;
  • Prêmio Málaga WIP – Conexão BCM: “Pequenas Tragédias” (GO), de Daniel Nolasco;
  • Prêmio Sesc em Minas – Work in Progress – Conexão BCM: “Paisagem de Inverno” (MG), de Marco Antonio Pereira.

 

Galeria – Momentos especiais do festival:

 

Quem esteve em Tiradentes:

Cinema na praça, figurinhas e muito aprendizado: